O planeta bola para neste domingo para assistir ao duelo de gerações entre a rejuvenescida “Fúria” e a experiente “Albiceleste”…
Copa do Mundo de Clubes da FIFA
A Copa do Mundo de Clubes da FIFA reúne os melhores times de todos os continentes em um torneio oficial da federação internacional.
O craque argentino deu mais duas assistências na virada heroica sobre a Inglaterra e se prepara para disputar sua terceira…
O Reino Unido pediu hoje à FIFA uma investigação à Argentina por jogadores sul-americanos terem exibido uma faixa a reivindicar…
Com roteiro dramático, brilho de Messi e gol salvador de Lautaro Martínez nos acréscimos, a Albiceleste carimba a vaga para…
A Espanha fez jus ao retrospecto positivo nos últimos confrontos decisivos contra a França e levou a melhor de novo. Nesta terça-feira (14), a Fúria (apelido da seleção espanhola) venceu o clássico por 2 a 0 em Dallas (Estados Unidos) e se classificou para a final da Copa do Mundo pela segunda vez na história.

Foram 16 anos de espera. Desde o título em 2010, na África do Sul, os espanhóis acumularam fracassos nos três Mundiais seguintes, com a queda na fase de grupos em 2014 (Brasil) e duas eliminações nas oitavas de final em 2018 (Rússia) e 2022 (Catar).
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Além da vaga à decisão, a Espanha registou a maior sequência invicta de uma seleção na história, de forma isolada. São 38 partidas sem perder desde 15 de junho de 2023, quando derrotou a Itália por 2 a 1 pela Liga das Nações – torneio de países europeus que ocorre a cada duas temporadas. Os espanhóis dividiam o recorde de invencibilidade com os próprios italianos (2018 a 2021).
🏁 FINAL DEL PARTIDO EN DALLAS.
¡¡𝗘𝗦𝗧𝗔𝗠𝗢𝗦 𝗘𝗡 𝗟𝗔 𝗙𝗜𝗡𝗔𝗟 𝗗𝗘𝗟 𝗠𝗨𝗡𝗗𝗜𝗔𝗔𝗔𝗔𝗔𝗔𝗟!!
🇫🇷 🆚 🇪🇸 | 0-2 | 45+7’#VamosEspaña | #CopaMundialFIFA pic.twitter.com/vUn77RtBou
— Selección Española Masculina de Fútbol (@SEFutbol) July 14, 2026
Esta foi a quarta vez seguida que a Espanha deixou a França para trás em um duelo eliminatório. Em 2024, a Fúria levou a melhor na semifinal da Eurocopa (2a1) e na decisão olímpica de Paris, capital francesa (5 a 3). Já no ano passado, o triunfo (5 a 4) foi pela semi da Liga das Nações.
Em uma seleção de nomes badalados, como o volante Rodri, eleito o Bola de Ouro da temporada 2023/2024; e a jovem estrela Lamine Yamal, que fez 19 anos na última segunda-feira (13), o discreto Mikel Oyarzabal brilhou de novo. Acostumado a marcar gols decisivos, como nas finais da Eurocopa de 2024 e da Liga das Nações de 2025 ou na conquista da última Copa do Rei da Espanha pela Real Sociedad, o atacante encaminhou o resultado em Dallas, abrindo o placar e balançando as redes pela quinta vez neste Mundial.
A Espanha espera o ganhador da outra semifinal, entre Argentina e Inglaterra, que se enfrentam nesta quarta-feira (15), às 16h (horário de Brasília), em Atlanta. A final será no domingo (19), no mesmo horário, em Nova Jersey, também nos Estados Unidos.
Os Bleus (apelido da seleção francesa), por sua vez, perdem a chance de igualar um feito que somente Brasil (1994 a 2002) e Alemanha (1982 a 1990) alcançaram: disputar três finais de Copa seguidas. Além disso, o atacante Kylian Mbappé poderia repetir o ex-lateral brasileiro Cafu, que segue como único homem a participar de três decisões de Mundial.
À França, resta a disputa do terceiro lugar, contra o perdedor do confronto entre argentinos e ingleses. O duelo será às 18h, em Miami (Estados Unidos).
Eficiência “furiosa”
Na Espanha, Luis de la Fuente mandou a campo a mesma escalação que venceu a Bélgica por 2 a 1 nas quartas de final. Do lado francês, Didier Deschamps fez duas mudanças em relação à vitória por 2 a 0 sobre Marrocos, repetindo a escalação do 3 a 0 aplicado na Suécia, nos 16 avos de final. No meio, Aurélien Tchouaméni se recuperou de uma lesão no adutor da coxa direita e retornou ao time no lugar de Manu Koné. À frente, Bradley Barcola assumiu a vaga de Desiré Doué.
