Sauditas são Acusados de Assassinar Centenas de Migrantes: Relatório da Human Rights Watch Revela Padrão de Violência

Guardas de Fronteira Sauditas São Denunciados por Assassinatos em Massa de Migrantes Etíopes

Em alguns casos, segundo a ONG, os guardas de fronteira sauditas perguntaram aos migrantes em qual parte do corpo eles preferiam ser baleadosFoto: picture-alliance/AP Photo/H. Jamali

Um relatório chocante da Human Rights Watch, divulgado nesta segunda-feira (21/08), destaca a preocupante ação das forças de segurança sauditas ao matar centenas de migrantes e refugiados etíopes entre março de 2022 e junho de 2023. O documento, intitulado “Dispararam como Chuva: Assassinatos em Massa de Migrantes Etíopes pelos Sauditas na Fronteira”, aponta para um padrão sistemático de violência, potencialmente caracterizando esses atos como crimes contra a humanidade.

Os guardas de fronteira sauditas não hesitaram em usar armas explosivas e atirar a queima-roupa, deixando um rastro de morte que incluiu mulheres e crianças. O relatório é baseado em testemunhos de migrantes, imagens de satélite, vídeos e fotos, comprovando a extensão dos ataques. A adolescente etíope Hamdiya compartilhou suas lembranças angustiantes de encontrar cadáveres ao acordar após se esconder dos disparos sob uma rocha.

Esse padrão de violência também se revela nas entrevistas com sobreviventes. Alguns contaram que os guardas sauditas perguntavam onde preferiam ser baleados antes de atirar à queima-roupa. Ataques com armas explosivas, como morteiros, também foram realizados contra os migrantes tentando retornar ao Iêmen.

A situação é ainda mais alarmante quando se considera a campanha de imagem realizada pelo príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman. Apesar dos bilhões gastos em eventos esportivos e entretenimento para melhorar a reputação do país no exterior, a acusação de assassinatos em massa de migrantes permanece como um sério problema de direitos humanos.

O reino fundamentalista, comandado na prática pelo príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman, é rotineiramente acusado de violações sistemáticas de direitos humanosFoto: Leon Neal/Getty/AP/picture alliance

Cerca de 75 mil etíopes vivem na Arábia Saudita, uma nação altamente dependente de mão de obra estrangeira. Muitos migrantes enfrentam condições precárias ou exploração. A Human Rights Watch tem documentado assassinatos na fronteira desde 2014, porém, os recentes eventos parecem indicar uma escalada deliberada da violência.

As conclusões do relatório exigem ação internacional. A pesquisadora Nadia Hardman da Human Rights Watch enfatiza a necessidade de responsabilização da Arábia Saudita, especialmente em eventos internacionais patrocinados pelo país. A comissão das Nações Unidas e o relatório anterior da HRW ecoam a mesma triste realidade: migrantes etíopes enfrentam tortura, execuções e sofrimento.

A denúncia da Human Rights Watch lança luz sobre uma realidade sombria que exige atenção global e ação urgente. A responsabilização dos responsáveis e a proteção dos direitos humanos devem ser prioridades incontestáveis para a comunidade internacional.