Humor ácido e alfinetadas marcam tributo aos 60 anos da emissora
O especial de 60 anos da TV Globo, exibido na noite desta segunda-feira (29), misturou emoção, nostalgia e humor afiado para relembrar momentos históricos da emissora. Comandado por Paulo Vieira, Fábio Porchat e Tatá Werneck, o programa prestou homenagem ao humor global, mas não poupou figuras polêmicas do passado e presente do canal — entre elas, Marlene Mattos, Cauã Reymond e Marcos Mion.
Logo após a entrada triunfal de Xuxa, que desceu de uma nave e entoou o clássico “Ilariê”, Paulo Vieira surgiu no palco caracterizado como uma versão malvada de Marlene Mattos. Com uma raquete nas mãos, ele disparou: “Paquita tem que ser loira”, ironizando declarações da própria Xuxa sobre a falta de diversidade entre as paquitas, responsabilidade que a cantora atribuiu a Marlene.
Crítica ácida à ex-diretora de Xuxa
A performance foi além da sátira visual. Fábio Porchat tentou amenizar a situação com um “Calma, Marlene, calma”, mas Vieira seguiu firme no papel, zombando do documentário da Globo que responsabiliza Marlene por práticas discriminatórias.
“Acabou a água oxigenada da Globo? Tudo fora do padrão. Cadê o padrão Globo de qualidade? Aí depois faz doc para colocar a culpa em mim”, disparou o humorista, arrancando risadas e aplausos da plateia.
A cutucada direta na ex-diretora mostrou que a emissora não teve medo de relembrar seus próprios fantasmas, mesmo em uma noite de celebração. O segmento viralizou rapidamente nas redes sociais, reacendendo debates sobre os bastidores do programa da Xuxa nos anos 90.
Piada com “cecê” de Cauã Reymond repercute
Outro momento que chamou atenção foi quando Paulo Vieira fez uma piada com mau cheiro, numa suposta referência ao ator Cauã Reymond.
“Não fala tocando… Abaixa o braço que, pelo amor de Deus, tá com cecê de seis braços”, brincou ele. Porchat entrou na onda: “É a minha masculinidade.”
A brincadeira remete a rumores recentes de que a atriz Bella Campos teria reclamado do odor corporal de Cauã durante as gravações de “Vale Tudo”. Internautas também relembraram uma entrevista antiga em que o ator dizia não usar desodorante, por acreditar que sua transpiração era “diferente”. Com a repercussão negativa, Cauã acabou mudando o discurso e afirmou que passa, sim, desodorante.
Mion é lembrado com alfinetada sobre a Record
Na sequência, Tatá Werneck aproveitou a deixa para brincar com Marcos Mion, dizendo: “Ele com frases bonitas. Daqui a dois minutinhos cria uma igreja.” Vieira foi além: “Mas não é uma igreja? Começa o Caldeirão e coloco uma água em cima da TV.”
Já Fábio Porchat ressuscitou o passado do apresentador na Record, soltando: “Você sai da Record, mas a Record não sai de você.”
As referências ao estilo empolgado e quase religioso de Mion comandando o Caldeirão levantaram gargalhadas — e uma boa dose de polêmica online. A crítica sutil à estética motivacional e o passado evangélico do apresentador foram interpretadas por muitos como um recado bem-humorado, mas com dose de provocação.
Especial equilibra homenagem e irreverência
Apesar das farpas, o especial também teve momentos de emoção e reverência, celebrando programas que marcaram gerações. Quadros icônicos como Chico Anysio Show, Casseta & Planeta, TV Pirata e Zorra foram homenageados com esquetes recriadas pelos apresentadores.
A Globo demonstrou habilidade ao equilibrar o respeito à própria trajetória com uma autocrítica bem-humorada, característica cada vez mais valorizada pelo público. Em tempos de redes sociais rápidas e julgamentos instantâneos, a emissora apostou em um humor corajoso e contemporâneo para celebrar seus 60 anos.