As equipes não abdicaram dos respectivos estilo de jogo. A Espanha fazia a bola girar em busca de espaços e pressionava a saída de jogo e a França buscava impor intensidade e velocidade em seus avanços. A sensação, tamanho o equilíbrio, era que a rede balançaria somente se algum dos lados errasse.
Foi justamente o que ocorreu. Aos 20 minutos, o lateral Lucas Digne tentou cortar um cruzamento da esquerda, mas a bola subiu demais e deu tempo para Lamine Yamal tomar a frente do francês, que o atingiu na coxa, dentro da área. Coube a Oyarzabal cobrar a meia altura, no canto esquerdo, abrindo o placar.
Esta secuencia la hemos gritado todos, ¿me equivoco?
🇫🇷 🆚 🇪🇸 | 0-2 | 69’#VamosEspaña | #CopaMundialFIFA pic.twitter.com/CcoJBoNFT5
— Selección Española Masculina de Fútbol (@SEFutbol) July 14, 2026
Aos 28, para deixar a missão francesa mais complexa, William Saliba, um dos principais zagueiros da última temporada europeia, sentiu as costas e teve de sair de campo. Ele deu lugar a Maxence Lacroix.
A Espanha conseguia neutralizar o meio-campo francês, dificultando a movimentação de Adrien Rabiot e, principalmente, Michael Olise, o líder de assistências – cinco – do Mundial, obrigando os atacantes Ousmané Dembélé e Mbappé a atuarem longe da área. De quebra, a Fúria se armou de forma a estar pronta para qualquer erro de passe ou domínio dos adversários.
Aos 37 minutos, o goleiro Mike Maignan saiu jogando errado e a bola sobrou na intermediária com Rodri. O volante acionou Yamal, que tabelou com o meia Dani Olmo, entrou na área pela direita e rolou para dentro, buscando Oyazarabal. Na hora certa, o zagueiro Dayot Upamecano travou o chute do atacante, que estava de frente para o gol.
🇪🇸 Spain have qualified for the Final!#FIFAWorldCup pic.twitter.com/1RUndt34uf
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) July 14, 2026
Xeque-mate espanhol
A França voltou do intervalo com Koné na vaga de Rabiot – que já tinha cartão amarelo – e Doué no lugar de Barcola. A ideia de Deschamps era aproveitar a habilidade do atacante para desarrumar a marcação da Espanha.
Não deu certo. A Fúria manteve o controle do duelo e chegou ao segundo gol aos 12 minutos. Na sequência da tabela com Dani Olmo, o lateral Pedro Porro escapou da marcação, entrou na área francesa pela direita e chutou na saída de Maignan.
E o 3 a 0 poderia ter saído três minutos depois, não fosse um impedimento milimétrico de Yamal. Ele recebeu na direita, superou Digne e finalizou no canto direito. A jogada foi invalidada porque o atacante estava um ombro a frente do lateral francês na origem do lançamento.
Somente aos 21 minutos da segunda etapa veio o primeiro lance de perigo da França: uma batida cruzada de Mbappé, que invadiu a área pela direita e finalizou. A bola desviou na marcação e saiu rente à trave de Unai Simon.
A França, desconfortável com a desvantagem inédita nesta Copa e a eliminação que se encaminhava, lançou-se como pôde ao ataque, mas praticamente não deu trabalho ao goleiro espanhol. Aos cantos de “olé” das arquibancadas em Dallas, a Fúria segurou o resultado e festejou a vaga em mais uma final.
As seleções de Argentina e Inglaterra chegam praticamente com força total para o duelo desta quarta-feira (15), em Atlanta Estados Unidos), que vai definir o segundo finalista da Copa do Mundo de 2026. Com os cartões amarelos sendo zerados após a fase de quartas de final, todos os atletas pendurados de ambas as equipes escaparam ilesos e estão à disposição para o jogo.

A exceção é um atleta que, na verdade, não estava pendurado: o zagueiro inglês Jarell Quansah cumprirá suspensão pela expulsão na partida contra o México, ainda nas oitavas de final. Ele acabou recebendo dois jogos como punição (um a mais do que a tradicional suspensão automática) e não poderá defender a equipe comandada pelo alemão Thomas Tuchel.
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Pela Inglaterra, Jude Bellingham, Declan Rice, Marc Guéhi e Nico O’Reilly conseguiram sair do confronto com a Noruega sem receberem cartões e o mesmo aconteceu com Gonzalo Montiel, da Argentina, na partida contra a Suíça. Eles não têm mais cartões na conta, mas podem ficar de fora de uma eventual decisão se forem expulsos de campo nesta quarta. Obviamente, o mesmo vale para todos os outros atletas.
