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Após ataques dos houthis, do Iêmen, contra navios da Arábia Saudita, no Mar Vermelho, o preço do barril de petróleo voltou a disparar com aumento de 6% do óleo do tipo Brent, chegando a ser vendido a US$ 101 dólares no início da tarde desta quinta-feira (23).

A escalada da guerra no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Bab el-Manbed pelos houthis para navios da Arábia Saudita, vem agravando a situação do comércio global de combustíveis, com potencial de repercutir na inflação em todo o mundo.  

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A alta ocorre no momento em que o mercado do petróleo acumula cinco meses de redução da oferta, após o início da agressão dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. As tensões levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do comércio marítimo de combustíveis.
 


Infográfico mostrando a escalada da guerra no Oriente Médio e a alta de 7% no preço do barril de petróleo Brent devido aos ataques no Mar Vermelho.
Infográfico mostrando a escalada da guerra no Oriente Médio e a alta de 7% no preço do barril de petróleo Brent devido aos ataques no Mar Vermelho.
Infográfico mostra oscilação dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. – Arte Dijor/EBC

Após a assinatura do memorando de entendimento entre Irã e EUA, em 17 de junho, o preço do barril de petróleo começou a cair até chegar ao valor mínimo de US$ 70, no dia 1º de julho, menor preço desde o início da guerra. Desde então, o preço do Brent aumentou 42%.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Álvares, explicou à Agência Brasil que o fechamento da via do Mar Vermelho para Arábia Saudita tem impacto “bem relevante”.

“A alternativa da Arábia Saudita para escoamento do petróleo com as restrições do Estreito de Ormuz vinham sendo via oleoduto até o Mar Vermelho. Com o fechamento de Bab el-Manbed, isso não é mais possível”, comentou.

A especialista lembrou que a Arábia Saudita é um dos maiores produtores globais de petróleo e que o bloqueio ao país árabe deve afetar a oferta do produto para os EUA, que usa o petróleo saudita para fazer combustíveis, como gasolina e diesel.
 


Estreito de Bad el Mandeb
Estreito de Bad el Mandeb
Fechamento do Estreito de Bad el Mandeb afeta frete e impacta preço do petróleo. Arte Dijor/EBC

 

“Se houve um fechamento mais geral do Estreito de Bab el-Manbed, isso vai afetar a Europa em cheio porque a Ásia envia seus produtos para Europa pelo Mar Vermelho. Isso vai afetar muito o preço de frete”, concluiu.


Brasília (DF), 23/06/2025 - historiador e pesquisador de conflitos armados e de geopolítica, o delegado Rodolfo Queiroz Laterza.
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Brasília (DF), 23/06/2025 - historiador e pesquisador de conflitos armados e de geopolítica, o delegado Rodolfo Queiroz Laterza.
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Historiador e pesquisador de conflitos armados Rodolfo Queiroz Laterza – Cleia Viana/Câmara dos Deputado

Estima-se que cerca de 10% do comércio marítimo do petróleo passe pelo Estreito de Bab el-Manbed e pelo Mar Vermelho, segundo Agência Internacional de Energia (AIE).

O diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, destacou à Agência Brasil que a Arábia Saudita deve ter perdas econômicas “substanciais”.

“Isso vai agravar as cadeias logísticas de abastecimento no mundo e afetar inúmeras economias de vários países, principalmente aqueles dependentes da importação de petróleo e derivados”, comentou.

Nova etapa da guerra

O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, Danny Zahreddine, avalia que a guerra entre Irã e EUA entra em nova etapa com o fechamento da passagem de el-Manbed pelos houthis.

“Nós estamos vivendo um impasse em que, quando os americanos apertam os iranianos, eles vão apertar mais ainda os EUA e seus aliados. E, sem sombra de dúvida, o estreito de Bab el Mandeb e o seu fechamento ele vai gerar um choque ainda maior na distribuição do petróleo”, disse.

