Edson Aparecido Campolongo, servidor da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), foi preso nesta terça-feira (22) por envolvimento em ao menos 17 ataques a ônibus na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele utilizava um carro oficial do estado fora do expediente para cometer os crimes.
O servidor público, que trabalha como motorista do chefe de gabinete da CDHU, atuava há mais de 30 anos no setor público. De acordo com o delegado Domingos de Paula Neto, a prisão ocorreu após a polícia identificar um Virtus branco, que aparece em diversas cenas dos ataques. O veículo pertencia à frota oficial do estado.
Ainda segundo a investigação, o irmão de Edson, identificado como Sérgio Campolongo, também teria participado de dois ataques. Sua prisão foi decretada, mas ele segue foragido.
Motivo alegado: “consertar o Brasil” — mas polícia duvida
Durante coletiva de imprensa, o secretário-executivo de Segurança Pública, Osvaldo Nico, afirmou que Edson confessou os crimes, dizendo que queria “consertar o Brasil”. No entanto, a motivação foi tratada com ceticismo pelas autoridades.
“Acredito que ele arregimenta outras pessoas. Mas ainda estamos no início da investigação”, declarou Nico.
A polícia também encontrou estilingues, pedras e materiais para novos ataques na casa do suspeito. O vidro traseiro quebrado do veículo oficial e também de seu carro particular levantaram a suspeita de que ele atuava com outros cúmplices dentro do carro.
Investigação revela trajeto e rastreamento por celular
A polícia detalhou que o carro oficial fazia trajetos diários entre São Bernardo do Campo e o Centro de SP, sempre no mesmo horário, o que ajudou a cruzar informações com os momentos dos ataques.
“Colocamos ele em várias cenas do crime com horários exatos. O celular dele foi rastreado, traçando todo o trajeto”, disse o delegado Neto. A investigação também descarta envolvimento do chefe de gabinete da CDHU, a quem Edson servia.
Outros dois homens também foram presos na segunda-feira (21). Segundo a polícia, alguns suspeitos participaram apenas de um ataque, mas Edson aparece repetidamente nos locais.

Onda de ataques já soma mais de 800 casos
A Grande São Paulo já registra 813 ataques a ônibus desde o início de junho, espalhados por 27 cidades. A maioria ocorreu nas zonas Sul e Oeste da capital.
Em um dos ataques atribuídos a Edson, no Morumbi, uma criança foi atingida por estilhaços de vidro e socorrida. As autoridades descartaram ligação com desafios online ou efeito manada.
A hipótese mais forte no momento é de que os ataques estejam ligados a disputas internas no sindicato de trabalhadores do transporte coletivo, que podem ter motivações políticas e econômicas. A ligação com o crime organizado ou o PCC também é investigada, mas como linha secundária.
⏱️ Destaques finais:
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Servidor público com 30 anos de carreira confessou envolvimento em 17 ataques;
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Usava carro oficial fora do expediente;
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Polícia mapeou rotina e rastreou celular para confirmar suspeitas;
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Irmão foragido e outros cúmplices podem estar envolvidos;
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Mais de 800 ataques já ocorreram na Grande SP desde junho.
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