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O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) anunciou nesta quinta-feira (26) ter feito um repasse de R$ 1,43 milhão em cofinanciamento federal para municípios atingidos pelas fortes chuvas dos últimos dias na Região Sudeste.

Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, Lajes do Muriaé e Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e Peruíbe, em São Paulo, receberam recursos para ações de abrigamento.

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O orçamento poderá ser usado na estruturação de abrigos e espaços de acolhimentos e aquisição de alimentos, água, colchões, roupas, produtos de higiene e na contratação de serviços de apoio em cozinha, manutenção e segurança.

Segundo a pasta, Juiz de Fora (MG) lidera o volume de repasses diretos com R$ 550 mil para o acolhimento de 1.500 pessoas em abrigos. Ubá (MG) teve a liberação de R$ 220 mil para a proteção social de 500 pessoas. Nova Iguaçu (RJ) recebeu R$ 243 mil para o suporte a 618 acolhidos, enquanto Lajes do Muriaé (RJ) recebeu R$ 20 mil para 63 pessoas desabrigadas.

No litoral paulista, Peruíbe (SP) foi autorizada a utilizar R$ 200 mil do saldo de recursos do Piso Variável de Alta Complexidade (PVAC) municipal para assistir 357 atingidos.

O MDS explicou que o cálculo do repasse leva em conta o valor de R$ 20 mil aos municípios para cada grupo de 50 pessoas desabrigadas e acolhidas pelo Poder Público.

Para solicitar o cofinanciamento, o gestor municipal da assistência social deve preparar um ofício e enviá-lo para o e-mail [email protected].

Ainda de acordo com a pasta, profissionais da Força de Proteção do Sistema Único de Assistência Social (ForSUAS) estão em campo nos municípios atingidos, prestando orientações e avaliando as condições junto aos gestores locais.

“A ForSUAS já realizou 146 cadastros de profissionais para atuarem nas cidades afetadas e continua recebendo os pedidos para o reforço no trabalho. As equipes reúnem pessoas capacitadas para traçar estratégias e ações de assistência social em cooperação com estados e municípios, atuando nas fases de preparação, resposta e recuperação diante de eventos extremos”, disse, em nota.

Alimentos, BPC e Bolsa Família

O MDS informou ter enviado mais de 8,8 mil cestas de alimentos aos municípios de Juiz de Fora, Peruíbe e Nova Iguaçu. A pasta também destinou 22 toneladas de alimentos a 12 cozinhas solidárias na cidade mineira, a mais afetada pela tragédia, adquiridas por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e com saída da Ceasa-MG.

Já a Secretaria Nacional de Benefícios Assistenciais (SNBA) do ministério solicitou ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a antecipação de uma parcela do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para os beneficiários de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa que queiram ter o pagamento adiantado.

Também foi solicitado a suspensão dos efeitos dos processos revisionais do benefício nos três municípios e o ministério disse que adotará providências para dispensar a exigência do cadastro biométrico dos beneficiários enquanto durar o estado de calamidade pública.

Com o decreto de calamidade pública, os municípios terão a quebra do escalonamento do Bolsa Família nos próximos dois meses.

Apenas em Juiz de Fora, 23,8 mil famílias foram beneficiadas pelo programa em fevereiro, com repasses de R$ 16,5 milhões. Já em Ubá, segundo o MDS, cerca de 4,9 mil famílias foram contempladas com aporte de R$ 3,2 milhões, enquanto em Matias Barbosa 867 famílias recebem o benefício, que soma mais de R$ 746 mil.


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A partir desta sexta-feira (27), moradores das cidades de Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá – cidades mineiras afetadas pelos temporais – poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O valor a ser retirado é limitado a R$ 6.220.

De acordo com a Caixa, a solicitação pode ser feita pelo Aplicativo FGTS.​

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É necessário ter saldo na conta do FGTS e não ter feito saque pelo mesmo motivo (calamidade) em menos de 12 meses.