Os houthis têm uma aliança com o Irã, enquanto a Arábia Saudita é uma aliada histórica dos EUA, além de ser uma rival regional de Teerã.


Belo Horizonte (MG), 27/03/2026 - Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas. Foto: Agência Pública/Divulgação
Belo Horizonte (MG), 27/03/2026 - Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas. Foto: Agência Pública/Divulgação
Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas – Agência Pública/Divulgação

O professor Zahreddine acrescentou que não só a Arábia Saudita deve ser afetada, mas todo e qualquer tipo de transportes que venha da Europa ou dos EUA e que passe ali pelo Mar Vermelho e Canal de Suez.

“Ou do transporte da China, da Ásia, Malásia, Indonésia, Singapura que seja para a Europa ou EUA. Essa rota passando pelo Portal das Lágrimas, que é o que significa o Bab el Mandeb, é muito mais curto. Então, o impacto é evidente”, finalizou.

Iêmen entra na guerra

Para o historiador Laterza, a guerra de Israel e EUA contra o Irã teve desdobramentos em conflitos até então “congelados”, como a guerra no Iêmen.

“Cujas hostilidades foram encerradas em um acordo frágil em 2022 intermediado pela China. Os ataques aéreos sauditas ao porto de Sanaa [no Iêmen] dias atrás levaram a esta resposta firme dos houthis, que possuem plena capacidade de negação de uso do Mar Vermelho e de restringir a navegação no Estreito de Bab al-Mandeb”, comentou.

Ainda segundo especialista do GSEC, os houthis tem comprovada capacidade militar no emprego de mísseis antinavio, mísseis balísticos, hipersônicos e drones kamikaze.

“A realidade é bastante desfavorável para a estabilidade dos preços mundiais dos hidrocarbonetos e os impasses estratégicos para os EUA com o envolvimento militar dos Houthis irá se agravar”, concluiu Laterza.

Saiba mais sobre os ataques no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil


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Decisões judiciais e evolução da legislação brasileira em relação à atuação das gigantes da tecnologia (big techs) foi um dos argumentos usados pelos Estados Unidos para imposição do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A medida vale a partir desta quarta-feira (22).

Porém, de acordo com pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, os Estados Unidos distorceram alguns fatores e usaram o tema como pretexto para punir o Brasil. Para os especialistas, as empresas estrangeiras não podem perceber o país como “terra sem lei” e devem obedecer ao regramento nacional.

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Diferentemente do que alega o governo dos Estados Unidos, a legislação brasileira não promove ameaça à liberdade de expressão. Essa seria uma narrativa deturpada, conforme destaca o professor Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (Iris).

“A falta de regras é o que fere a liberdade de expressão ao permitir que discursos de ódio ataquem minorias e que a desinformação afete a formação da opinião pública.”

O sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e pesquisador do tema da soberania digital, avalia que a decisão do governo dos Estados Unidos foi “truculenta”. 

As alegações para o tarifaço se baseiam em um relatório feito pelo Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR). O documento cita a atuação da Justiça contra big techs e pontos do Marco Civil da Internet com supostos endurecimentos da legislação contra as plataformas digitais.

“Ordens secretas de tribunais brasileiros e as severas penalidades por descumprimento são descabidas, pois exigem que empresas de mídia social americanas removam conteúdo político e suspendam os perfis de residentes americanos”, questiona o documento estadunidense.

Prestação de contas

Na Europa, existe uma série de controles que ainda não há no Brasil, como destaca o sociólogo Sérgio Amadeu. “O que acontece na Europa, principalmente, é que lá as big techs têm que prestar contas à sociedade.” 

Amadeu diz que o governo Trump faz uma manobra para garantir que aqui seja um território onde as big techs possam extrair dados e riquezas sem prestar contas para a nossa sociedade. 

“Isso é um absurdo. Uma das consequências é que as big techs praticam uma censura muito pesada aqui dentro do Brasil porque eles controlam algoritmos que são invisíveis.”

