Espanha e Portugal enfrentam maior crise energética das últimas décadas
Um apagão de grandes proporções mergulhou Portugal e Espanha no caos nesta segunda-feira (28). A falta de energia, que também afetou França, Bélgica e Andorra em menor escala, paralisou sistemas de transporte, comprometeu hospitais e causou atrasos em voos. Após mais de 12 horas, milhões de pessoas ainda estavam no escuro, e governos seguem tentando identificar as causas.
Segundo dados da Rede Elétrica da Espanha, o consumo de energia despencou abruptamente às 12h25 locais (7h25 no Brasil). No início da noite, algumas áreas centrais de Madri e Lisboa começaram a ser reenergizadas, mas bairros inteiros e cidades menores seguiam sem luz. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, pediu “paciência” à população.
As autoridades espanholas declararam estado de emergência em regiões afetadas. Enquanto isso, investigações sobre as causas do apagão foram iniciadas, com suspeitas iniciais de ciberataque e fenômenos climáticos extremos descartadas ao longo do dia.
Investigações apontam falha na rede elétrica como principal causa
Após rumores de que o apagão poderia ter sido provocado por um ataque cibernético ou evento climático raro, especialistas da REE (Rede Elétrica da Espanha) e da REN (Redes Energéticas Nacionais) de Portugal atribuíram o colapso a uma falha na interconexão entre as redes de Espanha e França.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu que a população evitasse especulações e limitasse seus deslocamentos e o uso de celulares. Sánchez também confirmou que metade do fornecimento de energia foi restabelecido até o início da noite, mas alertou que a normalização total pode levar dias.
Enquanto isso, os governos de Portugal e Espanha realizaram reuniões emergenciais para coordenar as ações de resposta, priorizando a retomada de energia em hospitais, aeroportos e infraestruturas de transporte.
Transporte público e hospitais foram os mais impactados
O apagão paralisou completamente o metrô em Lisboa, Porto e Madri, deixando passageiros presos em vagões por horas. Em Madri, a estação de Atocha se transformou em um cenário de confusão, com trens parados e congestionamentos provocados pela falta de semáforos funcionando.
Nos hospitais, o cenário foi igualmente dramático. Em Madri, o hospital Doce de Octubre suspendeu cirurgias e limitou o atendimento a emergências. Em Portugal, a fornecedora de água Epal alertou para possíveis interrupções no abastecimento.
A situação também impactou eventos esportivos: partidas do ATP Masters 1.000 de Madri foram suspensas quando a energia caiu. Jogos entre atletas como Matteo Arnaldi e Damir Dzumhur foram interrompidos abruptamente.
População corre para supermercados e aeroportos enfrentam caos
O medo de uma crise prolongada levou milhares de pessoas a estocarem alimentos e água. Em supermercados de Madri e Lisboa, prateleiras foram rapidamente esvaziadas, e longas filas se formaram.
Nos aeroportos, embora os geradores de emergência tenham sido acionados, atrasos e cancelamentos de voos se multiplicaram. Em Portugal, a Autoridade Nacional de Aviação Civil (Anac) orientou passageiros a evitarem se dirigir aos terminais. Na Espanha, a Aena relatou atrasos generalizados, mesmo com apenas 344 cancelamentos entre mais de 6 mil voos programados.
As autoridades estimam que dezenas de milhões de pessoas foram afetadas na Península Ibérica. No entanto, as Ilhas Canárias, Ilhas Baleares, Ceuta e Melilla escaparam da crise.
Crise energética histórica expõe fragilidade da infraestrutura europeia
Apagões tão massivos são raros na Europa. A última ocorrência de grande escala foi em 2003, quando uma falha entre Itália e Suíça deixou toda a península italiana às escuras por 12 horas. Em 2006, uma sobrecarga elétrica causou apagões em vários países europeus.
O caso atual reacende o alerta sobre a fragilidade das interconexões elétricas na Europa e o impacto potencial que uma falha pode ter em setores vitais, como saúde, transporte e telecomunicações.
Com o fornecimento ainda sendo gradualmente restabelecido, autoridades em Portugal e Espanha prometem revisar protocolos de segurança e acelerar investimentos em infraestrutura energética para evitar novas crises semelhantes.
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