Com enredo assinado por Renan Ribeiro, a “MUM” transforma o Sambódromo em um quilombo de resistência e celebração ao Instituto Geledés.Mocidade Unida Mooca abre desfiles das escolas de São Paulo Foto: Globoplay
O tema central foi a sociedade Gèlèdés, um culto tradicional iorubá que reconhece o poder supremo das mulheres idosas (as “Grandes Mães”) sobre a fertilidade e a ordem social. A escola utilizou essa mística para traçar um paralelo histórico com a trajetória do Geledés – Instituto da Mulher Negra, celebrando a força política de figuras que mudaram o curso dos direitos humanos no Brasil.
Análise Setorial: O Manifesto na Avenida
O desfile foi planejado para ser didático e impactante. A Imprensa e Mídia acompanhou os setores que definiram a apresentação:
Setor Ancestral: O início do desfile focou na cosmogonia africana. O carro abre-alas impressionou pelo acabamento e pelo uso de materiais orgânicos, representando o útero materno como origem de toda a sabedoria.
Setor de Luta: As alas intermediárias narraram a resistência das mulheres negras durante a escravidão e o período pós-abolição. A escola destacou que a busca por liberdade não foi um presente, mas uma conquista forjada no coletivismo.
Setor Político: A conclusão do desfile trouxe a modernidade do Instituto Geledés. Baluartes da escola e ativistas ocuparam o último carro, simbolizando a ocupação de espaços de decisão, como a academia e o parlamento.
Harmonia e Evolução sob Pressão
Um dos grandes desafios da noite foi a pista molhada. No entanto, a harmonia da Mocidade Unida da Mooca mostrou-se blindada. O canto da comunidade foi uníssono, impulsionado por um samba-enredo que já nasceu com status de clássico. A bateria “Chapa Quente”, sob o comando do mestre Dennys, garantiu uma cadência segura, permitindo que a escola evoluísse sem sustos apesar dos 45 minutos de atraso global da noite.
Para os analistas de Carnaval, a MUM cumpriu todos os quesitos técnicos com louvor. A escolha de um tema tão urgente quanto a luta das mulheres negras por direitos e liberdade posiciona a escola como uma agremiação que entende sua responsabilidade social, utilizando o espetáculo para educar e provocar reflexão.
A presença de representantes do Instituto Geledés no desfile conferiu uma aura de autenticidade raramente vista. O público reagiu com respeito e aplausos calorosos, especialmente durante a passagem da ala das baianas, que representavam a proteção das Iyami.
Com este desfile, a Mocidade Unida da Mooca prova que o Grupo Especial ganhou uma competidora que sabe aliar a técnica do Carnaval moderno à profundidade das pautas identitárias. A escola encerrou sua passagem sob gritos de “é campeã”, deixando um rastro de axé e consciência no asfalto paulistano.
Uma pessoa apaixonada por esportes, que aprecia a energia e a conexão que eles proporcionam. Fã de praias, encontra inspiração e serenidade nas paisagens litorâneas. Leitor dedicado, com interesse por clássicos literários, como Dom Casmurro, obras contemporâneas, como O Código Da Vinci, e textos que exploram temas fascinantes, como a "Origem da Vida". Sempre buscando cativar as pessoas, compartilhando experiências e reflexões que tocam e inspiram.