Poder público

O professor entende que o papel do poder público é exigir que crimes não possam proliferar dentro da rede. “Nós precisamos ter uma legislação que garanta que as big techs e as plataformas digitais tenham que cumprir regras democráticas.”

De acordo com ele, há no Brasil um cenário de “tecnofascismo”, em que as corporações abandonam a fachada de neutralidade para se alinham abertamente à agenda do governo norte-americano. “As empresas assumiram a política de Trump para transformar o Brasil em um território livre para extração de dados e riquezas sem prestação de contas.”

Não é surpresa

O diretor do Sleeping Giants Brasi, Humberto Ribeiro, lembra que, com a eleição de Donald Trump, algumas empresas alteraram suas diretrizes e encerram parcerias de checagem de fatos com agências independentes. “As Big Techs se converteram em ferramentas da estratégia geopolítica de Washington.”

Para Humberto Ribeiro, não é uma surpresa que os Estados Unidos argumentem que os avanços brasileiros na regulação dessas empresas seja fundamento para a aplicação do tarifaço.

“No ano passado, quando as tarifas foram anunciadas pela primeira vez ao Brasil, um fundamento era que o país estava avançando com iniciativas de regulação de plataformas digitais.”

Na avaliação de Alexandre Gonzalez, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e representante do Diracom (organização contra desigualdades nos meios de comunicação e na internet), as investidas de Trump dão continuidade ao tom adotado pelo presidente em 2025, com a finalidade de blindar interesses corporativos sob a falsa narrativa de proteção à concorrência.

Além do discurso oficial, Gonzalez identifica que a verdadeira preocupação dos Estados Unidos está ancorada na corrida tecnológica global travada contra a China, especialmente no campo da inteligência artificial. Corporações representariam a espinha dorsal dessa vanguarda norte-americana. 

Efeito Brasil

O diretor da Sleeping Giants, Humberto Ribeiro, argumenta que o Brasil se tornou estratégico para os Estados Unidos para tentar evitar que outros países da América Latina sigam o mesmo caminho de tentativa de regulação.

“Um objetivo, na verdade, seria demonstrar para todos os países latino-americanos quais são as consequências de fazer o que o Brasil está fazendo.”

Dossiê

Neste ano, a Sleeping Giants foi uma das responsáveis por publicar um dossiê das Big Techs no Brasil a fim de verificar danos produzidos por essas empresas para a sociedade. Foram identificados, por exemplo, estímulos de comportamentos nocivos e violentos, exploração sexual infantil, automutilação e incitação ao suicídio. 

Um segundo grupo de danos foi a adoção de comportamentos de censura e de manipulação. “São elas as verdadeiras censoras. Essas plataformas tiram do ar veículos de imprensa, canais relacionados a movimentos sociais ou a grupos sociais marginalizados ao seu bel prazer.”

O advogado defende que a regulação é, na verdade, um mecanismo de proteção da liberdade de expressão. “Sem uma regulação sobre os serviços dessas empresas, elas continuarão suprimindo e removendo discursos, inclusive de veículos de imprensa, sem que exista qualquer regra que as obrigue a prestar contas sobre as decisões que elas tiveram.”

Humberto Ribeiro entende que o Brasil teve inicialmente uma abordagem protetiva para as empresas. Com julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ficou definido que a remoção de conteúdo passaria a ser como na Europa, a partir da denúncia do usuário. 

“Não é possível dizer que a abordagem brasileira é dura. Garante aos usuários segurança. Não é uma abordagem que impede as plataformas de atuarem, por exemplo. Na minha leitura, dá para endurecer mais.”

O advogado cita que dois projetos em tramitação no Congresso têm relevância especial para a soberania digital. Um é o PL 2338, já aprovado no Senado, trata sobre uso da inteligência artificial no Brasil. O outro é o PL 4675, que aborda a regulação de mercados digitais. Para ele, este projeto de lei pode impactar o mercado das tecnologias da informação no Brasil. “Quebra para as empresas a prática monopolista, sempre utilizada para conquistar e garantir o seu poder de mercado.”

