
Em uma eleição simbólica, marcada pela defesa da soberania como princípio constitucional que une a sociedade, o Instituto Movimento de Defesa da Soberania Nacional (MDSN) anunciou nesta segunda-feira (15) a escolha de João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964, como novo diretor-presidente da entidade.
A cerimônia de posse será realizada em formato remoto no próximo dia 22 de setembro e pretende consolidar uma mensagem de resistência política e resgate de valores democráticos e populares.
Um movimento de resistência e esperança
Fundado em 27 de setembro de 2022, com base nas leis 9.790/99 e 13.204/15, o MDSN também elegeu como secretário-geral o jornalista Osvaldo Maneschy, que atuou em Moçambique como assessor do embaixador Ítalo Zappa, indicado por Ernesto Geisel, e foi assessor de imprensa do ex-governador Leonel Brizola.
A nova diretoria mantém na vice-presidência o geólogo Guilherme de Oliveira Estrella, conhecido como o “Pai do Pré-Sal”, por ter liderado a equipe técnica que descobriu e desenvolveu a exploração da maior reserva de petróleo e gás do Brasil, responsável por 70% da atual produção nacional.
A chapa eleita recebeu apoio de diferentes setores e movimentos sociais, reforçando o caráter suprapartidário do instituto. O grupo é formado por representantes comprometidos com a soberania popular sobre o Estado, o território, as empresas públicas e as riquezas naturais e culturais do país.
Para a tesouraria, foi eleito Ivo Pugnaloni, primeiro presidente do MDSN. Engenheiro eletricista, ele ajudou a implementar o programa CLIC RURAL no Paraná, que levou eletrificação a 122 mil famílias com custos reduzidos. Pugnaloni foi também diretor-presidente da Copel Distribuição e fundador da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas.
João Vicente Goulart: história e trajetória política
Para João Vicente, o MDSN busca resgatar valores democráticos e fortalecer a soberania nacional. Ele afirmou que sua eleição é uma vitória política e simbólica contra forças que tentaram desviar a história do país.
Filho de João Goulart, deposto pelo golpe de 1964 com apoio da esquadra norte-americana no Atlântico, João Vicente carrega o legado do pai. Foi candidato à presidência da República em 2018 pelo Partido Pátria Livre e iniciou sua trajetória política como deputado estadual no Rio Grande do Sul em 1982.
A chapa unificada recebeu apoio de movimentos sociais, representantes comunitários e setores que defendem a reestatização de empresas públicas. A adesão ampla reforçou o caráter de unidade e resistência política contra retrocessos democráticos.
A posse de João Vicente no dia 22 de setembro é vista por especialistas como momento de renovação no cenário político nacional, marcado pelo espírito de luta herdado de seu pai e pela defesa de maior participação popular.
Projeto Brasil Nação e o convite à unidade
Após a eleição, João Vicente declarou que seu mandato será dedicado à defesa da soberania e das instituições democráticas. Segundo ele, este é um momento de união e de esperança.
O jornalista Carlos Alberto de Almeida, que será o diretor de comunicação popular do MDSN, destacou que a vitória representa uma reviravolta histórica, com forte adesão da juventude em busca de protagonismo político.
Na posse, o novo presidente fará um convite público para que entidades e lideranças em todo o país se unam na construção de um projeto nacional baseado na justiça social, liberdade e soberania.
Em discurso de despedida, o presidente em fim de mandato relembrou o período de desenvolvimento industrial, cultural e social que marcou gerações e defendeu que o Brasil volte a sonhar com um futuro de progresso.
Para o engenheiro Ivo Pugnaloni, a eleição representa a busca por união mesmo entre grupos com diferentes visões políticas, em torno do desenvolvimento nacional e da democracia.
O papel da soberania no futuro do Brasil
Segundo o secretário-geral Osvaldo Maneschy, a soberania é princípio constitucional que deve unificar a sociedade acima de partidos e interesses individuais. Ele destacou que o MDSN criará 28 diretorias setoriais, com representantes de todas as regiões do Brasil, para atuar em áreas estratégicas como saúde, educação, energia e tecnologia.
O Fórum Nacional de Debates sobre Defesa da Soberania será realizado em novembro, no Rio de Janeiro, e contará com apoio de entidades como OAB, ABI e Clube de Engenharia.
João Vicente afirmou que os fóruns regionais e nacionais ajudarão a construir o Projeto Brasil Nação, bandeira defendida também por nomes como Roberto Requião e Beto Almeida.
O geólogo Guilherme Estrella reforçou que a proposta deve servir de guia estratégico para governos futuros, assim como os planos quinquenais de desenvolvimento defendidos por Celso Furtado no passado.
O jornalista Beto Almeida acrescentou que o Brasil precisa de planejamento nacional para substituir improvisos por políticas sólidas e de longo prazo.
Para Alessandro Quadros, futuro secretário do MDSN, a ausência de um projeto de nação tem prejudicado a capacidade de mobilização social e a comunicação política no país.
Já o advogado Daniel Renout destacou que a reconstrução nacional exige união em torno de um plano de desenvolvimento que vá além da reação imediata a crises políticas.
Perspectivas e desafios
Osvaldo Maneschy afirmou que a nova diretoria trabalhará com foco em colaboração e participação social, cobrindo setores estratégicos e buscando soluções inovadoras para os desafios do país.
O jornalista ressaltou ainda que o movimento não será apenas crítico, mas também propositivo, sempre com o objetivo de fortalecer a soberania e a democracia brasileira.
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