Reportagem exclusiva do SP2 revela áudios chocantes de câmera corporal; vítima faria aniversário no dia da exibição da matéria

O telejornal SP2, da TV Globo, exibiu na noite desta quarta-feira (8) uma reportagem avassaladora que chocou o público paulistano. Comandada pelo repórter Lucas Jozino, a matéria revelou imagens e áudios das câmeras das fardas de policiais militares envolvidos na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos. O âncora José Roberto Burnier não escondeu a emoção ao relatar que a vítima completaria mais um ano de vida justamente na data da exibição.
O crime ocorreu na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, durante a Sexta-feira da Paixão. A tragédia foi desencadeada por um incidente fútil: o esposo de Thawanna esbarrou no retrovisor da viatura policial enquanto caminhava pela rua estreita do bairro. O espelho apenas mudou de posição, sem sofrer danos, mas foi o suficiente para o soldado Weden Silva Soares dar ré no veículo e iniciar uma discussão agressiva com o casal.
A tensão escalou rapidamente em uma região onde, devido às ruas estreitas, é comum que pedestres dividam o espaço com veículos. Lucas Jozino, jornalista que vem se destacando em coberturas de segurança pública, esteve no local e evidenciou que a abordagem foi desproporcional desde o primeiro segundo. O registro captado pela câmera corporal de um dos agentes expõe o momento em que a autoridade deu lugar à violência gratuita.
A responsável pelo disparo fatal foi a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de apenas 21 anos. Segundo a reportagem, Yasmin integrava a corporação há pouco tempo e, por isso, não portava câmera em sua própria farda, sob a justificativa de ainda não possuir senha para o equipamento. No entanto, o microfone e a câmera de seu parceiro, Weden, registraram o diálogo desesperador que se seguiu ao tiro no peito da vítima.
No áudio revelado com exclusividade, o soldado Weden aparece em choque com a atitude da parceira. “Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca*****?”, questionou o agente de forma incisiva. Em resposta, Yasmin alegou que teria recebido um tapa no rosto por parte de Thawanna, justificativa que agora é alvo de rigorosa investigação pela Corregedoria da Polícia Militar.
Após o disparo, o vídeo mostra uma tentativa tardia de socorro. Weden ligou repetidas vezes para a central, mas o atendimento médico demorou mais de 30 minutos para chegar ao local. Durante a espera, um diálogo inaudível de Yasmin foi respondido por Weden com uma frase que causou indignação no estúdio do telejornal: “Relaxa, agora já foi já“.
📄 Detalhes da Ocorrência e Desdobramentos
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Vítima: Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos.
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Envolvidos: Soldado Yasmin Cursino Ferreira (autora do disparo) e Soldado Weden Silva Soares.
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Status dos Agentes: Afastados das funções operacionais enquanto o inquérito avança.
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Provas: Imagens de câmeras corporais (Bodycams) e perícia no local do crime.
No estúdio, José Roberto Burnier ficou visivelmente consternado. A reportagem de Jozino — o mesmo que revelou recentemente detalhes sobre a morte da PM Gisele, assassinada pelo marido — reforça o debate sobre o preparo psicológico de novos agentes e o uso de câmeras corporais como ferramenta indispensável de transparência. A morte de uma civil por um motivo tão banal reacendeu protestos na comunidade.
A Polícia Militar de São Paulo informou que o caso está sendo tratado com prioridade absoluta. O afastamento dos agentes é o primeiro passo de um processo que pode levar à expulsão da soldado e a sanções administrativas para o parceiro. A família de Thawanna, devastada, clama por justiça em um dia que deveria ser de celebração pelo seu aniversário.
O caso segue sob segredo de justiça em algumas instâncias, mas a exposição pública das imagens coloca pressão sobre as autoridades de segurança do estado. O Nitro News Brasil continuará acompanhando os desdobramentos da perícia e as decisões judiciais sobre o afastamento da soldado Yasmin.
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