Líder da oposição conquista vitória histórica com maioria de dois terços; atual premiê reconhece derrota e encerra ciclo da extrema direita iniciado em 2010
As pesquisas de boca de urna se confirmaram e a Hungria vive, neste domingo (12), uma de suas maiores reviravoltas políticas do século XXI. O líder da oposição, Péter Magyar, venceu uma das eleições mais disputadas da história do país, desbancando o atual primeiro-ministro Viktor Orbán. A votação foi marcada por um engajamento civil sem precedentes, com a participação dos eleitores aproximando-se dos 80%, um recorde absoluto para a nação europeia.
Com cerca de 45,7% dos votos apurados até o momento, as projeções indicam que Magyar, do Partido Tisza, deve consolidar uma vitória acachapante, garantindo uma maioria de dois terços no parlamento. As urnas foram fechadas às 19h (horário local) e, apenas uma hora e meia depois, o cenário de mudança já era irreversível, levando o atual governo a se manifestar oficialmente sobre o resultado.
Em um discurso rápido na noite eleitoral, Viktor Orbán — que ocupava o cargo de forma ininterrupta há 16 anos — afirmou que o resultado das urnas é “claro” e reconheceu a derrota. O líder da extrema direita felicitou o partido vencedor e admitiu publicamente que o desfecho é “doloroso” para o seu partido, o Fidesz. Orbán encerra assim um ciclo que começou em 2010 e que foi marcado por intensas polêmicas internacionais.
Péter Magyar, de 45 anos, surge como a face da “mudança de sistema” prometida durante a campanha. Político e advogado, Magyar é o atual presidente do Partido Tisza e já atuava como deputado do Parlamento Europeu desde 2024. Sua ascensão meteórica na política húngara foi impulsionada por um discurso firme de combate à corrupção e pela promessa de varrer as práticas da era Orbán.
Durante seu breve discurso após o fechamento das urnas, Magyar descreveu este domingo como um “dia histórico”. Ele agradeceu aos eleitores pelo comparecimento recorde e destacou a importância de o povo reconhecer a gravidade do momento político. O vencedor também elogiou os fiscais e apoiadores que trabalharam para impedir fraudes, afirmando que a compra de votos foi menos eficaz do que em pleitos anteriores.
A derrota de Orbán ecoa fortemente fora das fronteiras húngaras. O agora ex-premiê é conhecido por ser um aliado próximo de Donald Trump e por manter laços estreitos com o Kremlin, liderado por Vladimir Putin. Durante seu mandato, Orbán foi frequentemente acusado pela União Europeia de minar as instituições democráticas e de tentar bloquear o apoio militar e financeiro à Ucrânia após a invasão russa em 2022.
Magyar, por outro lado, prometeu uma guinada diplomática. Em seu plano de governo, o novo primeiro-ministro assegurou que irá reaproximar a Hungria das diretrizes da Europa e reverter as polêmicas reformas constitucionais e judiciárias implementadas por Orbán. O objetivo central é restaurar a confiança das instituições europeias e combater o isolacionismo que marcou os últimos anos do país.
A campanha foi tensa e marcada por trocas de acusações. O partido Fidesz chegou a acenar com a possibilidade de agitação violenta caso a oposição vencesse, ideia que Magyar descartou prontamente como uma “alucinação”. Em um apelo à paz, o novo líder pediu aos seus apoiadores que não reajam a provocações e que celebrem a vitória com paciência e serenidade.
Com a posse de Péter Magyar, a Hungria inicia um processo de transição que deve ser acompanhado de perto por Bruxelas e Washington. A promessa de varrer a corrupção e restaurar os pilares democráticos coloca o Partido Tisza sob os holofotes do mundo, simbolizando uma das derrotas mais significativas para a corrente da extrema direita conservadora na Europa Central.
O novo primeiro-ministro, que completou 45 anos recentemente, assume o desafio de unir um país polarizado e reconstruir a economia sob novas bases éticas. O “dia histórico” mencionado por Magyar marca o fim de uma era de 16 anos e o início de uma nova jornada para os oito milhões de eleitores húngaros.

