Pessoas com informações expostas são mais suscetíveis a serem alvos de crimes cibernéticos

Em 2022, consumidores nos Estados Unidos enfrentaram perdas financeiras que somaram quase nove bilhões de dólares, segundo dados da Federal Trade Commission (FTC), agência do governo norte-americano responsável pela proteção do consumidor e análise de práticas comerciais. Esse valor representou um aumento superior a 30% em comparação ao ano anterior. Mais de dois milhões de pessoas reportaram perdas, especialmente em fraudes envolvendo compras online.
O estudo “IA generativa e segurança cibernética: futuro brilhante ou campo de batalha empresarial“, produzido pela empresa de cibersegurança Deep Instinct, entrevistou mais de 650 especialistas seniores em segurança cibernética. De acordo com 85% desses profissionais, o uso crescente da Inteligência Artificial tem ligação direta com o aumento dos ataques cibernéticos em 2022.
Para Marcelo Lau, coordenador do MBA em Cibersegurança do Centro Universitário FIAP, a proliferação de desinformação é uma das maiores ameaças no contexto da IA. Através de deepfakes ou imitação de padrões comportamentais, a IA generativa consegue simular pessoas reais e enganar vítimas com mais facilidade. “Há ferramentas capazes de clonar vozes com apenas um trecho de áudio e transformar texto em áudio falado. Por isso, é essencial desconfiar mesmo quando reconhecemos a voz de alguém. Devemos confirmar a identidade com perguntas e observar o modo como a pessoa normalmente se comunica”, alerta Lau.
O especialista destaca ainda que criar identidades falsas é extremamente fácil com o auxílio da IA, principalmente devido à grande quantidade de informações pessoais disponíveis na internet. Um exemplo emblemático ocorreu em 2021, quando um mega vazamento de dados expôs informações de 223 milhões de CPFs, incluindo nome, gênero, data de nascimento, endereço, dados financeiros e até fotos de rosto.
Com posse dessas informações, a IA pode automatizar ações criminosas com eficiência. “Golpistas buscam dados relacionados à vida financeira das vítimas para elaborar armadilhas mais convincentes. É possível empregar deepfakes ou áudios clonados para aumentar a credibilidade do golpe e induzir a vítima a fornecer senhas, liberar acessos ou realizar transferências”, explica Lau.
Como forma de proteção, Marcelo Lau recomenda estratégias humanas e criativas para dificultar a ação de golpistas, como o uso de palavras-chave entre familiares, confirmação de mensagens por ligação e perguntas específicas para checar a identidade de quem faz contato. Esses mecanismos simples podem impedir golpes mesmo com o uso de tecnologias avançadas.
Lau reforça que qualquer pessoa desatenta ou mal informada pode se tornar um alvo. “Devemos educar o cidadão comum, com linguagem acessível, sobre os riscos reais que enfrentamos no ambiente digital. A conscientização ainda é a melhor forma de prevenção contra fraudes e golpes baseados em inteligência artificial”, finaliza.
Por: Giulia Andrade
Descubra mais sobre Nitro News Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