Legislação

Segundo o pesquisador Paulo Rená, pesquisador do Iris, o intenso lobby das big techs atuou para travar avanços no Congresso Nacional, sendo o PL das Fake News o maior exemplo desse bloqueio. Essa omissão legislativa exigiu uma resposta dos demais Poderes para assegurar a soberania digital.

“Nada nessas normas trata de restrição ao conteúdo das publicações ou de censura. O que se exige é um papel proativo e transparente das plataformas no cumprimento de seus próprios termos de uso e na proteção de vulneráveis, em especial, crianças e adolescentes.”

 


Brasília (DF) 22/10/2024 Criança faz uso de celular, tablet e computador  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 22/10/2024 Criança faz uso de celular, tablet e computador  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Para os especialistas, um dos principais objetivos da legislação brasileira é proteger as criança no acesso à internet Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Pesquisador em ciência política e em relações internacionais, Alexandre Gonzalez entende que a premissa de que haveria uma espécie de perseguição à atuação das empresas dos Estados Unidos em território brasileiro é descabido. “O argumento sobre defesa de liberdade de expressão é um pretexto.”

Para Gonzalez, é falsa a argumentação de que haveria um endurecimento brasileiro em relação às Big Techs. Para ele, debater o estabelecimento de regras é uma tendência de discussão e de construção no mundo inteiro.

Construção social

A jornalista Júlia Lanz, pesquisadora do Intervozes e da Coalizão Direitos na Rede, pondera que, assim como existe uma regulação para publicidade no Brasil, é necessária também a regulação das plataformas digitais. 

“Não tem nada a ver com o discurso que tentam colar da censura. O nosso Marco Civil foi uma grande construção da sociedade civil com pressão ao Congresso. E foi uma grande conquista por direitos.”

A advogada Camila Camargo, especialista em direito digital, em Curitiba (PR), cita que os decretos 12.975 e 12.976, que entraram em vigor esta semana, definem que as plataformas removam e trabalhem para prevenir conteúdos considerados criminosos.

“O Brasil tem todo o direito de definir quais as regras que deve adotar. Toda empresa deve ter responsabilidade. Quem está oferecendo um serviço ou um produto tem uma série de responsabilidades.

Soberania

O pesquisador Paulo Rená defende que o Brasil imponha sua dimensão de mercado e sua soberania para rechaçar a pressão.

“A postura firme do Estado brasileiro é, na verdade, o que garante e promove a verdadeira liberdade de expressão e a democracia no país.”

Para Sérgio Amadeu, o caminho democrático exige fazer cumprir a Constituição, impor a tributação justa sobre operações bilionárias e garantir que corporações estrangeiras submetam seus algoritmos à democracia brasileira.
 


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Diante da evolução das tensões relacionadas ao conflito no Oriente Médio, o Ministério das Relações Exteriores emitiu, nesta terça-feira (21), um alerta consular para que brasileiros não viagem para o Irã, Israel, sul do Líbano, Palestina (Faixa de Gaza) e Iêmen.

Na mesma nota, divulgada em redes sociais, o Itamaraty pede que sejam evitadas viagens não essenciais para a Palestina (na Cisjordânia), Síria, Iraque, Líbano, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita. O governo acrescentou que não existem, até agora, restrições à realização de conexões aéreas nos países.

Brasileiros no exterior

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O Itamaraty alertou os brasileiros que estão nesses países a acompanharem as notícias nos sites e nas mídias sociais das embaixadas brasileiras na região e que sejam seguidas rigorosamente as recomendações de segurança das autoridades locais.

Entre as recomendações, o governo brasileiro pede que as pessoas evitem multidões e protestos, que não sejam filmadas ou fotografadas instalações, veículos ou pessoal militar, “tampouco ataques ou quaisquer outros eventos relacionados ao conflito, uma vez que tal conduta pode, à luz da legislação local, resultar em detenção”, apontou o Itamaraty.

