Jared Isaacman afirma que busca por vida fora da Terra é o motor das missões espaciais; administrador detalhou desafios da Artemis II no 8º dia de viagem
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, surpreendeu o público em entrevista à CNN ao afirmar que as chances de existência de vida fora da Terra são “bastante altas”. Ao comentar os bastidores e objetivos da histórica missão Artemis II, Isaacman destacou que responder se a humanidade está sozinha no Universo não é apenas uma curiosidade, mas o pilar central de todos os esforços científicos da agência espacial.
Para o chefe da Nasa, a imensidão do cosmos é o maior argumento a favor da vida extraterrestre. Ele pontuou que, diante de trilhões de galáxias espalhadas pelo espaço profundo, a probabilidade estatística de sermos a única civilização é mínima. “Estamos sozinhos? Eu diria que as chances de encontrarmos algo, em algum momento, são bem altas”, declarou, reforçando que essa busca está inerente a cada lançamento.
Embora tenha uma visão otimista para o futuro, Isaacman foi pragmático ao relatar sua própria experiência pessoal. O administrador lembrou que, apesar de já ter ido ao espaço em missões anteriores, nunca encontrou indícios ou evidências diretas de vida alienígena até o momento. Para ele, a descoberta exigirá tecnologia de ponta e a continuidade de missões tripuladas como a Artemis, que pavimenta o caminho para Marte.
Durante a conversa, o foco mudou para os desafios técnicos da cápsula Orion, que atualmente transporta quatro astronautas ao redor da Lua. Isaacman comentou sobre o período de silêncio absoluto na comunicação quando a nave sobrevoa o lado oculto da Lua. Segundo ele, o “apagão” de rádio é uma situação rotineira e esperada, não representando um risco, mas sim um teste de autonomia para a tripulação.
Um detalhe curioso e humano mencionado pelo administrador foi a complexidade dos sistemas de suporte à vida, especificamente o banheiro da Orion. Isaacman brincou que, em voos espaciais, “o banheiro funcionando é quase uma capacidade de recompensa”. Mesmo com toda a tecnologia atual, gerenciar resíduos em microgravidade continua sendo um dos desafios de engenharia mais persistentes e críticos para o conforto da equipe.
🛰️ O que se sabe sobre a missão Artemis II e o retorno à Terra
A missão entrou nesta quarta-feira (8) em seu oitavo dia de jornada, iniciando a trajetória de retorno ao nosso planeta. Após completar o histórico sobrevoo lunar, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen estão agora focados em preparar o corpo para o impacto com a gravidade terrestre. Este período é crucial para evitar complicações físicas após dias em ambiente de ausência de peso.
Para manter a saúde física, a tripulação utiliza o flywheel, um equipamento avançado baseado em cabos que simula a resistência necessária para exercícios aeróbicos e de força. Agachamentos e levantamentos de peso são realizados diariamente para combater a atrofia muscular e a perda de densidade óssea, problemas comuns em viagens espaciais prolongadas. A rotina de treinos é monitorada minuciosamente pela equipe em solo.
Outro procedimento vital nesta fase é o teste dos trajes de intolerância ortostática. Estes trajes de compressão são vestidos por baixo da roupa de sobrevivência e aplicam pressão nas pernas e abdômen. O objetivo é evitar que o sangue se acumule na parte inferior do corpo durante a reentrada, o que poderia causar desmaios nos astronautas no momento em que a cápsula voltar a sentir a força da Terra.
A etapa final e mais crítica da Artemis II está marcada para a noite de sexta-feira (10). A cápsula Orion realizará a reentrada na atmosfera terrestre em alta velocidade, testando o escudo térmico em temperaturas extremas antes do pouso no oceano. O sucesso desta missão será o sinal verde definitivo para que a Nasa envie a primeira mulher e o próximo homem para pisar na superfície da Lua na Artemis III.
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