
O ministro Alexandre de Moraes pediu um aparte durante o voto da ministra Cármen Lúcia no julgamento de Jair Bolsonaro para reforçar que os atos de 8 de janeiro não foram um “passeio no parque“, mas sim o ato de uma organização criminosa. Foi a primeira vez que ele se manifestou desde o voto do ministro Luiz Fux, que divergiu e votou por absolver o ex-presidente de todos os crimes.
“É muito importante nós deixarmos claro, principalmente para a sociedade, que, como disse no primeiro julgamento lá em 2023, não foi um domingo no parque. Não foi um passeio na Disney. Foi uma tentativa de golpe de Estado. Não foi combustão espontânea, não foram baderneiros descoordenados que, ao som do flautista, todos fizeram fila e destruíram a sede dos três Poderes. Foi uma organização criminosa”, declarou Moraes.
Na sequência, o ministro exibiu um vídeo da manifestação de 7 de setembro de 2021, na Avenida Paulista, em São Paulo, em que Bolsonaro — então presidente — atacou diretamente o Supremo. Na ocasião, Bolsonaro disse: “Temos um ministro dentro do Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos. Logo, um ministro que deveria zelar pela nossa liberdade, pela democracia e pela constituição faz exatamente o contrário. Ou esse ministro se enquadra, ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas, turve a nossa democracia e ameace a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Ou melhor, acabou o tempo dele. Sai Alexandre de Moraes! Deixa de ser canalha! Deixa de oprimir o povo brasileiro!”.
Segundo Moraes, a intenção ao reproduzir o vídeo foi demonstrar que havia uma “grave ameaça” nas falas de Bolsonaro, que chegou a declarar que não cumpriria decisões judiciais. “Se eu curvasse a cabeça e covardemente arquivasse, amanhã seria outro relator”, afirmou o ministro, reforçando que não era o único alvo dos ataques bolsonaristas.
“Naquele dia fui eu, mas se eu aceitasse repassar a relatoria, seria outro ministro. Não é uma ameaça contra Alexandre de Moraes, é contra o Supremo Tribunal Federal”, disse. Moraes também projetou imagens de apoiadores de Bolsonaro em uma manifestação, exibindo uma faixa que pedia “intervenção militar. Bolsonaro presidente”.
Com essa exposição, Moraes rebateu diretamente o voto do ministro Luiz Fux, dado na sessão anterior, em que o magistrado afirmou não existir organização criminosa nem liderança de Bolsonaro, e, por isso, defendeu sua absolvição. Fux havia votado apenas pela condenação de Mauro Cid e Walter Braga Netto.
Moraes, então, concluiu o trecho de sua manifestação destacando: “Aqui não está Mauro Cid”.
Descubra mais sobre Nitro News Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

