Região sofre com alagamentos após fortes chuvas

O Jardim Pantanal, bairro localizado na Zona Leste de São Paulo, amanheceu neste sábado (1º) novamente submerso após mais um episódio de enchentes causadas pelas fortes chuvas que atingiram a capital paulista e cidades da Grande São Paulo.

O bairro, que já sofre historicamente com alagamentos desde os anos 80, foi fortemente impactado pela elevação do nível do Rio Tietê, que transbordou durante a madrugada. Vídeos feitos por moradores mostram ruas e casas completamente alagadas.

A chuva intensa começou na noite de sexta-feira (31), obrigando a Defesa Civil a emitir um alerta de temporais severos para diversas regiões da capital e municípios vizinhos. Apesar da trégua da chuva ao amanhecer, a água continuou acumulada nas ruas e nas residências da comunidade.

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Alagamento na Grande São Paulo e alerta da Defesa Civil para os riscos dos temporais, que começaram na noite desta sexta-feira (31). — Foto: Reprodução

Prefeitura afirma que moradores terão que deixar o local

Durante coletiva de imprensa na manhã deste sábado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) reconheceu a gravidade da situação e voltou a afirmar que não há alternativa viável para evitar alagamentos na região.

“Pantanal é um problema terrível. Está abaixo do nível do rio, já houve remoção de famílias, mas voltaram. Estamos fazendo uma obra lá, um pôlder, mas a solução definitiva é retirar essas pessoas da área”, disse o prefeito.

Segundo Nunes, a Prefeitura havia estudado um projeto para a construção de um dique no local, mas o custo estimado em R$ 1 bilhão inviabilizou a obra. “Seria mais barato realocar os moradores do que investir em uma estrutura tão cara”, explicou.

O prefeito também mencionou que já está em andamento um projeto de drenagem na região, com investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões para minimizar os impactos das enchentes.

Histórico de alagamentos no Jardim Pantanal

O Jardim Pantanal é uma área de várzea do Rio Tietê, localizada entre São Paulo e Guarulhos. Devido à sua posição geográfica e à ocupação irregular, o local sofre com enchentes recorrentes há mais de quatro décadas.

  • Nos anos 2000, o crescimento populacional desordenado agravou ainda mais os problemas da região.
  • Em 2009, o bairro enfrentou uma das piores enchentes de sua história, permanecendo submerso por mais de 20 dias.
  • Em 2020, o então governador João Doria entregou uma estrutura de contenção para tentar minimizar os impactos das cheias.

Apesar dos esforços, a situação continua crítica. Moradores relatam que basta uma chuva moderada para que as ruas fiquem alagadas, dificultando o deslocamento e colocando em risco a segurança da população.

Obra do pôlder atrasada e sem previsão de conclusão

Uma das promessas da atual gestão para minimizar os alagamentos foi a construção de um pôlder — reservatório de drenagem projetado para conter o excesso de água. A obra, iniciada em janeiro de 2023, deveria ter sido concluída em 150 dias, mas até agora segue inacabada.

O projeto, avaliado em R$ 6 milhões, prevê a instalação de um reservatório próximo às ruas Serra do Grão Mogol e Tite de Lemos, onde a água captada seria direcionada para o Córrego Lageado.

O G1 entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo para entender os motivos do atraso na obra, mas até o momento não obteve resposta.

Outras regiões da Grande São Paulo também foram afetadas

Além do Jardim Pantanal, diversos bairros da Zona Leste e Zona Norte de São Paulo, bem como municípios vizinhos, sofreram com alagamentos severos.

Os principais pontos de alagamento registrados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) foram:

  • Itaim Paulista, Guaianases, Penha e Itaquera (Zona Leste)
  • Vila Albertina e Jaçanã (Zona Norte)
  • Guarulhos, Franco da Rocha, Caieiras e municípios do ABC Paulista

Segundo o CGE, foram registrados 26 pontos de alagamento durante a madrugada, sendo 12 na sexta-feira (31) e 14 no sábado (1º).

Cidades da Grande SP ficam embaixo d’água em razão das chuvas da madrugada deste sábado (1°). — Foto: Reprodução

Volume de chuva e impactos na cidade

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou que os maiores volumes de chuva nas últimas horas foram registrados nas seguintes regiões:

  • Caieiras (Jardim Marcelino) – 95 mm
  • Ferraz de Vasconcelos (Centro) – 87 mm
  • São Paulo (Cidade Tiradentes 2) – 80 mm
  • Guarulhos (Vila Nova Bonsucesso) – 68 mm
  • São Paulo (Jardim Romano) – 67 mm

Ao longo da madrugada, o Corpo de Bombeiros recebeu 69 chamados para enchentes, além de:

  • 19 chamados para queda de árvores
  • 8 chamados para desabamentos/desmoronamentos

A Linha 7-Rubi da CPTM também teve a circulação interrompida entre Caieiras e Botujuru devido aos alagamentos nos trilhos.

O que diz a Prefeitura de São Paulo?

Diante do caos provocado pelas chuvas, a Prefeitura informou que mobilizou 145 equipes de limpeza para atuar nos bairros afetados. Segundo a administração municipal, os trabalhos de remoção da lama e detritos já começaram, com o apoio de 2.700 servidores e 3.300 veículos de zeladoria.

Além disso, 220 agentes de trânsito foram acionados para monitorar as vias alagadas e orientar motoristas e pedestres.

Alagamento na Rua Padre Viegas de Menezes, em Itaquera, Zona Leste, na madrugada deste sábado (1°). — Foto: Reprodução/TV Globo

O Jardim Pantanal segue sendo um dos pontos mais vulneráveis da capital paulista às enchentes, e a solução definitiva para o problema continua distante. Enquanto a Prefeitura argumenta que a realocação dos moradores seria a melhor saída, milhares de famílias permanecem expostas a riscos a cada nova temporada de chuvas.

A falta de conclusão das obras de drenagem e a dificuldade em impedir novas ocupações irregulares indicam que o ciclo de alagamentos e perdas no bairro está longe do fim.


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