Com cinco milhões de seguidores no Instagram, religioso fala do sucesso repentino, de como lida com cantadas e forte depressão, que enfrentou em 2019: ‘Reconheci que só a fé não bastaria’

A imagem de padre que a maioria das pessoas tem em mente normalmente envolve um senhor usando batina, paramentado para uma celebração ou que, em momentos mais informais, possa ser identificado pela utilização do colarinho clerical, um tipo de gola branca que envolve o pescoço e é fechada na parte de trás. Esse perfil de sacerdote ainda existe, sim, claro, mas a Igreja está cada vez mais tentando se modernizar e conversar com os mais jovens, e nada melhor que a internet para alcançar esse objetivo. Que o diga o padre Patrick Fernandes. ⛪🤳

Com cinco milhões de seguidores só no Instagram, o sacerdote não usa as redes para falar de Deus e religião de uma forma séria, mas, sim de maneira leve, descontraída e, por vezes, lúdica, como quando abre a “caixinha de perguntas” virtual e responde às mais diversas dúvidas dos fiéis seguidores dele (ou seriam seguidores fiéis?🤔). O sucesso é tão grande, que levou o clérigo a viajar Brasil afora com o espetáculo stand up “Fora da Caixinha”.

“A Igreja tem se aberto às tecnologias e redes sociais. Não sou o único padre que trabalha com isso, existem vários por aí. Tenho um filtro próprio do que devo ou não postar, mas nunca recebi represália de meu superior. As vezes em que ele me chamou a atenção foi mais no sentido de paternidade, carinho. Não vi como algo condenatório”, explica Patrick, em entrevista ao Gshow, nesta quinta-feira, 4/8, Dia do Padre.

Do anonimato ao sucesso

Criado em uma família que não era muito religiosa, o sacerdote descobriu a vocação após participar de um retiro de jovens a convite de um amigo, quando tinha 18 anos. “Foi libertador, renovou minha vida e maneira de ver o mundo. Não saí de lá com o desejo de ser padre, mas queria muito ser útil de alguma forma. Procurei o clérigo e ele me orientou a fazer uma experiência vocacional, eu fui e deu certo”, recorda.

Ordenado há uma década, Patrick, que é celebrante numa paróquia em Parauapebas, no Pará, viu o número de seguidores crescer vertiginosamente durante a pandemia, quando passou a usar a internet para se aproximar dos fieis e driblar a suspensão de missas imposta pela crise sanitária. Ele conta que nunca planejou, ou sequer esperou, alcançar tamanho êxito no mundo virtual.

Padre Patrick Fernandes em meio aos fieis — Foto: Arquivo Pessoal

Padre Patrick Fernandes em meio aos fieis — Foto: Arquivo Pessoal

“Não sou famoso. Famosa é Anitta, que estava no número 1 do Spotify; Beyoncé, que lançou CD do nada, Maiara e Maraisa que não conseguem andar na rua; Gusttavo Lima, que não pode nem usar um colar. As pessoas apenas me conhecem um pouco, mas jamais imaginei que pudessem me reconhecer, tirar fotos e essas coisas todas”, diz Patrick, modesto.

Recebo muito carinho e isso enche meu coração de alegria. É evidente que sempre vão ter as pessoas que não concordam com você, o que é normal também. Acho que existe uma doença quando o ‘não concordar’ vira um desejo de ofender, no qual não são medidos esforços e nem consequências das palavras usadas para ferir alguém, mas essas pessoas precisam de ajuda. Eu procuro rezar por elas.
— Padre Patrick Fernandes

Alegria em ajudar

 

Extrovertido e divertido na internet, o padre não esconde ter passado por um momento difícil em 2019, quando teve um forte quadro de depressão. Ele notou que as coisas estavam fugindo ao controle dele, quando perdeu o desejo e a alegria de realizar tarefas simples do cotidiano, que considerava prazerosas, como trabalhar, se relacionar com as pessoas e até mesmo comer.

“Demorei a perceber que necessitava de ajuda, porque sempre fui acostumado a oferecer auxílio e naquele momento precisava de alguém que pudesse estender a mão para mim. Reconheci que somente a fé não bastaria, precisava de ajuda. Percebo que atualmente estou caminhando nos trilhos, claro que tem sempre as consequências, as marcas que ficam, mas hoje recuperei a felicidade”, comemora.

Padre Patrick Fernandes tem milhões de seguidores no Instagram — Foto: Herbeth Ferreira/Divulgação

Padre Patrick Fernandes tem milhões de seguidores no Instagram — Foto: Herbeth Ferreira/Divulgação

Aos 35 anos, Patrick confessa que é assediado, sim, mas que procura não ter uma postura incriminatória diante de situações como essa. “Às vezes a pessoa cria um encantamento momentâneo, passageiro, que não vai durar, mas eu não quero que as pessoas me vejam assim, com desejo apenas“, salienta.

Mesmo que eu fosse casar, jamais me aproximaria de alguém que me visse pelo exterior, pelo estereótipo. Buscaria uma pessoa capaz de enxergar o que existe no meu coração, dentro de mim. Por isso, procuro relevar cantadas, às vezes finjo que não é comigo, mudo de assunto”, diz o sacerdote, ressaltando que se encontrou na profissão escolhida ainda na adolescência. “Ser padre é o melhor de mim“. 😍✨

Patrick Fernandes é padre há dez anos — Foto: Herbeth Ferreira

Patrick Fernandes é padre há dez anos — Foto: Herbeth Ferreira