Operação do Bope no Complexo da Maré Deixa Pelo Menos 5 Mortos e Prende Mais de 20 Suspeitos

Armamento Pesado e Drogas Foram Apreendidos na Ação Iniciada na Madrugada

Seis suspeitos foram encaminhados juntos à 21ª DP (Bonsucesso) durante ação na Maré
Pedro Teixeira / Agência O Dia

Rio de Janeiro – A operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, prossegue após mais de 11 horas. A ação, que começou por volta das 6h desta terça-feira (11), resultou na prisão de 24 suspeitos e na morte de cinco pessoas, incluindo um policial do Bope. A operação continua, com o clima ainda tenso na região.

Prisões e Apreensões

Até o momento, 24 suspeitos foram presos, sendo sete deles oriundos de Minas Gerais. Entre os presos, cinco estavam foragidos da justiça. Foram apreendidos 11 fuzis, uma metralhadora antiaérea, cinco pistolas, uma espingarda calibre .12, seis carros roubados, duas motos e uma quantidade significativa de drogas. Segundo a Polícia Militar, um esconderijo usado por traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) foi localizado no interior da comunidade. Os materiais apreendidos foram encaminhados à 21ª DP (Bonsucesso) e os veículos recuperados foram levados para o pátio do 22° BPM (Maré).

Confrontos e Vítimas

Durante a operação, Jorge Galdino Cruz, um policial do Bope de 32 anos, foi morto, e outro policial ficou ferido. Um morador da Maré, Revalci Rosa Agues, de 75 anos, foi baleado durante a troca de tiros e está internado em estado estável no Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Moradores relataram a presença de muitos policiais do Bope e Choque, que estavam espalhados por diversas ruas e revistando casas na comunidade Vila do João até a localidade conhecida como Baixa do Sapateiro. O “caveirão”, veículo blindado da polícia, também foi visto patrulhando as ruas.

Repercussão e Impacto na Comunidade

A operação desencadeou episódios de represálias, incluindo tentativas de bloqueio da Linha Amarela e ataques a veículos na Avenida Brasil. Na manhã desta terça-feira, um ônibus foi incendiado e uma carreta foi atravessada na via, na altura da Vila do João. O coletivo incendiado era da linha 361, que fazia o trajeto Recreio dos Bandeirantes X Castelo.

Fechamento de Escolas e Serviços

A operação impactou significativamente o funcionamento de escolas, universidades e clínicas na região. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o Centro Municipal de Saúde Vila do João e as Clínicas da Família Adib Jatene e Augusto Boal interromperam o funcionamento. A CF Jeremias Moraes da Silva manteve o atendimento, mas suspendeu atividades externas.

A Secretaria Municipal de Educação do Rio informou que 37 escolas do Complexo da Maré tiveram o funcionamento impactado, enquanto a Secretaria Estadual de Educação afirmou que 2 escolas precisaram ser fechadas, afetando cerca de 900 estudantes do turno da manhã. A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) determinou a suspensão de atividades avaliativas e abonou as faltas dos estudantes.

Reação das Autoridades

O governador Cláudio Castro expressou pesar pela morte do policial Jorge Galdino Cruz e manifestou solidariedade à sua família e amigos. Em suas redes sociais, Castro destacou o compromisso com a segurança pública e a coragem das forças de segurança. “Seguiremos combatendo a criminalidade, reforçando o nosso compromisso com a segurança do Rio de Janeiro”, declarou.

A operação no Complexo da Maré tem como objetivo desmantelar uma quadrilha especializada em roubo de veículos. Investigações indicam que a região é um dos principais destinos de veículos roubados na Avenida Brasil. O clima permanece tenso, com a presença contínua de forças de segurança na área, e moradores ainda enfrentam os impactos da ação policial.

Com a operação em andamento e o clima de tensão persistindo, as autoridades e a comunidade aguardam os próximos desdobramentos dessa ação que visa combater a criminalidade e restabelecer a segurança na região.