
A campanha “Brasil soberano”, mote lançado pelo governo Lula (PT), marcou o desfile de 7 de Setembro em Brasília neste ano. Bonés azuis, verdes e amarelos com o slogan foram distribuídos ao público, em resposta ao tarifaço dos Estados Unidos. O desfile começou às 9h com a chegada de Lula em carro aberto.
A ausência de ministros do STF chamou atenção. Em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, viajou à França, enquanto Alexandre de Moraes, presente nos últimos dois anos, não compareceu. Nenhum outro ministro do Supremo confirmou presença.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esteve no evento. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não participou, pois viajou ao Amapá. Nos últimos anos, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), então presidente do Congresso, costumava marcar presença.
Entre os ministros de Lula, a maioria compareceu, inclusive nomes do Centrão. André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo) foram ao desfile, mesmo após seus partidos anunciarem desembarque do governo. Fernando Haddad (Fazenda) foi uma ausência de destaque. Parte do público gritou “Sem anistia!”, em referência aos réus do 8 de janeiro.
O tom patriótico esteve presente nas alas com estudantes da rede pública vestidos de verde e amarelo. Uma bandeira de 140 m², carregada por 40 pessoas, reforçou a mensagem do governo. Lula apareceu em carro aberto ao lado da primeira-dama Janja, sob aplausos da plateia.
O slogan “Brasil soberano” também foi usado em bonés azuis distribuídos ao público. A ideia é contrapor a estética do boné vermelho “America First”, símbolo da campanha de Donald Trump nos Estados Unidos. O governo tenta, assim, se apropriar novamente de símbolos nacionais.
Segundo a EBC, mais de 45 mil pessoas estiveram presentes na Esplanada dos Ministérios. Em paralelo, grupos bolsonaristas organizaram atos em várias cidades, defendendo anistia para os presos do 8 de janeiro e exibindo bandeiras estaduais como símbolo de união.
O desfile também destacou agendas governamentais. Assim como em 2023, quando houve espaço para o G20, neste ano a COP30 teve uma ala especial. Crianças e jovens desfilaram com adereços ligados à sustentabilidade e ao meio ambiente, reforçando o compromisso com o evento de Belém em novembro.
Outro bloco foi reservado ao Novo PAC, programa de aceleração de crescimento coordenado pela Casa Civil. Apesar da ênfase no desfile, o projeto ainda não atingiu a velocidade esperada pelo governo, que busca maior visibilidade para a iniciativa.
A segurança foi reforçada por GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Polícia Federal, Forças Armadas e órgãos locais. Em meio ao julgamento de Bolsonaro e à convocação de protestos, houve monitoramento preventivo em toda a Esplanada.
A PRF também acompanhou a chegada de caravanas de manifestantes ao Distrito Federal. O GSI informou que trabalha “de forma preventiva e cooperada com órgãos de segurança pública”, avaliando cenários de risco para autoridades e para a realização do evento.
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