Atlanta awaits 🔜#ThreeLions | @EASPORTSFC pic.twitter.com/HlCZaWrH4L
— England (@England) July 14, 2026
Três dos cinco principais artilheiros desta edição estarão em campo: Lionel Messi, com oito gols, e Bellingham e Harry Kane, com seis cada um. No confronto com a Suíça, pela primeira vez nesta Copa, Messi (artilheiro histórico da competição, com 21 gols) não marcou. Pelo lado inglês, a curiosidade é que todos os gols do ‘English Team’ no mata-mata foram marcados pela dupla Bellingham e Kane: quatro pelo meia do Real Madrid e três pelo atacante do Bayern de Munique, respectivamente.
Em um confronto com muita história em Copas, a Argentina tenta manter viva a possibilidade de ser a primeira seleção a conquistar dois títulos consecutivos desde o Brasil em 1958 e 1962. Já a Inglaterra vai em busca do troféu que não vem desde 1966. Aquela também foi a única vez que os ingleses chegaram até a final.
#SelecciónMayor ¡Terminó la preparación! Ahora, vamos nosotros. Más juntos que nunca y con el empuje de todo nuestro país.
No somos 26, somos 48 millones jugando este partido 🇦🇷🩵🤍🩵 pic.twitter.com/6m7IX38dKa
— 🇦🇷 Selección Argentina ⭐⭐⭐ (@Argentina) July 14, 2026
Faixa do álbum de 11 músicas “GR6 na Copa, “SET Rodrygo Goes”reúne de MC Marks, MC Hariel, MC Cebezinho, KayBlack…
Vídeos nas redes sociais mostram a seleção francesa de futebol treinando em clima de descontração antes de enfrentar a Espanha, em uma das semifinais da Copa do Mundo 2026. A disputa ocorrerá nesta terça-feira (14), nos Estados Unidos, e definirá um dos finalistas do mundial.

Fora de campo, entretanto, jogadores e autoridades dos dois países se unem com seriedade para repudiar declarações racistas contra “Les Blues”, apelido da seleção francesa de futebol.
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O time e jogadores têm sido alvo de comentários discriminatórios ao longo do torneio. No domingo (11), veio à tona artigo do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, no poder entre 2011 e 2018, afirmando que a França tem um “plantel de altíssimo nível”, mas sem franceses. Ele fazia referência depreciativa à presença de jogadores descendentes de imigrantes, oriundos, principalmente, de antigas colônias na África, o que reflete a diversidade étnica da sociedade francesa.
O comentário de Rajoy foi rebatido tanto por jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, quanto pelo atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Em sua conta em rede social, Sanchéz disse que a afirmação do antecessor era uma vergonha e declarou: “que vença o melhor e que perca o racismo”.
O diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, organização da sociedade civil brasileira, Marcelo Carvalho, disse que os comentários refletem o pensamento de grupos sociais alinhados à extrema-direita.
“O momento político do Brasil e do mundo, com ascensão da extrema-direita, faz com que as pessoas se sintam mais confiantes para expressar o racismo”, avaliou Carvalho, que também acredita que a sensação de anonimato das pessoas na internet contribui para os ataques. “Elas acreditam que não serão encontradas”.
Aumento de ataques racistas
Durante esta Copa, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) revelou ter identificado aumento expressivo de ataques racistas. Na primeira fase, foram 89 mil publicações abusivas nas redes, número 13 vezes maior do que na Copa de 2022, sendo 11% de caráter racial, mais do que o identificado na Copa de 2022.
Acompanhando os casos no torneio, Carvalho ressalta que a própria Fifa tem adotado medidas para controlar os atos. Desde o início da competição, lembra o especialista, dois jogadores ─ um do Paraguai e outro do Equador ─ foram expulsos graças ao Protocolo Vini Jr. de combate ao racismo. Eles taparam a boca com as mãos ao discutirem dentro de campo, o que foi proibido para impedir a ocultação de provas.
“Antes, era a palavra de um contra a de outro, e a vítima saía prejudicada”, disse.
Agora, além do apoio dos jogadores, há o das federações e de autoridades, o que, na visão do especialista, “é um movimento que transforma tanto o futebol como a sociedade”.