>> Veja passo a passo para solicitar o saque do FGTS:  

  • Baixe o app FGTS e insira as informações de cadastro;
  • Acesse a opção “Solicitar seu saque 100% digital” ou, no menu inferior, vá em “Saques” e selecione “Solicitar saque”;
  • Clique em “Calamidade pública”, informe o nome do município e selecione-o na lista;
  • Escolha o tipo de comprovante de endereço, digite o CEP e o número da residência;
  • Encaminhe foto de documento de identidade e de comprovante de residência em nome do trabalhador, emitido até 120 dias antes da decretação da calamidade;
  • Escolha a conta para crédito do valor (Caixa ou outro banco) e envie a solicitação.

Doação

A Caixa informou que, junto com a ONG Moradia e Cidadania, irá arrecadar recursos para famílias afetadas pelos temporais. 

As doações podem ser feitas por meio de depósito em conta ou Pix.

Chave Pix (Telefone): 31999910733

Banco: CAIXA (104)

Agência: 0620

Operação: 1292

Conta Corrente: 577578823-7

Chuvas 

Subiu para 59 o número de pessoas mortas na região da Zona da Mata mineira pelo excesso de chuvas nos últimos dias, informa o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais em boletim divulgado no início da noite desta quinta-feira (26).

As operações de busca e salvamento prosseguiram ao longo de todo o dia, em oito frentes de atuação, sendo seis em Juiz de Fora e duas em Ubá, que são municípios próximos.


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Em visita ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (26), o chefe de Departamento da Polícia da Cidade de Nova York, Michael J. LiPetri, defendeu o uso intensivo de monitoramento remoto e da ciência de dados como base para lidar com as questões de segurança pública. A prefeitura carioca reconhece a cidade estadunidense como um modelo para a formação da nova Força Municipal, divisão de elite armada da Guarda Municipal, que deve começar a atuar em março.

LiPrieti visitou a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (CIVITAS Rio), onde trocou experiências com o prefeito Eduardo Paes.

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“Em Nova York, priorizamos colocar o melhor cientista de dados trabalhando em conjunto com o comandante da polícia. Eles conseguem mapear a cidade e ter uma noção de previsibilidade dos crimes”, diz.

“[Foi possível] entender que as noites de sexta, sábado e domingo são as mais violentas e determinados horários. [Decidimos que] a maioria dos policiais não tem folga nesses dias. É nesses períodos que o maior contingente está na rua e é por isso que tivemos o ano mais seguro da história da cidade no ano passado”, exemplifica.


Rio de Janeiro (RJ), 26/02/2026 – O Chefe de Departamento da Polícia da Cidade de Nova York, Michael J. LiPetri, com o prefeito Eduardo Paes na Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Apoio à Segurança Pública - CIVITAS Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 26/02/2026 – O Chefe de Departamento da Polícia da Cidade de Nova York, Michael J. LiPetri, com o prefeito Eduardo Paes na Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Apoio à Segurança Pública - CIVITAS Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Chefe de Departamento da Polícia da Cidade de Nova York, Michael J. LiPetri, com o prefeito Eduardo Paes na Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Apoio à Segurança Pública – Fernando Frazão/Agência Brasil

Análise de dados

A prefeitura do Rio disse que a principal inspiração em Nova York é o CompStat, ferramenta criada nos anos 1990 para gestão estratégica baseada na análise de dados e indicadores de segurança.

O novo Sistema de Segurança Municipal (SSM) terá 22 áreas prioritárias de monitoramento. A expectativa é mapear as principais áreas criminais, ter reuniões semanais de cobrança de resultados, análise dos dados, alocação precisa do efetivo por horário e tipo de crime, foco na prevenção e responsabilização direta dos comandantes.

O secretário de Segurança Urbana do Rio, Breno Carnevale, disse que os focos principais da Força Municipal serão combater furtos e roubos, crimes, segundo ele, com mais impacto no dia a dia da população. A ideia é que ela seja uma força complementar, mas sem se sobrepor às competências investigativas da Polícia Civil e as operações da Polícia Militar.

