O bar conhecido como Ministrão, localizado na esquina da Alameda Lorena com a Rua Ministro Rocha Azevedo, na região dos Jardins, bairro nobre de São Paulo, foi fechado na tarde desta terça-feira (30/9) pela Polícia Civil.

O estabelecimento foi interditado em ação conjunta com as vigilâncias sanitárias municipal e estadual devido a indícios de venda de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol no local.
O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo já havia apreendido cem garrafas de bebidas destiladas do bar na segunda-feira (29/9).
O maestro João Carlos Martins, morador da região, estava no local no momento do fechamento. Ele disse que costuma reger pelo bairro, especialmente na época de fim de ano, embora não frequente o bar: “Acho triste tudo isso, gosto de boas notícias”.
Segundo as autoridades, o bar permanecerá interditado até a conclusão da análise das amostras. Outros três estabelecimentos também foram fechados, de acordo com a Vigilância Sanitária: um na Mooca, um na Vila Mariana e um em São Bernardo do Campo.
A defesa dos proprietários afirma que o fechamento ocorreu “por causa de apenas uma pessoa”.
Distribuidoras suspeitas
A Polícia Civil de São Paulo identificou, nessa segunda-feira (29/9), quatro distribuidoras como suspeitas durante as investigações sobre intoxicação por metanol em bebidas. Dois suspeitos foram presos nesta terça-feira (30/9).
Segundo o governo do Estado, equipes policiais de três departamentos da Polícia Civil estiveram em locais suspeitos de produção ilegal. Na terça, a administração estadual informou que apreendeu 50 mil garrafas de bebida com suspeita de adulteração. Outros 15 milhões de selos fraudulentos também foram apreendidos.
Só em setembro, foram realizadas 43 mil fiscalizações em estabelecimentos comerciais por todo o estado.
Ainda de acordo com o governo, o foco das investigações é combater as fábricas clandestinas de bebidas adulteradas. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) descarta, por enquanto, o envolvimento do PCC, considerando a estrutura encontrada.
A suspeita é que as práticas sejam realizadas por quadrilhas independentes, já que não havia registro anterior de uso de metanol na adulteração. Entre as hipóteses estão contaminação indireta, acidente no processo ou uso da substância para lavagem de garrafas reutilizadas.
Nesta terça-feira (30/9), 112 garrafas de vodca foram apreendidas em diferentes pontos da capital, incluindo 17 na Mooca. Agora, a investigação visa rastrear a origem das distribuidoras e os fluxos de pagamento. Donos de estabelecimentos já prestaram esclarecimentos, e as operações avançam sobre a cadeia de distribuição a partir das vítimas identificadas.
Interdições e casos
Um gabinete de crise foi implementado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta terça. A medida foi determinada após reunião técnica no Palácio dos Bandeirantes para detalhar medidas contra intoxicação por metanol e investigar os envolvidos.
O governo afirmou que realizará a interdição cautelar de estabelecimentos com suspeita de comercialização de bebidas fraudadas, sem detalhar número ou locais específicos.
“É fundamental fazer esse fechamento cautelar de todos os estabelecimentos em que tivemos ocorrência para aprofundar a investigação. A preocupação é garantir a segurança do cidadão. O estabelecimento só será liberado se tivermos certeza de que está seguro”, disse o governador Tarcísio de Freitas.
Até o momento, o governo confirma sete casos de intoxicação por metanol, com suspeita de consumo de bebida adulterada. Outros 15 casos seguem em investigação. Já foram registradas cinco mortes: uma na capital e quatro ainda em análise — três em São Paulo e um em São Bernardo do Campo. Quatro casos foram descartados.
Alerta
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo emitiu nesta terça-feira (30/9) alerta aos profissionais de saúde sobre o risco de intoxicação por metanol.
O aviso foi divulgado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS). A substância pode estar presente em bebidas alcoólicas clandestinas ou adulteradas e, por ser altamente tóxica, pode causar cegueira permanente e até morte.
O alerta reforça que os sintomas geralmente aparecem entre 6 e 24 horas após ingestão.
Sintomas de intoxicação por metanol
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Sonolência
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Tontura
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Dor abdominal
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Náuseas
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Vômitos
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Confusão mental
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Taquicardia
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Visão turva
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Fotofobia
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Convulsões
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Acidose metabólica
Nos casos mais graves, pode ocorrer cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal e comprometimento neurológico.
Segundo a pasta, pacientes com quadro incomum após ingestão de bebida alcoólica devem ser avaliados imediatamente, com exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. O alerta traz orientações técnicas sobre a conduta clínica a ser adotada nesses casos.