“Vimos inúmeros atletas sofrendo racismo depois do Vini, mas que não se calaram, denunciaram, porque o Vinícius mostrou um caminho, tanto ele, quanto o [Kylian] Mbappé, que sempre se posicionou”, citou. “Quando a Federação Francesa de Futebol e o governo francês saem em defesa do Mbappé, estão saindo em defesa de todas as pessoas negras e isso está muito além do futebol”, completou o diretor.
Antes de Rajoy atacar a seleção francesa de futebol, a senadora paraguaia Celeste Amarilla dirigiu pesados insultos racistas a Mbappé, logo após a derrota do Paraguai para o time europeu.
Ela foi rebatida pelo próprio Mbappé, que disse que a política é indigna da posição de representante dos paraguaios no parlamento. O jogador recebeu apoio tanto da Federação Francesa de Futebol quanto das autoridades de seu país.
“As declarações racistas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé são absolutamente desprezíveis e inaceitáveis”, disse a federação, que acionou a Procuradoria francesa.
O órgão abriu um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio e à violência. “Como alguém pode proferir tais palavras? Essas declarações são criminosas e repreensíveis”, completou a federação.
“Não estamos mais deixando os casos ‘passarem batido'”, finalizou o diretor do Observatório.
Nesta quarta-feira (15), a partir de 16h (horário de Brasília), em Atlanta (Estados Unidos), a Argentina enfrenta a Inglaterra pelas semifinais da Copa do Mundo. Atuais campeões, os hermanos miram o tetra e sonham repetir o que ocorreu somente duas vezes na história, quando Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962) conquistaram títulos mundiais em sequência.

Nem parece a mesma seleção que, por quase três décadas, conviveu com um incômodo e traumático jejum de títulos. Para entender como o país se transformou no campeão de tudo que disputou nos últimos anos, é necessário voltar no tempo. Mais precisamente, à Copa de 2018, na Rússia, e à Copa América de 2019, no Brasil. Apesar de aquele troféu continental ficar com os anfitriões, os hermanos voltaram para casa com a sensação de que algo maior estava por vir.
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A seleção argentina teve um Mundial decepcionante em 2018 – dentro e fora de campo. A fase de grupos foi sofrível, com direito a um empate por 1 a 1 com a Islândia – e o atacante Lionel Messi perdendo pênalti – e derrota por 3 a 0 para a Croácia, marcada por uma falha gritante do goleiro Willy Caballero.
No livro “Crônicas de Ontem”, o jornalista argentino Ariel Senosiain revelou que, após o revés para os croatas, o técnico Jorge Sampaoli – que assumira um ano antes – foi alvo de um motim do grupo, liderado por Messi e pelo volante Javier Mascherano, que exigia mais participação nas decisões. Com mudanças determinadas pelo próprio elenco, veio a vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria, que manteve viva a Albiceleste (apelido da seleção argentina). Nas oitavas de final, porém, a derrota por 4 a 3 para a França adiou, mais uma vez, o sonho do tri.
Sampaoli tinha contrato até 2022, mas acabou deixando o cargo. Em crise desde que o escândalo de corrupção envolvendo a Fifa – entidade que regula o futebol no planeta -, o chamado “Fifagate”, respingou em dirigentes do país, em 2015, a Associação de Futebol Argentino (AFA) demorou a anunciar um novo treinador. Foram dois meses de incerteza.
O início do ciclo para a Copa do Catar teve dois técnicos interinos: Lionel Scaloni e Pablo Aimar, que estavam na seleção argentina sub-20. Posteriormente, Scaloni foi efetivado no comando da Albiceleste até a Copa América de 2019, tendo Aimar como auxiliar. Sem experiência prévia como treinador, Scaloni foi massacrado pela mídia, a ponto do ídolo máximo do país, Diego Maradona, falar que o ex-lateral não tinha capacidade para orientar o trânsito.
2019, o ano-chave da mudança
Veio, então, a Copa América. Dos 23 jogadores que estiveram na Rússia, eram somente 10 remanescentes: o goleiro Franco Armani, os laterais-esquerdos Nicolás Tagilafico e Marcos Acuña, o zagueiro Nicolás Otamendi, os meias Roberto Pereyra e Giovani Lo Celso e os atacantes Ángel Di Maria, Paulo Dybala, Sérgio Aguero e Messi.
Para outros nove atletas, aquela seria a primeira competição pela seleção principal. Entre eles, o goleiro Juan Musso, os volantes Rodrigo De Paul e Leandro Paredes e o atacante Lautaro Martínez integram o elenco argentino desta Copa. Já De Paul, Paredes e Lautaro foram campeões mundiais em 2022, assim como outros três estreantes de 2019: os zagueiros Juan Foyth e Germán Pezzella e o meia Guido Rodrigues.