Os agentes usarão câmeras corporais, GPS em tempo real e serão monitorados diretamente no Centro de Operações da Prefeitura. O prefeito Eduardo Paes diz que o diferencial da Força Municipal será a atuação baseada em planejamento, gestão por indicadores e ajustes rápidos de estratégia.

“Foram mais de 500 horas de treinamento, desde a parte teórica, desde a parte operacional e o treinamento do sistema operacional, das câmeras corporais. Foram disparos de arma de fogo, teste sobre saque de arma, enfim, tudo que faz parte de uma academia de polícia, para que eles possam colocar os pés na rua mais capacitados”, diz Carnevale.

Uma das preocupações relacionadas à nova força, é a capacidade de diálogo e atuação conjunta efetiva entre as forças de segurança municipais e estaduais, dado o histórico de divergências entre os líderes das duas esferas de poder.

“A integração com a Polícia Militar e com a Secretaria de Segurança do Estado já está acontecendo. Nós vamos trabalhar em conjunto. Nossas forças sempre trabalharam integradas, independente do ambiente político. Há um encaminhamento sereno a esse respeito”, garante o prefeito.

Desde a votação da criação da Força Municipal, o novo modelo de segurança da prefeitura enfrentou críticas e resistências. As vereadoras Mônica Cunha (PSOL) e Maíra do MST (PT) , por exemplo, disseram que uma nova força armada nas ruas trará o efeito contrário, de mais insegurança para população. Elas falam que grupos sociais como camelôs e professores já sofrem com a violência de guardas municipais e ficarão ainda mais em risco.

O economista e professor da Universidade de Brasília Mário Lisboa Theodoro morreu na tarde desta quinta-feira (26), aos 69 anos, na capital federal. 

Doutor em Ciências Econômicas pela Université Paris I – Sorbonne, contribuiu para o pensamento social brasileiro e para a formulação de políticas públicas, voltadas à igualdade social, principalmente em relação à questão racial, ao mundo do trabalho e à construção democrática.

Autor de A sociedade desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil, professor Theodoro deixa como legado análises que guiam o debate público e a produção de conhecimento no país.

O velório será realizado na capela 10 do Cemitério Campo da Esperança em Brasília, das 14h às 16h desta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026.

Notas de pesar

Diversas entidades no país lamentaram a morte do professor. O Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da UnB destacou a reflexão crítica do economista. 

“Seu compromisso público deixa marca duradoura no debate nacional sobre desenvolvimento, racismo e direitos humanos, afirmando a centralidade da questão racial na compreensão da formação social e econômica brasileira.”

Ex-servidor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Theodoro será lembrado teve trajetória marcante no setor público, na pesquisa e no ensino, de acordo com a instituição. Theodoro ocupou o cargo de diretor de Cooperação e Desenvolvimento entre 2007 e 2011.

A Anistia Internacional Brasil, onde professor Thoedoro era membro da assembleia, destacou a contribuição dele para a construção do pensamento social brasileiro. 

“Reconhecido como um dos maiores pensadores da questão racial de nosso tempo, afirmou, em sua produção intelectual e em sua prática institucional, a centralidade da questão racial para compreender a formação social e econômica brasileira.”

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, ressaltou a trajetória de Theodoro, marcada por coragem e rigor técnico. 

“Em Brasília, tive a honra de, com ele, atuar na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, onde construímos o sistema nacional de promoção da igualdade racial e outras importantes ações de enfrentamento ao racismo no país.”

Música 

O professor também será lembrado pela trajetória cultural. Em 2019, Theodoro foi um dos vencedores da 11ª edição do Festival de Música da Rádio Nacional FM de Brasília. A canção Trem Nordestino foi a mais votada pelo público na internet. 

“A música fala um pouco das coisas e da gente do Nordeste. E, principalmente, desta ideia de uma região que é um pouco o paradoxo do Brasil. O Nordeste, talvez, seja a região que melhor define o Brasil com suas dificuldades e suas alegrias, com sua arte forte”, disse professor Theodoro à época.