O ministério ainda solicita que os brasileiros não divulguem, em redes sociais, imagens, vídeos ou textos relacionados ao conflito que possam ser considerados pelas autoridades locais como ofensivos à segurança nacional. “[Recomenda-se] não deixar seus locais de residência sem se certificar de que as condições de segurança o permitem”, orienta o governo.

Nos casos de voos cancelados, os brasileiros devem procurar a companhia aérea para remarcação dos bilhetes. Outra orientação é “verificar se seus documentos de viagem estão em dia e com ao menos seis meses de validade”.

Conflito em marcha

As recomendações da chancelaria brasileira ocorrem em um dia de novas evoluções do conflito no Oriente Médio. Nesta terça, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que realizou um ataque à central de dados da empresa Amazon, dos Estados Unidos (EUA), sediada no Bahrein.

Em nota, o Exército do Bahrein confirmou que o Irã realizou ataques “ilegais contra civis” no país, sem especificar quais os locais foram atingidos. Os militares do país do Golfo acrescentaram terem destruído “com sucesso” diversos ataques aéreos iranianos nesta terça-feira.

Os militares iranianos anunciaram também novos ataques contra radares de alerta e de defesa antimíssil dos EUA no Kuwait, na Base Aérea de Jaber. Outros alvos anunciados pelo Irã foram de bases norte-americanas na Jordânia.

Complexo nuclear em risco

O Comando Central dos Estados Unidos, por outro lado, divulgou que atacou bases militares iranianas, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea daquele país.

O presidente Donald Trump ameaçou, nesta terça (21), o complexo nuclear iraniano Montanha Pickaxe, próximo às instalações nucleares de Natanz.

Com a escalada da guerra no Oriente Médio, que significou um revés no acordo costurado entre Irã e EUA, o preço do petróleo voltou a subir nesta semana, com o valor do barril Brent subindo cerca de 2% e chegando a U$S 90.


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O governo brasileiro desmobilizou o hospital de campanha montado na Venezuela em apoio às vítimas dos terremotos que atingiram o país no final de junho e deixaram mais de 5,2 mil mortos, na última contagem oficial. Ao longo do período de apoio do hospital, administrado pela Marinha do Brasil, foram realizados 2.695 atendimentos.

Ao todo, foram 1.764 atendimentos em clínica geral, em casos como dor de cabeça, pressão alta, náuseas e desidratação; 356 em ortopedia para traumatologia, lesões, dores articulares e musculares; 303 atendimentos em pediatria; 257 para tratamento psicossocial em diagnósticos relacionados à saúde mental e estresse agudo, e 15 cirurgias.

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Parte dos 102 militares e de equipamentos utilizados no hospital de campanha, instalado na cidade de La Guaira, já retornaram ao Brasil em voos da Força Aérea Brasileira (FAB). O restante do pessoal e material chegaram na manhã desta terça-feira (21), no Rio de Janeiro.

No dia 24 de junho, terremotos de 7,2 e 7,5 na escala Richter, de força muito destrutiva, ocorreram com menos de um minuto de intervalo e causaram milhares de desabamentos em diversas regiões do país. As áreas mais afetadas foram La Guaíra e Caracas.

O drama vivido no país vizinho motivou a solidariedade mundo afora. Países como Estados Unidos, China, Brasil, México, Reino Unido, entre outros, enviaram equipes de resgate, equipamentos, remédios e alimentos para a Venezuela.


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O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã informou, nesta terça-feira (21), que realizou um ataque à central de dados da empresa Amazon, dos Estados Unidos (EUA), sediada no Bahrein. 

“[Os combatentes da IRGC] atacaram a infraestrutura central de dados da empresa americana Amazon no Bahrein com vários mísseis de cruzeiro e a destruíram”, diz comunicado do braço armado iraniano.

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A empresa que fornece serviços de armazenamento de dados em “nuvens” para governos e empresas no Oriente Médio não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Em março, o Irã já tinha realizado ataques contra unidades da Amazon nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e no Bahrein.