A trajetória na Copa América foi sofrida. Na estreia, derrota por 2 a 0 para a Colômbia na Arena Fonte Nova, em Salvador. Depois, empate por 1 a 1 com o Paraguai no Mineirão, em Belo Horizonte. A vitória por 2 a 0 sobre o Catar na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, classificou a Argentina para as quartas de final. No Maracanã, novo triunfo por 2 a 0, desta vez sobre a Venezuela.
Os argentinos deixaram o Rio de Janeiro e retornaram a Belo Horizonte para encarar o Brasil. Apesar da melhor atuação do time no torneio, eles não resistiram à Amarelinha, que ganhou por 2 a 0 – os atacantes Gabriel Jesus e Roberto Firmino balançaram as redes.
Após o jogo, houve muita reclamação dos hermanos com relação à arbitragem, alegando falta na origem do segundo gol brasileiro, o que acarretaria em um pênalti a favor dos argentinos. O porta-voz da revolta, para surpresa de muitos, foi Messi, outrora criticado por uma suposta passividade enquanto capitão. Sem papas na língua, o craque chegou a falar em “armação” para que o Brasil vencesse aquela Copa América.
A Argentina terminou o torneio em terceiro, após a vitória por 2 a 1 sobre o Chile, na Arena Corinthians, em São Paulo, em duelo marcado pela expulsão de Messi, após discussão com o zagueiro Gary Medel. Apesar de mais um ano sem títulos desde a conquista da Copa América de 1993, no Equador, o apoio do elenco – principalmente do camisa 10 – foi crucial e Scaloni seguiu à frente da seleção.
“Nós criamos um grupo a partir da união e quero que nos fortaleçamos cada vez mais. Chegar ao terceiro lugar era o mínimo que poderíamos fazer. Este grupo pode mais e dará muito mais frutos”, projetou o técnico, na entrevista coletiva que concedeu após o duelo contra o Chile.
Scaloneta sem freio
Scaloni não estava errado. Dois anos depois, em nova Copa América no Brasil, realizada em meio à pandemia da covid-19, uma versão mais entrosada e letal da seleção argentina foi além. O passe de De Paul, que o lateral Renan Lodi não conseguiu cortar, encontrou Di Maria, que encobriu o goleiro Ederson para fazer o gol que decretou o fim do jejum de 28 anos sem conquistas. Mais do que isso: o primeiro título de Messi pela Albiceleste.
O feito evidenciou que aquela Argentina era diferente da que fracassou em finais consecutivas, como as da Copa de 2014, no Brasil, e das Copas América de 2015 (Chile) e 2016 (Estados Unidos). Aliás, a “nova” Albiceleste, simbolizada por uma camioneta dirigida por Scaloni com os jogadores a bordo, ganhou o apelido de “Scaloneta”.
Era uma seleção, enfim, com um goleiro confiável (Dibu Martínez). Uma defesa consistente, que manteve veteranos históricos, como Otamendi e Tagliafico, mas trouxe novidades como o lateral-direito Nahuel Molina e os zagueiros Cristian Romero e Lisandro Martínez.
Um meio-campo com jogadores que se multiplicavam – e ainda o fazem – como Paredes e De Paul, para Messi se preocupar apenas com as ações ofensivas e não em também ser armador. E, claro, a revolução do próprio camisa 10. Líder, leve, mais letal do que nunca e, neste momento, o artilheiro máximo da história das Copas, com 21 gols.
Os números escancaram a transformação de Messi na “Scaloneta”. Até 2018, ele tinha 65 gols em 127 jogos pela Argentina. Em média, uma bola na rede a cada duas partidas (0,51). Nenhum título. De 2019 para cá, o craque esteve em 71 confrontos da Albiceleste, marcou 60 vezes – quase uma por atuação (0,84) – e levantou quatro taças: duas Copas América (2021 e 2024), uma Finalíssima (2022, decisão contra a Itália, campeã da Eurocopa) e a maior delas: a da Copa de 2022.
O Mundial do Catar, aliás, ressaltou a nova mentalidade argentina. A surpreendente derrota para a Arábia Saudita, por 2 a 1, na estreia, em outro momento, seria acompanhada de crise dentro e fora de campo. O revés encerrou uma sequência de 36 jogos sem derrotas. Eis que Messi – que, oito anos antes, deu adeus à seleção após fracassar em mais uma Copa América, mas voltou atrás – cravou, como se soubesse a glória que o esperava em 18 de dezembro de 2022.
“Que o povo confie em nós, não vamos deixá-los decepcionados”.
Eles, de fato, não deixaram. E querem repetir a dose quatro anos depois.

