Gestão petista chamou de ‘deplorável’ a intervenção da família Bolsonaro nos temas internacionais. Executivo afirma que facções ‘praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias’O presidente Lula durante evento no Palácio do Planalto nesta quinta (28) – Adriano Machado – 28.mai.26/Reuters
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) emitiu nota criticando a classificação das facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como grupos terroristas, anunciada pelos Estados Unidos na quinta-feira (28). A gestão chamou de “deplorável” a intervenção da família Bolsonaro nos temas internacionais.
“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, diz o comunicado.
A decisão do governo americano foi tomada depois de visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Donald Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento do Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.”
“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz ainda o comunicado.
VEJA TAMBÉM: [Governo Trump decide que CV e PCC são organizações terroristas]
Quantos aos efeitos sobre o Pix, especialistas dizem que há muitas incertezas sobre como o sistema poderia ser impactado na prática, uma vez que a operação é desenvolvida e mantida por autoridades brasileiras em solo nacional.
O informe foi publicado após reunião entre representantes de diversos ministérios do governo realizada no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (29) para discutir o que fazer em razão da decisão do governo dos EUA.
“Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o PCC, o CV e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, diz outro trecho.
Na manifestação oficial, o Planalto reforça o tom de defesa da soberania que aliados já afirmavam que seria intensificado após a visita de Flávio a Trump.
“Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”
Participaram da reunião do Planalto representantes da Casa Civil, da Secretaria de Comunicação Social, da Fazenda, do Ministério da Indústria e Comércio, da Advocacia-Geral da União e dos ministérios da Indústria e Comércio e da Justiça.
A conversa entre os ministros transcorreu sem Lula, que estava em Sergipe para uma série de compromissos. Por lá, ele também comentou o episódio e criticou a tratativa do governo Trump frente ao caso.
“Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, disse durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras na cidade de Laranjeiras (SE).
“Eu estive por três horas com o presidente Trump. Três horas com ele. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. O senhor Marco Rúbio não estava lá. Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato a eleição nesse país que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos EUA pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.
O presidente disse que as facções incomodam as famílias, os bairros e as cidades. “Eles roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo viver livremente. Então eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro.”
Lula também ampliou o discurso em defesa da soberania nacional.
“Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que eu trato a China, com o mesmo respeito que eu trato a Rússia, com o mesmo respeito que eu trato os Estados Unidos. Não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu quero respeito. E preciso ter respeito para poder respeitar os outros. Não brinquem com a soberania desse país. Não brinquem com a nossa democracia.”
Na fala, Lula disse ter tratado com Trump sobre o combate ao crime organizado e citou nominalmente Ricardo Magro, pedindo novamente a prisão do empresário ligado à Refit, nome fantasia da refinaria de Manguinhos, do grupo Fit. “Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele.”
Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações assim classificadas.
Pelas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas “são as mais perigosas do Brasil”. “Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas.”
Em entrevista a jornalistas na quarta-feira, Flávio tinha dito que Rubio pareceu ser favorável à designação, disse o pré-candidato, que afirmou ter passado cerca de 30 minutos com o secretário. Após o anúncio por parte do governo americano, o senador comemorou a decisão pelas redes sociais e disse que se tratava de um “grande dia”.
Uma pessoa apaixonada por esportes, que aprecia a energia e a conexão que eles proporcionam. Fã de praias, encontra inspiração e serenidade nas paisagens litorâneas. Leitor dedicado, com interesse por clássicos literários, como Dom Casmurro, obras contemporâneas, como O Código Da Vinci, e textos que exploram temas fascinantes, como a "Origem da Vida". Sempre buscando cativar as pessoas, compartilhando experiências e reflexões que tocam e inspiram.