Em nota, o Exército do Bahrein informou que o Irã realizou ataques “ilegais contra civis” no país, sem especificar quais os locais foram atingidos. Os militares do país do Golfo acrescentaram terem destruído “com sucesso” diversos ataques aéreos iranianos nesta terça-feira.

Kuwait e Jordânia 

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou ainda novos ataques contra radares de alerta e de defesa antimíssil dos EUA no Kuwait, na Base Aérea de Jaber.

“Após essa operação de supressão de radar, o inimigo deve se preparar para ondas mais decisivas e mais pesadas de ataques de drones e mísseis”, afirmou a Guarda Revolucionária.

Outros alvos anunciados pelo Irã foram de bases norte-americanas na Jordânia.

“Vários militares americanos foram mortos após forças iranianas atacarem um complexo que abrigava tropas americanas na região de al-Rukban, na Jordânia”, diz comunicado da IRGC publicano na mídia iraniana Press TV.

Trump ameaça complexo nuclear

Do outro lado, os Estados Unidos (EUA) informaram que realizaram nova onda de ataques com objetivo de “degradar ainda mais as capacidades militares iranianas usadas para atacar o transporte comercial no Estreito de Ormuz”.

O Comendo Central dos EUA no Oriente Médio informou que atacou comando militar iranianos, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea do Irã.

Ainda nesta terça-feira (21), o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o complexo nuclear iraniano Montanha Pickaxe, próximo as instalações nucleares de Natanz.

“Atacaremos essa área muito, provavelmente muito em breve, e não há nada que eles possam fazer a respeito. Normalmente eu não diria isso. Se eu achasse que eles poderiam fazer algo a respeito, eu nunca diria isso. Mas atacaremos essa área muito em breve, e com muita força”, afirmou.

Guerra e preço do petróleo

Com a escalada da guerra no Oriente Médio, que expõe o fracasso do acordo costurado entre Irã e EUA, o preço do petróleo voltou a subir nesta semana, com o preço do barril Brent subindo cerca de 2% nesta terça-feira, chegando a U$S 90. Isso após ter baixado a US$ 72 no início de julho

Nessa segunda-feira (21), os houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram um bloqueio naval contra à Arábia Saudita, aliados dos EUA, no Estreito do Bab el-Mandeb, ampliando a tensão no Oriente Médio e no mercado global de combustíveis. 

Os houthis afirmam que estão retaliando a Arábia Saudita devido ao “cerco injusto e opressivo” imposto pelos sauditas. Em nota, a Arábia Saudita negou o cerco ao Iêmen e condenou a decisão de atacar embarcações do Reino que transitem no estreito do Bab el-Mandeb.

Porta de entrada para o Mar Vermelho, o fechamento total desse estreito poderia reduzir o abastecimento global em até 7%. O Estreito de Ormuz, por sua vez, é responsável por até 20% do comércio de petróleo do mundo.

Em nota publicada nesta terça-feira, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirma que a escalada da guerra preocupa a segurança do abastecimento global de combustíveis e leva incertezas ao mercado.

“As ameaças ao Estreito de Bab el-Mandeb, que se tornou cada vez mais importante como rota alternativa ao Estreito de Ormuz, agravam ainda mais essas preocupações”, disse o chefe da AIE

 


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A escalada da guerra no Oriente Médio nos últimos dias expõe o fracasso do acordo costurado entre Irã e Estados Unidos (EUA) para pôr fim ao conflito que já custou a vida de milhares de pessoas na região, desde o dia 28 de fevereiro.

Os ataques aumentaram contra o Irã, incluindo bombardeios contra infraestruturas civis como pontes, hospital, usinas de dessalinização de água, de produção de combustíveis e até um canteiro de obras de uma usina nuclear. 

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Do outro lado, o Irã intensifica ataques contra alvos em países do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait, atingindo tanto bases militares dos EUA nesses países, quanto algumas infraestruturas civis, como usinas de dessanilização de água e de produção de energia.

