Com apoio de senadores de 9 partidos e assinatura estratégica de Flávio Bolsonaro, pedido de investigação sobre relações de ministros do STF com Daniel Vorcaro chega à mesa da presidência do Senado.

O cenário político em Brasília pegou fogo nesta segunda-feira (9). O requerimento para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, alcançou as 27 assinaturas necessárias para sua instalação.
O movimento, liderado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, coloca agora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma posição de extrema pressão.
O fator Alcolumbre e a “blindagem”
Apesar do número regimental ter sido atingido, a decisão final de abrir a comissão cabe exclusivamente a Alcolumbre. O presidente da Casa tem dado sinais de que não pretende viabilizar uma investigação que atinja os “tentáculos” de Vorcaro, com quem o próprio Alcolumbre e outros políticos de peso mantinham contatos.
Assinatura de Flávio Bolsonaro gera repercussão
Um dos detalhes que mais chamou a atenção nos bastidores foi o momento da adesão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar foi o número 29 a referendar o pedido, assinando o documento somente após o quórum mínimo já ter sido garantido, o que gerou diversas interpretações sobre a estratégia do clã Bolsonaro no embate com o Judiciário.
O que diz o pedido de investigação?
No requerimento, Alessandro Vieira argumenta que o silêncio institucional diante da perda de credibilidade do STF não é o caminho. Ele defende uma investigação “transparente, imparcial e fundamentada” sobre as mensagens e reuniões citadas em investigações da Polícia Federal.
Dados extraídos do celular de Vorcaro mostram menções a encontros com o presidente Lula, com o próprio Alcolumbre, além de trocas de mensagens que citam o ministro Alexandre de Moraes — que, por sua vez, nega que os conteúdos fossem a ele endereçados.
📊 Veja a lista completa dos senadores que assinaram a CPI:
A lista conta com nomes de peso da oposição e de partidos independentes:
- Alessandro Vieira (MDB-SE);
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);
- Eduardo Girão (Novo-CE);
- Magno Malta (PL-ES);
- Luis Carlos Heinze (PP-RS);
- Sergio Moro (União-PR);
- Esperidião Amin (PP-SC);
- Carlos Portinho (PL-RJ);
- Styvenson Valentim (PSDB-RN);
- Marcio Bittar (PL-AC);
- Plínio Valério (PSDB-AM);
- Jaime Bagattoli (PL-RO);
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR);
- Damares Alves (Republicanos-DF);
- Cleitinho (Republicanos-MG);
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO);
- Jorge Kajuru (PSB-GO);
- Margareth Buzetti (PP-MT);
- Alan Rick (Republicanos-AC);
- Wilder Morais (PL-GO);
- Izalci Lucas (PL-DF);
- Mara Gabrilli (PSD-SP);
- Marcos do Val (Podemos-ES);
- Rogério Marinho (PL-RN);
- Flávio Arns (PSB-PR);
- Laércio Oliveira (PP-SE);
- Dr. Hiran (PP-RR);
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
- Nelsinho Trad (PSD-MS);
- Marcos Rogério (PL-RO);
- Wellington Fagundes (PL-MT).
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