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Sem opção de lazer, moradores da periferia pagam R$ 20 para usar piscinas particulares

## Calor intenso leva moradores da zona leste a buscar alívio em clubes improvisados

*RESUMO*
Moradores de São Miguel Paulista enfrentam calor recorde buscando alívio em clubes improvisados. Piscinão e Fazendinha se tornam oásis urbanos, com lotação máxima e pulseiras a R$ 20. O calor intenso impulsiona não apenas a procura por lazer, mas também os negócios locais, evidenciando a adaptabilidade da comunidade perante as condições climáticas.

Piscina do Clube da Comunidade Vila Curuçá, conhecido como Piscinão, em dia de calor recorde em SP – Jardiel Carvalho/Folhapress

Era um domingo escaldante em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, quando a voz no alto-falante anunciou: “fechem os portões”.

O Clube da Comunidade Vila Nova Curuçá, carinhosamente chamado de Piscinão, atingiu sua lotação máxima, tornando-se o refúgio preferido dos moradores em meio ao calor recorde. Com temperaturas que atingiram 37,5º C, a busca por lazer transformou ruas em clubes improvisados.

O administrador do Piscinão, Francisco Eduardo, aos 67 anos, relata a segunda vez que precisaram fechar os portões devido à superlotação. Com aproximadamente 700 pessoas em busca de alívio, o clube, construído em 1998 em terreno público, revela a carência de opções de lazer na região. A falta de alternativas impulsiona a procura, especialmente nos dias mais quentes.

Um oasis em São Miguel Paulista

Ao longo de 60 anos na rua do Piscinão, Francisco viu o terreno baldio transformar-se em um ponto vital para a comunidade. Com piscina e quadra de futebol, o local oferece uma pausa bem-vinda, principalmente nos dias quentes. Aos domingos, a demanda é evidente, com filas para adentrar à área da piscina, acessível mediante a compra de uma pulseira amarela por R$ 20.

A lotação expressiva não é exclusividade do Piscinão. No quintal de Robson de Araújo, conhecido como Fazendinha, a piscina também acolheu diversos banhistas ávidos por um alívio. O calor intenso impulsiona a procura por esses espaços, onde R$ 20 garantem um dia de frescor. O administrador Manuel Ferreira do Patrocínio, frequentador assíduo, lamenta o inusitado movimento: “Nunca vi tanta gente na vida”.

Do quintal à lotação máxima

O cenário é animado, com alto-falantes anunciando não apenas a lotação, mas também pedidos de porções de alimentos. O som ambiente mistura-se a uma cacofonia de músicas, proporcionando uma experiência única aos frequentadores. A Fazendinha, assim como o Piscinão, torna-se um oásis para quem busca escapar do calor sufocante.

Querciane Silva, babá de 34 anos, compartilha a dificuldade em suportar o calor e encontra na piscina o refúgio ideal para ela e seus três filhos. O pedreiro Fabiano Cabral, ao lado da piscina lotada, relata o sofrimento no trabalho sob as altas temperaturas, reforçando a necessidade de alívio proporcionada por esses espaços.

O calor impulsiona negócios

Além dos clubes improvisados, a onda de calor impacta até mesmo os negócios locais. Na feira livre, o feirante Orivaldo Trindade, que vende caldo de cana há 27 anos, comemora o aumento nas vendas devido ao calor. O consumo do refresco torna-se uma necessidade em meio às altas temperaturas, refletindo um aumento de 20% nas vendas.

Cecília Augusto, dona de casa, busca soluções criativas para entreter as crianças em meio ao calor. Improvisando uma piscina com uma caixa d’água, ela revela a alta demanda pelo pequeno reservatório que, mesmo disputado, se torna um alívio bem-vindo para as crianças da vizinhança.

Em São Miguel Paulista, a busca desesperada por alívio térmico leva moradores a recorrerem a clubes improvisados. O calor intenso impulsiona a lotação máxima desses locais, revelando a carência de opções de lazer na periferia. Enquanto os moradores enfrentam o calor escaldante, os negócios locais prosperam, evidenciando a adaptabilidade da comunidade diante das condições climáticas adversas. O Piscinão e a Fazendinha emergem como oásis urbanos, onde R$ 20 garantem um dia de frescor em meio ao calor sufocante.

Uma pessoa apaixonada por esportes, praias e pela leitura de clássicos literários como "Dom Casmurro", além de obras contemporâneas como "O Código Da Vinci" e explorando questões fascinantes sobre a "Origem da Vida", sempre buscando cativar as pessoas.

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