O especialista em segurança e geopolítica, o major-general português Agostinho Costa, afirmou à Agência Brasil que o memorando de entendimento assinado entre EUA e Irã não passou de uma “mentira” ou uma “manobra diversionista” de Washington diante da baixa nas reservas de petróleo causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz

“O presidente Donald Trump assinou o memorando porque foi informado que as reservas estratégicas de petróleo duravam mais quatro semanas, o que iria provocar uma crise, principalmente de diesel. O acordo foi uma ficção, sem intenção de se cumprir, como todos os papéis que os americanos assinam”, disse.

O ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal acrescentou que, a partir do momento que os EUA cumprissem o memorando, eles estariam entregando, para controle do Irã, a rota marítima de países “clientes” dos EUA como Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein e Kuwait.

“O que está em jogo é a hegemonia norte-americana na região. É o fim do império norte-americano. Isso é o que está em jogo e é isso que faz com que os americanos tenham voltado à carga”, completou.

A Jordânia como alvo

O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos explicou à Agência Brasil que existem poucas diferenças entre essa nova fase da guerra e as anteriores, com destaque para os ataques mais pesados do Irã contra alvos na Jordânia.

“Isso porque a Jordânia se tornou o maior hub logístico da Força Aérea americana por pelas fragilidades das bases do Golfo. Além disso, Israel está fora da guerra, só que o aeroporto Ben Gurion [em Israel] é também uma das maiores bases aéreas dos EUA na região e não está sendo atacado, funcionando como espécie de santuário”, destacou.

Estudioso de Ásia, Teoria Militar e Defesa, Ali Ramos acrescenta que não estão sendo alcançados os principais objetivos anunciados pelos EUA para a guerra, como o fim do programa nuclear iraniano, o fim do programa balístico de Teerã e o fim do apoio às milícias do Oriente Médio.  

“Com isso, os EUA estão escalando para uma estratégia de guerra de terra arrasada, tanto é que atacaram uma fábrica de dessalinização, deixando 10 mil pessoas sem água no Irã.  Só que isso só vai dar mais legitimidade para o regime iraniano”, completou.

EUA sem estratégia

Para o major-general Agostinho Costa, os EUA estão demonstrando não terem uma nova estratégia para essa nova fase da guerra contra o Irã, repetindo as campanhas de bombardeio aéreo contra o país persa que já não vinham dando resultados desde 28 de fevereiro.

“Mais uma vez, os americanos mostram que não têm estratégia nenhuma. Por um lado, não querem se empenhar em invasão terrestre, por outro, julgam que resolvem um problema estratégico com um país da dimensão do Irã apenas com aviões”, comentou.

Ao mesmo tempo, o militar português avalia que as capacidades ofensivas do Irã têm se mostrado eficazes, não parecendo que estejam deterioradas, como diz o governo dos EUA.  

“Estamos naquilo que podemos chamar de ‘gestão da escalada do conflito’. Ainda não estamos em um impasse, o que só deve ocorrer quando não houve mais capacidade para escalada. Mas ainda há capacidade para escalada”, concluiu.

Entenda a guerra

Para analistas consultados pela Agência Brasil, a agressão lançada por Israel e EUA contra o Irã, tanto em junho de 2025, como a partir de 28 de fevereiro deste ano, buscava a “troca de regime” no país persa para, entre outros objetivos, deter a expansão econômica da China na região e consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio. 

Diante do fracasso em derrubar o regime político da República Islâmica no Irã, os EUA afirmam que agora buscam retomar o status de navegação no Estreito de Ormuz como era antes da guerra.

Porém, o governo iraniano afirma que a gestão do Estreito, por onde transitavam antes da guerra cerca de 20% do comércio do petróleo global, deve ter um novo modelo a ser definido, principalmente, por Irã e Omã, levando em conta as necessidades da segurança nacional iraniana.