Mãe de um dos rapazes que acompanha as investigações identificou os corpos por meio de tatuagens. Polícia Científica ainda não divulgou confirmação oficial.
Os quatro corpos encontrados em Santa Catarina são dos jovens de Minas Gerais que estavam desaparecidos. A confirmação foi feita pela mãe de um dos rapazes, que acompanha as investigações na capital catarinense e reconheceu os corpos por meio de tatuagens.
Ao g1 e à produção da EPTV, afiliada da Globo, Sílvia Aparecida do Prado, mãe de Pedro Henrique Prado de Oliveira, um dos desaparecidos, informou que o reconhecimento foi realizado por familiares de Guilherme Macedo de Almeida e só foi possível por meio das tatuagens das vítimas. Sílvia também tem auxiliado as demais famílias durante o processo de identificação.
Ainda segundo Sílvia, os corpos permanecem no Instituto Médico-Legal (IML), aguardando a finalização da documentação. A previsão é que sejam liberados neste domingo (4) e cheguem ao Sul de Minas entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira (5).

Os corpos foram encontrados enterrados em Biguaçu, na Grande Florianópolis, na manhã deste sábado (3). Eles estavam amarrados e, aparentemente, mutilados, segundo o capitão Daniel Duering, do Batalhão de Polícia de Choque da PM. O diretor da Polícia Civil da Grande Florianópolis, Pedro Mendes, afirmou que “tudo leva a crer” que os corpos são dos jovens desaparecidos desde domingo (28). A confirmação oficial, no entanto, ainda será feita pela Polícia Científica.
Quem eram os quatro jovens?
Eles tinham planos simples, sonhos possíveis e uma motivação em comum: trabalhar, conquistar independência e ajudar a família.
Bruno Máximo da Silva, de 28 anos; Daniel Luiz da Silveira, também de 28; Guilherme Macedo de Almeida, de 20 anos; e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19, eram filhos presentes, amigos leais e jovens que acreditavam que mudar de cidade poderia significar um recomeço.
O g1 ouviu familiares que, mesmo em meio à dor, aceitaram falar para que a história deles fosse contada além da tragédia.
Bruno queria levar a mãe para perto do mar

Para Rosa Maria Máximo, mãe de Bruno, o filho era tudo. Amoroso, preocupado com a família e cheio de planos, o jovem havia deixado Guaranésia (MG) em outubro do ano passado em busca de oportunidades em Santa Catarina. Trabalhava, se esforçava e comemorava cada conquista.
Chegou a atuar em um restaurante e havia conseguido uma nova oportunidade profissional como soldador, com início previsto para os primeiros dias de janeiro. “Ele mandou mensagem para mim dizendo que tinha saído do restaurante porque teve outra oportunidade melhor como soldador. Ia começar agora, no dia 5”, conta a mãe.
Bruno sonhava com estabilidade e queria dividir isso com quem amava. Um dos maiores desejos era levar a mãe para morar perto dele. Confeiteira, Rosa era incentivada pelo filho a recomeçar na praia, vendendo doces e construindo uma nova vida.
“Ele estava adorando lá, sempre falava para mim: ‘Mãe, aqui é uma delícia! Aqui eu não fico sem serviço!’”, lembra Rosa.
Pai de dois filhos pequenos, um menino de 1 ano e outro de 3 anos, Bruno mantinha contato frequente com as crianças. Era descrito como um jovem trabalhador, simples e sem maldade, carinhoso, presente e determinado a melhorar de vida.
Daniel saiu de casa prometendo cuidar dos pais

Na véspera de Natal, ainda de madrugada, Daniel se despediu do pai, André Luiz da Silveira. Ele deu um abraço, pediu ajuda para chamar um carro até a rodoviária de Guaxupé (MG) e fez promessas que hoje ecoam na memória da família. Disse que não queria que os pais se preocupassem, que já tinha trabalho garantido e que iria ajudar a colocar as contas em dia.
“Falou para mim: ‘Pai, não se preocupe comigo, nem o senhor nem a mãe, porque eu vou para uma vida melhor para poder ajudar vocês, para melhorar nossa situação’”, relembra André.
Sonhador e responsável, Daniel acreditava que a mudança seria o primeiro passo para transformar a realidade da família. Planejava enviar dinheiro, ajudar no pagamento das despesas básicas e trazer mais tranquilidade para casa. “Vou para uma vida melhor”, disse ao pai antes de partir.
Daniel deixa dois irmãos e uma família marcada pela sensação de que a despedida aconteceu cedo demais. “Eu não queria que ele fosse de jeito nenhum. Eu falei para ele, implorei, mas não teve jeito de segurar”, lamenta André.
Guilherme: trabalhador e cheio de sonhos

Elizabete de Macedo Almeida conta que Guilherme era um filho educado, trabalhador e cheio de sonhos. Apaixonado por motos, falava com frequência sobre sair da cidade onde cresceu e “voar” em busca de novas oportunidades. No fim do ano, após a morte do avô, decidiu que era hora de partir de Guaranésia (MG) e tentar construir um futuro diferente.
Profissionalmente, Guilherme era soldador e trabalhava havia quase dois anos em uma empresa da cidade. Antes disso, nunca teve medo do trabalho: já vendeu sorvetes e lavou carros. Gostava de música, de ir a raves, de jogar no celular e de viver intensamente cada momento.
A mãe conta que segurou o quanto pôde, sempre preocupada com os passeios de moto, com os cuidados de saúde e com cada detalhe da rotina do filho — aquele que era sua “dorzinha de cabeça”, mas também sua maior alegria.
“Adorava passear com as irmãs, adorava a vida. Me ligava todo dia dizendo: ‘Mãe, te amo! Mãe, tem janta? Mãe, lava minha roupa?’ Agora, acabou”, lamenta Elizabete.
Pedro era apaixonado por motos e pelos amigos

Pedro era o único filho homem de Sílvia Aparecida do Prado e o mais velho entre as irmãs, de 12 e 14 anos. Nascido em Araraquara (SP) e criado em Guaranésia (MG), Pedro era protetor, carinhoso e muito ligado à família, descrito como alguém de coração enorme. Gostava de estar com os amigos, andar de moto e fazer planos.
“Era um menino muito sonhador, foi para Santa Catarina para ter um futuro melhor. Falava para todo mundo que ia dar uma vida melhor para mim e para as irmãs”, conta Sílvia.
Trabalhando em um restaurante, Pedro estava feliz e falava com entusiasmo sobre as conquistas recentes: havia dado entrada na carteira de habilitação e planejava comprar uma moto. Na noite de Natal, conversou com a mãe, animado. No dia 24, enviou mensagens dizendo o quanto amava os avós. O último contato aconteceu dias depois, pouco antes do desaparecimento.
“Ele tirava dele para ajudar os outros”, diz a mãe. Para a família, Pedro era afeto, proteção e esperança — um jovem que acreditava que esforço e trabalho seriam suficientes para mudar o próprio destino.
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