Depoimentos de moradores e imagens de câmeras contradizem versão oficial; advogada afirma que soldado desobedeceu ordem de parceiro antes de efetuar disparo letal
A morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, ocorrida na madrugada da última sexta-feira (3) em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, ganha contornos de execução e abuso de autoridade. Testemunhas oculares e a advogada da família, Viviane Leme, contestam a versão apresentada pelos policiais militares envolvidos. Segundo os relatos, Thawanna foi agredida fisicamente com um chute na virilha pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, antes de ser atingida por um tiro no tórax.
O conflito teria durado apenas 33 segundos. Imagens de câmeras de segurança desmentem a alegação da PM de que o casal estaria discutindo antes da abordagem; as gravações mostram Thawanna e o marido, Luciano dos Santos, caminhando tranquilamente menos de um minuto antes do disparo. A discussão teria sido motivada por uma frase banal dos policiais sobre o casal caminhar no meio da rua, seguida pela reação da soldado, que desceu da viatura mesmo após o parceiro orientar para que ela não o fizesse.
🎥 Contradições e a Ausência de Câmeras Corporais
Um dos pontos mais críticos da investigação é a ausência de câmera corporal na soldado Yasmin, equipamento de uso obrigatório na corporação. Entretanto, a câmera do policial que dirigia a viatura captou o áudio e parte da agressão inicial. De acordo com a defesa da família, os registros mostram que não houve agressão prévia por parte da vítima, mas sim uma reação instintiva após receber um chute e um soco da oficial.
Após ser baleada, Thawanna teria agonizado no asfalto por mais de 45 minutos. Moradores relatam que foram impedidos de prestar socorro sob ameaça de também serem baleados. “O policial apontou a arma e falou ‘se vier, vai tomar'”, relatou um morador que tentou se aproximar da vítima. Thawanna deixa cinco filhos, entre 5 e 16 anos, e completaria 32 anos nesta quarta-feira (8).
🛡️ Resposta Oficial e Clima de Tensão na Região
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado “com prioridade” e confirmou o afastamento de dois policiais envolvidos no patrulhamento das ruas. A Corregedoria da PM também apura a irregularidade na falta do uso das câmeras corporais. Em nota, o órgão afirmou que toda irregularidade identificada será punida nos termos da lei e lamentou a morte da ajudante-geral.
Enquanto a investigação avança, o clima em Cidade Tiradentes é de medo e revolta. Mensagens sobre um suposto “toque de recolher” circularam entre comerciantes da região nesta segunda-feira (6), e protestos organizados por moradores foram reprimidos com bombas de efeito moral e balas de borracha. A comunidade exige justiça por Thawanna e o fim da violência policial em abordagens rotineiras nas periferias.
❓ Caso Thawanna Salmázio
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O que causou a abordagem policial? Os policiais alegaram que o casal discutia e caminhava no meio da rua, versão contestada por vídeos que mostram o casal tranquilo.
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A policial que atirou usava câmera corporal? Não. A soldado Yasmin Cursino Ferreira não portava o equipamento, o que é alvo de investigação da Corregedoria.
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Qual o estado dos policiais envolvidos? Dois policiais foram afastados do serviço de rua enquanto o inquérito é conduzido pela Polícia Civil e Corregedoria.
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Houve socorro imediato à vítima? Testemunhas afirmam que o socorro demorou 45 minutos e que moradores foram impedidos pelos PMs de ajudar.

