Senador Marcos do Val atacou Moraes nas redes e no privado antes de buscas

Operação da Polícia Federal visa investigar suposto plano golpista envolvendo Bolsonaro e Silveira

Senador Marcos do Val e o ministro Alexandre de Moraes, do STF Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado e Carlos Moura/SCO/STF

O senador Marcos do Val, do partido Podemos-ES, encontrava-se envolvido em uma polêmica antes de se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal nesta tarde. Suas publicações nas redes sociais atacavam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e questionavam a constitucionalidade de suas ações.

Ontem, Do Val utilizou o Twitter para expressar sua opinião sobre o ministro, afirmando que suas ações são anticonstitucionais, conforme reconhecido por diversos juristas e magistrados em todo o Brasil. Além disso, o senador enviou mensagens críticas ao ministro através do aplicativo de mensagens WhatsApp. Em uma das mensagens, ele compartilhou vídeos nos quais discursava sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito do 8/1, intitulados “Do Val diz que Moraes sabia dos atos de 8/1 e que brasileiros sabem que o governo prevaricou”. Essas informações foram divulgadas pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo. No dia primeiro de junho, Do Val chegou a anunciar um pedido de convocação do ministro para depor na CPI do 8/1, chamando-o de “imperador” e acusando-o de invadir poderes e violar a Constituição, conforme declarado em entrevista à Band News. O senador alertou seus colegas do Senado que todos estavam sendo monitorados e expostos.

A operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que também determinou que o senador se abstivesse de publicar e promover notícias falsas e ataques às instituições. No entanto, o pedido de prisão do parlamentar foi negado. Três endereços foram alvo de busca: o gabinete do senador e suas residências em Brasília e Vitória. O celular e computadores de Do Val foram apreendidos, e suas redes sociais foram removidas, exibindo a mensagem “Conta Retida por determinação legal”. A assessoria do senador informou ao UOL que ele não irá se pronunciar no momento, enquanto a assessoria do Podemos afirmou que não comentará a operação. O processo está em sigilo no STF. Vale ressaltar que hoje é o aniversário do senador, que completa 52 anos e encontra-se no Espírito Santo.

A investigação em curso está relacionada aos relatos do senador sobre um suposto plano golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado federal Daniel Silveira. Desde que afirmou ter sido coagido a tentar incriminar Alexandre de Moraes, o parlamentar tem mudado de versão diversas vezes. Chegou a admitir que inventou a história na tentativa de afastar Moraes da investigação contra Bolsonaro, alegando: “Não tinha golpe de Estado, nem nada. Tinha falado: ‘Bolsonaro, vou usar aquela reunião para fazer uma ação para te blindar porque ele [Moraes] quer te prender'”, conforme gravado em vídeo divulgado pelo portal Metrópoles. De acordo com informações obtidas pelo UOL, Do Val está sendo investigado por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta de governo legalmente constituído, associação criminosa e divulgação irregular de informações confidenciais.

Essa operação da Polícia Federal desencadeada contra o senador Marcos do Val evidencia as tensões e acusações mútuas presentes no cenário político brasileiro. As declarações controversas do parlamentar nas redes sociais e em conversas privadas levaram a uma investigação que envolve figuras de destaque, como o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O desdobramento dessa operação e os desfechos das investigações ainda são incertos, mas certamente terão impacto nas dinâmicas políticas e na imagem do senador Do Val. A sociedade brasileira acompanhará de perto os desdobramentos desse caso, atenta ao desenrolar das investigações e às consequências que ele trará para a política nacional.

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