Imagens de câmera corporal desmentem versão oficial de agressão; soldado em treinamento matou Thawanna Salmázio após discussão fútil por retrovisor
O cenário da segurança pública em São Paulo enfrenta mais um capítulo de horror e questionamento sobre o preparo de seus agentes. Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi morta a sangue frio durante uma abordagem desastrosa da Polícia Militar na Cidade Tiradentes, zona leste da capital. O crime, ocorrido na última Sexta-feira da Paixão, foi registrado pela câmera corporal de um dos policiais, expondo o descontrole da soldado Yasmin Cursino Ferreira, de apenas 21 anos.
A tragédia começou por um motivo inacreditável: a viatura da PM atingiu o braço do marido de Thawanna, Luciano Gonçalves dos Santos, enquanto o casal caminhava pela rua. Em vez de prestarem auxílio ou pedirem desculpas pelo incidente, os policiais Weden Silva Soares e Yasmin Cursino iniciaram uma ofensiva verbal contra as vítimas. “A rua é lugar para você estar andando?”, questionou o soldado Weden ao dar ré no veículo, invertendo a responsabilidade pelo atropelamento leve.
O que se seguiu foi uma demonstração de despreparo absoluto. Enquanto Weden discutia com Luciano, a soldado Yasmin, que estava na corporação há apenas três meses e ainda em período de treinamento, desembarcou e partiu para cima de Thawanna. Testemunhas e os áudios da gravação indicam que a vítima apenas pediu para que a militar não apontasse o dedo em seu rosto. Foi nesse momento que a soldado, totalmente descontrolada, efetuou o disparo fatal no peito da mulher desarmada.
A câmera de farda do soldado Weden registrou o choque do próprio parceiro diante da execução. “Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”, questionou o policial, incrédulo com a ação de Yasmin. A soldado tentou justificar o crime alegando ter levado um “tapa”, versão que é refutada pela família e pelo contexto das imagens, que mostram uma vítima vulnerável e sem qualquer chance de defesa diante de uma autoridade armada.
Um ponto crucial da denúncia reside na tentativa de fraude processual. No Boletim de Ocorrência inicial, os agentes relataram terem sido agredidos, mas a tecnologia das câmeras corporais — que a própria soldado Yasmin não utilizava por “não ter senha” — acabou denunciando o homicídio por motivo fútil. A mentira dos policiais cai por terra diante da frieza das imagens que mostram o início do conflito gerado pela própria guarnição.
Veja abaixo o vídeo:
O socorro à vítima também é alvo de críticas severas. Thawanna permaneceu baleada no chão por cerca de 30 minutos até a chegada do resgate, às 3h30. Levada ao Hospital Tiradentes, ela não resistiu. O sentimento de revolta tomou conta do bairro, gerando protestos legítimos de moradores que exigem o fim da violência policial contra cidadãos comuns em comunidades carentes, onde o direito de caminhar na rua parece ter se tornado um risco de morte.
📄 O que se sabe sobre o Caso Thawana da Silva e o Status da Investigação
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Vítima: Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos (morta desarmada).
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Autora do Disparo: Soldado Yasmin Cursino Ferreira (em treinamento há 3 meses).
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Tipificação Pleiteada: Homicídio Doloso (com intenção de matar) por motivo fútil.
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Situação dos Agentes: Afastados das funções operacionais; arma apreendida.
Juristas e especialistas em segurança pública afirmam que o caso deve ser enquadrado como homicídio doloso, uma vez que a policial tomou a decisão consciente de disparar contra uma região letal do corpo de uma pessoa indefesa. A falta de protocolos de desescalada e o uso imediato da força letal contra uma civil demonstram que a soldado não possuía as condições psicológicas necessárias para portar uma arma de fogo em patrulhamento de rua.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a Corregedoria da PM investigam o caso por meio de inquérito interno. A sociedade paulista agora aguarda uma punição exemplar, para que este tipo de “abordagem com resultado morte” não seja normalizada sob o manto da farda. O afastamento dos agentes é visto apenas como o primeiro passo para a expulsão e responsabilização criminal.
A morte de Thawanna Salmázio interrompe a vida de uma mulher jovem e deixa uma família destruída pela arrogância e pelo descontrole de quem deveria proteger. No dia em que a reportagem foi ao ar, amigos e familiares lembraram que seria o aniversário da vítima, transformando uma data de celebração em um clamor nacional por justiça e por uma reforma urgente no treinamento das forças policiais de São Paulo.
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