Bombeiros atendem ocorrências de desabamento de edificações e deslizamento de terra. Aulas foram suspensas em toda a rede municipal.
As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, deixaram 31 mortos até a noite desta terça-feira (24). Ao todo, 38 pessoas continuam desaparecidas na região, em um dos cenários mais críticos enfrentados pelo estado nos últimos anos.
Na madrugada desta terça-feira (24), Juiz de Fora — onde 25 pessoas morreram e 3 mil estão desabrigadas — decretou estado de calamidade pública, e as aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal. A Defesa Civil determinou a evacuação de 600 famílias de áreas de risco iminente.
Em Ubá, segundo o Corpo de Bombeiros, seis pessoas morreram. Um rio transbordou na noite de segunda-feira (23), e a Avenida Beira Rio ficou completamente tomada pela água, arrastando tudo o que encontrou pela frente.
Em Matias Barbosa, o prefeito decretou estado de calamidade pública devido à enchente que atingiu diversas regiões do município. A medida tem como objetivo viabilizar o acesso a recursos do Governo Federal, agilizar ações emergenciais e garantir o atendimento imediato às famílias afetadas.
Entre as vítimas da tragédia estão estudantes e uma professora. As mortes foram confirmadas nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, evidenciando a amplitude do desastre na região.
Juiz de Fora
O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira, e há previsão de mais chuva para Juiz de Fora, que fica em uma região de relevo bastante acidentado, com muitos morros e encostas, próxima à divisa com o Rio de Janeiro.
Ainda segundo a prefeitura local, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o mês. Cerca de 600 famílias devem deixar suas casas por segurança.
Um dos bairros mais afetados é o Parque Burnier, onde, conforme os bombeiros, há 20 pessoas desaparecidas, entre elas mais de cinco crianças. Nove pessoas foram resgatadas com vida no local e quatro morreram após 12 casas desabarem.
No Bairro Cerâmica, duas casas desabaram e cinco pessoas da mesma família estão soterradas. Bombeiros, equipes da Empav, Defesa Civil e Polícia Militar atuam intensamente na ocorrência para tentar localizar sobreviventes sob os escombros.
O Rio Paraibuna e os córregos transbordaram em diversos pontos. Pontes e o mergulhão, que ligam os bairros ao Centro, estão fechados para circulação, e há diversos registros de árvores caídas bloqueando o fluxo.
Em vídeo publicado nesta madrugada, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), informou ao menos 20 ocorrências de soterramento. Os sobreviventes resgatados foram levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). A Prefeitura decretou luto oficial de 3 dias.
Mais de 40 chamadas emergenciais
De acordo com o tenente Henrique Barcellos, dos bombeiros de Juiz de Fora, foram registradas mais de 40 chamadas emergenciais na madrugada por vias bloqueadas, moradores ilhados e casas gravemente atingidas.
“Deslocamos no início da madrugada equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a desastres, mais de 20 militares e cães de busca para reforçar a operação”, afirmou o militar sobre os esforços de resgate.
Cidades da região também registram fortes chuvas
O Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira, e a Avenida Beira Rio ficou tomada pela água. Segundo a prefeitura, foram acumulados 124 milímetros de chuva nas últimas seis horas de temporal.
Equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e da Defesa Civil estão mobilizadas e contabilizam os danos. Imagens impressionantes de caixões de uma funerária sendo carregados pela enxurrada circularam nas redes sociais.
O prefeito de Matias Barbosa decretou estado de calamidade pública em razão da enchente que atingiu o município. A medida visa agilizar ações emergenciais e garantir o atendimento prioritário às famílias que perderam tudo.
A administração municipal informou que continua mobilizada para prestar assistência total à população e que novas informações serão divulgadas pelos canais oficiais conforme o trabalho de resgate avance nas próximas horas.
Repercussão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais para lamentar a situação das vítimas. “Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e entes queridos”, declarou o mandatário.
O governador Romeu Zema (Novo) também decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais. O Ministério da Defesa foi acionado para apoiar as ações de resposta à emergência com tropas e helicópteros.
O pedido contempla a disponibilização de viaturas, limpeza de vias, remoção de escombros e organização de abrigos temporários. A prefeita Margarida Salomão lamentou as mortes, definindo a data como “o dia mais triste do meu governo”.


Descubra mais sobre Nitro News Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

