Processos trabalhistas revelam jornadas excessivas, atrasos salariais e constrangimentos contra seguranças e assessoras do influenciador paraibano.

Treze seguranças que processam o influenciador Hytalo Santos revelaram, em ações judiciais movidas entre 2023 e 2025, detalhes sobre um ambiente descrito como abusivo dentro da mansão onde ele vive com o marido, Israel Natan Vicente, conhecido como Euro. Segundo relatos obtidos pelo jornal EXTRA, as acusações incluem jornadas extenuantes, dívidas trabalhistas, danos morais e regras rígidas impostas pelo casal.
Além dos seguranças, duas ex-assessoras pessoais, Larissa Araújo e Williana Lucena, também afirmaram ter sofrido abusos. Elas relataram rotinas de até 14 horas diárias sem intervalo, funções que iam desde cuidar das crianças adotivas do influenciador até dirigir longas distâncias e fazer compras, muitas vezes com recursos próprios. Williana disse ter acumulado dívidas de R$ 15 mil usando seu cartão e o da mãe para despesas da casa.
Os depoimentos apontam controle total sobre a rotina da residência, incluindo a alimentação, estudos e uso de celulares das crianças. As ex-funcionárias também narraram humilhações e apelidos ofensivos. Larissa, por exemplo, disse ser chamada de “Isaura” em alusão racista à novela Escrava Isaura.
Williana contou ainda que não recebia salários regularmente e que não tinha contrato formal. Sua demissão teria ocorrido após recusar-se a dirigir com crianças por mais de 500 km depois de dormir apenas duas horas. Segundo ela, um dos filhos adotivos confiscou seu celular por três horas, período em que mensagens com Hytalo e Euro foram apagadas.
As duas ex-assessoras afirmam ter assinado termos de confidencialidade para receber valores acordados, sob pena de multa caso citassem o nome de Hytalo. Mesmo assim, falaram à reportagem sobre as experiências, sem entrar em detalhes jurídicos. Williana também registrou boletim de ocorrência contra o youtuber Felca, que a teria mostrado em vídeo como mãe de uma das crianças, o que gerou ameaças e acusações ligadas a uma rede de pedofilia denunciada por ele.
Os casos seguem sob investigação do Ministério Público da Paraíba e do Ministério Público do Trabalho da 13ª Região.
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