Investigação aponta indícios de feminicídio e alteração da cena do crime no apartamento do casal; Tribunal de Justiça decide hoje sobre detenção
O caso da morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves ganhou um novo e decisivo capítulo. A polícia paulista solicitou oficialmente a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, marido da vítima e principal investigado. O pedido é fundamentado em novas evidências que sugerem que a cena do crime pode ter sido forjada para sustentar uma falsa tese de suicídio. O Tribunal de Justiça de São Paulo deve dar o veredito sobre a prisão ainda nas próximas horas.
Geraldo Neto sustenta que Gisele tirou a própria vida após ele comunicar o desejo de divórcio naquela manhã. No entanto, a perícia encontrou contradições gritantes entre essa versão e a realidade física do local. A suspeita de fraude processual cresceu após a exumação do corpo da soldado revelar detalhes que não batiam com o primeiro depoimento do oficial. A acusação, liderada pelo advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Junior, afirma categoricamente que houve uma execução.
Inconsistências e a Versão do Oficial
Em entrevista recente, o tenente-coronel rompeu o silêncio para negar as acusações de que teria ordenado o desligamento de câmeras corporais dos policiais que chegaram ao local. Ele argumenta que o casal planejava se mudar para perto dos pais da soldado e que nunca houve violência doméstica. Entretanto, o silêncio de 29 minutos entre o barulho relatado por vizinhos e o pedido oficial de socorro continua sendo o maior obstáculo para a sua defesa.
Especialistas em balística ouvidos pelo Nitro News Brasil apontam que a ausência de pólvora nas mãos de Gisele é um forte indicativo de que ela não efetuou o disparo. Embora o oficial alegue que a limpeza médica removeu os resíduos, a polícia investiga se houve limpeza intencional antes da chegada do resgate. A trajetória do tiro também é ponto de discórdia: enquanto a defesa vê um ângulo típico de suicídio, a acusação vê uma manobra de execução simulada.
Garantia da Ordem e Proteção de Testemunhas
O pedido de prisão preventiva não se baseia apenas no crime em si, mas no comportamento do suspeito. Relatos de ex-mulheres do coronel compõem um perfil de agressividade que a Polícia Civil considera vital para o caso. A justiça entende que, em liberdade, o tenente-coronel Geraldo Neto poderia utilizar seu alto cargo e influência na corporação para coagir subordinados ou testemunhas que possam depor contra ele no processo.
O desfecho deste caso é aguardado com ansiedade tanto pela Corregedoria da PM quanto pela sociedade civil, visto que envolve um oficial de alta patente. Caso o TJSP aceite o pedido ainda hoje, Geraldo Neto deverá ser encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes. A investigação segue focada em confrontar as imagens das câmeras corporais com a cronologia apresentada pelo oficial, buscando a verdade sobre o que aconteceu naqueles 30 minutos de silêncio no apartamento do casal.

