Corregedoria da PM conclui investigação sobre envolvimento de policiais militares na morte de Vinícius Gritzbach

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo encaminhou, no dia 5 de fevereiro de 2025, o relatório final do inquérito à Justiça Militar, concluindo as investigações sobre o assassinato do delator Vinícius Gritzbach. O empresário, que tinha uma estreita relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros grupos criminosos, foi morto a tiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro de 2024. O caso envolve 17 policiais militares, sendo 14 indiciados por organização criminosa e três por organização para a prática de violência.

Investigação revela envolvimento de PMs na morte de Gritzbach

A investigação trouxe à tona novos detalhes sobre o envolvimento de policiais militares no caso. O 1° tenente Giovanni de Oliveira Garcia, chefe da escolta de Gritzbach, admitiu que sabia das atividades ilícitas do delator e dos seus vínculos com o crime organizado. Garcia também revelou que o então advogado de Gritzbach, Ivelson Salotto, o havia apresentado ao empresário. Em depoimento, o tenente mencionou que, ao longo de sua convivência com Gritzbach, ficou ciente da “notoriedade” de suas relações com o PCC e outras facções criminosas.

Além disso, o tenente revelou um incidente em que o tenente Fernando Genauro, preso por suspeita de estar envolvido na execução de Gritzbach, alugava carros blindados do empresário para escoltas particulares. Segundo Garcia, houve uma vez em que os carros retornaram com rastreadores, o que gerou desconfiança em Gritzbach e levou ao término dessa prática.

Detalhes sobre o envolvimento de outros policiais e a busca por criptomoedas

A investigação se aprofundou quando o 1° tenente Fernando Genauro, em seu depoimento, revelou que foi procurado por Garcia para discutir uma conta de criptomoedas pertencente a um conhecido deles, que tinha aproximadamente R$ 50 milhões em ativos digitais. De acordo com Genauro, o encontro também contaria com a presença de Alfredo Alexander Raspa da Silva, investigador do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O agente Raspa foi filmado horas antes do assassinato de Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos, circulando pelo terminal e tirando fotos do local onde o corpo do empresário foi encontrado.

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Trecho do depoimento do tenente Garcia à Corregedoria — Foto: Reprodução / O Globo

Genauro e outros policiais envolvidos em atividades criminosas estariam, segundo as investigações, utilizando suas funções para garantir segurança privada a Gritzbach e outros membros do crime organizado. A descoberta de um possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas e o envolvimento de membros da Polícia Civil nas operações criminosas indicam que a atuação das forças de segurança foi amplamente corrompida pelo tráfico e pela facção PCC.

PMs envolvidos com o PCC e segurança privada a faccionados

O caso de Gritzbach se revelou um dos muitos desdobramentos de uma infiltração do crime organizado nas fileiras da Polícia Militar. De acordo com os investigadores, um grupo de PMs se uniu ao PCC para realizar atividades como assassinatos de rivais, repasse de informações sobre operações policiais e até a proteção de faccionados, como o próprio Gritzbach. A operação que resultou na prisão de 17 policiais militares é apenas o início de um processo investigativo mais amplo, que busca desmantelar o envolvimento de membros das forças de segurança com o tráfico de drogas e a violência promovida por facções criminosas.

Trecho do depoimento do tenente Garcia à Corregedoria — Foto: Reprodução / O Globo

As apurações começaram quando a Corregedoria recebeu uma denúncia anônima sobre policiais militares realizando serviços de segurança privada para Gritzbach. Desde então, a operação desvendou uma rede de corrupção e envolvimento com o crime organizado dentro da própria Polícia Militar, apontando falhas graves no sistema de segurança pública e a conexão entre a corporação e o PCC.


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