
Léo Jardim fez o que virou praxe entre os goleiros do Brasil: caiu no gramado simulando lesão para ganhar tempo. A diferença? Foi expulso. E o Vasco, que vencia até então, acabou cedendo o empate por 1 a 1 ao Internacional no Beira-Rio, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.
Não dá para cravar quem começou essa “tática”. Se foi Cássio, hoje no Cruzeiro, que ficou com a fama, ou outro nome do passado. Mas o fato é que a encenação virou rotina: qualquer defesa vira motivo para o goleiro rolar no chão, chamar atendimento, atrasar a reposição de bola. É o chamado “antijogo”, escancarado a cada rodada.
Dessa vez, o árbitro Flávio Rodrigues de Souza — conhecido por alternar boas atuações e decisões discutíveis — acertou. Foi firme ao aplicar o segundo amarelo e expulsar Léo Jardim, que estava sentado ao lado da trave, com a mão na lombar, ignorando a ordem para se levantar.
Vasco segurava pressão, mas pagou o preço da encenação
O time carioca abriu o placar logo no início da partida e suportava a pressão do Inter, que criava chances e parava na trave, no travessão e no próprio Léo Jardim — que, vale dizer, vive excelente fase e é um dos destaques da equipe na temporada.
A expulsão, no entanto, desmontou o time. Com um a menos e sem seu goleiro titular, o Vasco cedeu o empate. Ainda assim, voltou de Porto Alegre com um ponto e motivos para agradecer.
A hora de mudar o padrão conivente
Enquanto por aqui se fala em “cera argentina” ou “catimba uruguaia”, a prática dos goleiros brasileiros tem sido ignorada. Todos os grandes nomes fazem: Éverson, Weverton, Rafael, Fábio — além de Cássio e, agora, Léo Jardim. Técnicos não se pronunciam, árbitros geralmente toleram.
No Beira-Rio, a postura foi diferente. O árbitro não foi conivente. Aplicou a regra, sem hesitar. E mostrou que é possível, sim, conter o antijogo sem grandes polêmicas: basta cumprir a regra.
Fica a esperança de que esse lance represente um divisor de águas. Que a arbitragem brasileira deixe de ignorar o óbvio. E que o futebol jogado volte a ser prioridade. Se a advertência vier mais cedo, talvez os goleiros pensem duas vezes antes de atuar como atores em campo.

