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A seca e a estiagem que atingem o Nordeste brasileiro levaram o governo a decretar situação de emergência em 15 cidades. O Ministério da Integração Nacional publicou decreto nesta segunda-feira (2) no Diário Oficial da União (DOU). 

Com a medida, prefeituras podem solicitar apoio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) para ações de socorro e assistência à população, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas atingidas.
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Ao todo, serão beneficiadas cinco cidades na Bahia, quatro no Ceará, três na Paraíba, uma em Pernambuco e duas no Rio Grande do Norte. As localidades sofrem com a estiagem (falta de chuva) ou com a seca.
- Estiagem – período prolongado de baixa ou nenhuma pluviosidade, em que a perda de umidade do solo é superior à sua reposição. Está relacionada com a redução no volume das reservas hídricas da superfície e do subsolo.
- Seca – a seca é a estiagem prolongada, durante período de tempo suficiente para que a falta de precipitação provoque grave desequilíbrio hidrológico.
Veja a lista de cidades publicada nesta segunda-feira no DOU:
| UF | Município |
| BA | Abaré |
| BA | Campo Alegre de Lourdes |
| BA | Jaguarari |
| BA | Maracás |
| BA | Pilão Arcado |
| CE | Assaré |
| CE | Irauçuba |
| CE | Pedra Branca (seca) |
| CE | Tabuleiro do Norte |
| PB | Boa Ventura |
| PB | Congo |
| PB | Nova Olinda |
| PE | São Joaquim do Monte |
| RN | Lucrécia (seca) |
| RN | Pedra Preta (seca) |
Desde que era adolescente, o pedreiro Danilo Fartes seguiu os conselhos do pai para juntar dinheiro e montar a própria casa. Quem entra no imóvel onde vivem ele, a mulher e o filho no Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, percebe o cuidado para deixar os ambientes confortáveis.

Hoje, aos 40 anos de idade, o pedreiro tem medo de perder o que levou décadas para construir. A casa dele fica próxima ao local onde um deslizamento de terra, na última segunda-feira (23), provocou a morte de mais de 20 pessoas.
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“Minha esposa, minhas irmãs, meus vizinhos estão sem dormir. Todo mundo achando que vai cair de novo”, diz Danilo.
“É o único lugar que a gente tem, foi conquistado com muito suor. Não temos recursos para sair e ir para outra região. Não é uma opção apenas, é o lugar que a gente encontra. A gente consegue um pedaço de terra, faz os cômodos e traz a família. É a história de outros trabalhadores. É o que temos, não queremos morar na rua”, completa.
O pedreiro critica a falta de ações preventivas estruturais na área. “Eles esperam muitas das vezes acontecer para depois fazer. Não tem trabalho preventivo. As poucas obras de contenção que têm aqui perto ocorreram só depois que os problemas aconteceram e de forma pontual”, diz.
Enquanto vive a incerteza sobre o futuro da família, ele lembra os momentos de angústia para ajudar os vizinhos soterrados. Moradores começaram os resgates antes da chegada das equipes oficiais. Havia risco de choque elétrico e de enxurradas.
“A população desesperada veio ajudando, tirando com a unha, na mão mesmo, na raça”, conta.
Ele ajudou a retirar vítimas e tentou socorrer uma criança de 3 anos. “Fiz massagem, joguei para dentro do carro e desci morro abaixo. Mas infelizmente não conseguimos ajudar. Ele não resistiu.”
Nascido e criado na comunidade, o pedreiro se esforça para manter a esperança entre aqueles que continuam vivos.
“Tenho trabalhado na organização do trânsito, na remoção de escombros e na distribuição de alimentos. A gente vai ajudando do jeito que pode. Não tem muito o que fazer agora”, diz Danilo.

