A equipe foi a primeira a detectar o patógeno no esperma durante um novo trabalho

Estudo realizado por pesquisadores italianos encontram o vírus da varíola dos macacos no sêmen de pelo menos três em cada quatro homens acometidos pela doença. A equipe foi a primeira a detectá-lo no sêmen durante um estudo preliminar.

“Essa descoberta demonstra que a presença do vírus no sêmen não é rara nem aleatória”, garantiu Francesco Vaia, diretor do hospital Spallanzani de Roma, instituição especializada em doenças infecciosas, referindo-se ao estudo preliminar que ainda não foi publicado oficialmente.

Os especialistas italianos estão tentando determinar quanto tempo o vírus permanece no sêmen depois do surgimento dos primeiros sintomas da doença. Em um paciente, o DNA do vírus foi detectado três semanas depois do início dos sintomas, incluindo mesmo depois do desaparecimento das lesões. Vaia diz ter visto este fenômeno no passado, em infecções virais como o zika. Segundo o pesquisador, em um primeiro momento, através do cultivo do vírus em laboratório, a carga viral “presente no sêmen era contagiosa e capaz de se reproduzir”

Os pesquisadores também estudam as secreções vaginais para detectar a possível presença do vírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou mais de 3.400 casos confirmados e uma morte em cerca de 50 países onde a doença não é endêmica.

A grande maioria dos casos foi detectada em homens jovens que tiveram relações sexuais com outros homens, segundo a OMS. “Não consideramos esse vírus como uma infecção sexualmente transmissível”, enfatizou na semana passada Meg Doherty, diretora dos programas globais da OMS sobre o HIV (vírus da aids), hepatite e as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).

Foi constatado um aumento dos casos de varíola do macaco desde o começo de maio na Europa. Nos países da África central e ocidental a doença é endêmica há muito tempo.

Brasil

O país já soma 37 casos confirmados da varíola dos macacos, segundo o Ministério da saúde e da Secretária de Saúde do Rio de Janeiro. O estado já conta com seis casos, cinco ocorrências na capital e uma na cidade de Maricá, no Grande Rio.

Minas Gerais confirmou o seu primeiro caso, um homem com 33 anos, que esteve na Europa no período entre 11 e 26 deste mês. O Ceará também confirmou o primeiro caso da doença. Segundo a nota, o paciente tem histórico de deslocamento recente para São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo o Ministério da Saúde, São Paulo tem 28 casos confirmados e Rio Grande do Sul outros dois.

Fonte: O Globo