Polícia conclui que Maicol Santos matou Vitória Sousa sozinho em Cajamar
Novos laudos periciais reforçam a principal linha de investigação no caso do assassinato de Vitória Sousa, de 19 anos, em Cajamar, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, vestígios de sangue da vítima foram encontrados no batente da porta do banheiro da casa de Maicol Santos, suspeito que está preso desde o dia 8 de março. Os exames também confirmaram a presença do DNA de Vitória no carro de Maicol, o que foi considerado decisivo para o pedido de conversão da prisão temporária em preventiva.
A revelação foi feita nesta quarta-feira (16), durante uma coletiva de imprensa. De acordo com os investigadores, as provas colhidas até agora indicam que Maicol agiu sozinho na execução do crime. Ele deverá ser indiciado por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver.
Além disso, o laudo do IML concluiu que Vitória sofreu lesões fatais por hemorragia interna e externa, compatíveis com ferimentos por faca, o que confirma a versão já apresentada no inquérito. O corpo da jovem foi encontrado uma semana após seu desaparecimento, nu e com cortes profundos no rosto, pescoço e tórax.
Reconstituição será feita mesmo sem participação do suspeito
Apesar da confissão gravada em vídeo, a defesa de Maicol afirma que o depoimento foi feito sem acompanhamento legal adequado. Por esse motivo, ele não participará da reconstituição do crime, marcada para o dia 24 de abril, após realização de um exame psiquiátrico no suspeito.
A polícia, no entanto, afirma que a reconstituição será baseada no interrogatório em que Maicol confessou o assassinato de Vitória. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a confissão é válida, pois uma advogada — ainda que não contratada pela defesa — esteve presente durante o depoimento. A defesa, por sua vez, sustenta que houve coação por parte de um delegado e entregou um áudio no qual o preso relata ter sido pressionado a confessar.
Enquanto isso, a Justiça prorrogou a prisão temporária de Maicol por mais um mês, atendendo ao pedido da Polícia Civil que aguarda a conclusão formal do inquérito para apresentar a denúncia.
Vítima foi morta após deixar o trabalho
Vitória Sousa foi vista pela última vez em 27 de fevereiro, após sair do trabalho em um shopping da região e pegar um ônibus para casa. Imagens de câmeras de segurança mostraram a jovem entrando no coletivo, o que ajudou a polícia a traçar os últimos passos dela.
Segundo o inquérito, Maicol Santos, que trabalhava como operador de empilhadeira, foi até o ponto de ônibus onde Vitória desceu e ofereceu carona. Os dois teriam tido um relacionamento anterior, e Vitória estaria ameaçando contar à esposa de Maicol sobre isso. No trajeto até a casa dele, eles discutiram, e segundo a versão de Maicol, ela o teria agredido — o que teria motivado sua reação.
“Ela começou a brigar e me agredir. Sempre andei com uma faca no carro. No momento da exaltação, acabei desferindo dois golpes no pescoço dela”, disse o suspeito em vídeo.
Investigação aponta perfil obsessivo e tentativa de ocultação
Após o assassinato, Maicol levou o corpo de Vitória para sua casa e depois o enterrou em uma área de mata na zona rural de Cajamar. Segundo a investigação, o suspeito tentou ocultar o crime e dificultar a localização do corpo, o que motivou a acusação adicional de ocultação de cadáver.
Ainda conforme apuração policial, Maicol mantinha comportamento obsessivo em relação à vítima, sendo classificado como um “stalker”. Apesar da gravidade dos ferimentos e das evidências de que houve luta, a perícia não identificou sinais de violência dentro do carro dele.
A investigação continua para esclarecer todas as circunstâncias do crime, mas os agentes descartam, até o momento, a participação de terceiros. A expectativa é de que, com os laudos complementares e a reconstituição, o Ministério Público possa formalizar a denúncia e iniciar o processo criminal.
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