Igor Freitas, filho do boxeador, é acusado de tentar aliciar atletas para manipulação de resultados no futebol brasileiro; MP-PR aceitou a denúncia.

A investigação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre a tentativa de aliciamento de jogadores para manipular partidas do Campeonato Brasileiro tem mensagens do boxeador Acelino Freitas, o Popó, ao filho dele, o empresário Igor Freitas, um dos denunciados no caso.
Igor Freitas é um dos denunciados pelo MP-PR à Justiça na Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025 e que apurou inicialmente a suposta oferta de R$ 15 mil a pelo menos três jogadores do Londrina para tomarem cartão amarelo em um jogo da Série C. A denúncia mostra que o trio investigado também procurou o lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol.
Na denúncia, que o portal teve acesso, o MP-PR cita conversas entre Popó e Igor Freitas do dia 29 de abril de 2025 – ou seja, antes da Operação Derby. Após uma ligação, conforme o MP, Igor Freitas recebeu de Popó a mensagem: “Quem vc está se tornando”.
Ainda de acordo com a denúncia, a resposta de Igor “por meio de dois áudios, em tom defensivo, demonstrou que o teor do diálogo teve relação com o aliciamento de jogadores, corroborando com o teor da investigação”.
Em seguida, Popó respondeu dizendo, conforme transcrição do áudio: “Igor, você, você foi indireto aí meu velho. Você indicou, o cara foi lá e fechou com outro, mas quem indicou foi você”.
A denúncia apresenta ainda uma segunda conversa entre eles, do dia 18 de maio de 2025, com Popó iniciando o diálogo com a frase “antes falava da forçação de cartão”. Igor Freitas se defendeu das acusações respondendo: “Meu pai, eu não tenho nada a ver com isso” e que estava “totalmente despreocupado quando a isso”.
O MP-PR mostra que as conversas continuam, com Popó “pedindo ao filho para abrir os olhos, sendo que a resposta de Igor continua sendo defensiva”.




Entenda o caso
O Ministério Público do Paraná denunciou o empresário Igor Freitas, filho do boxeador Acelino Freitas, o Popó, o sócio dele, Rodrigo Rossi, e Raphael Ribeiro por possível tentativa de aliciamento de jogadores para manipular partidas das três principais divisões do Campeonato Brasileiro.
As investigações começaram após dos jogadores do Londrina denunciarem que tinham sido procurados por Igor Freitas e Rodrigo Rossi para receberem cartões amarelos no jogo contra o Maringá, na Série C do Brasileiro de 2025, em troca de dinheiro. Para um deles foi oferecido R$ 15 mil.
Em setembro passado, na deflagração da Operação Derby, o Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados de busca em Salvador e Itapema, em parceria com os órgãos de segurança da Bahia e de Santa Catarina. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e dois mandados de busca pessoal.
– É uma situação que chegou à Polícia Federal a notícia, e a Polícia Federal trouxe para o Gaeco, em razão da competência para investigação, dando conta de tentativas e tratativas de manipulação de resultado de uma partida do Campeonato Brasileiro da Série C do ano passado. Iniciamos as investigações, identificamos jogadores que teriam sido abordados e também, obviamente, quem os abordou – disse o promotor Jorge Barreto, coordenador do Núcleo de Londrina do Gaeco.
Segundo a denúncia do MP-PR, Igor Freitas fez contato com os jogadores pelo Instagram e pelo WhatsApp se apresentando como filho de Popó e “empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional”, “atuando em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias”.
Em seguida, ele encaminhava os números dos atletas para Rodrigo dar prosseguimento às conversas. Freitas se referia ao colega como alguém que lida “com mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil”.
A denúncia mostra que um dos jogadores procurados pelo trio foi o lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol. Em agosto de 2025, ele foi abordado por Rodrigo Rossi, que o enviou um áudio no WhatsApp seguido de uma mensagem de visualização única. O atleta, então, responde:
“Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”, respondeu Reinaldo, à tentativa de aliciamento.
De acordo com a investigação, os denunciados também tentaram aliciar jogadores de clubes das Séries B e C do Campeonato Brasileiro. Em um dos diálogos, Raphael orienta que Rodrigo “feche os 2 do Goiás e 1 do Sport”.
Igor Freitas, Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro foram denunciados pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, contemplados respectivamente na Lei 288 do Código Penal e na Lei Geral do Esporte (Lei 14.587/2023).
As penas podem variar de dois a seis anos de reclusão, além pagamento de multa. Além da condenação dos acusados às penas previstas na legislação, o MP-PR requereu judicialmente a determinação do pagamento de dano moral coletivo no valor de R$ 150 mil, como forma de reparação do prejuízo causado à integridade e à incerteza do resultado esportivo.
Em contato com a imprensa, a defesa de Igor Freitas alegou sua inocência, afirmou que “rechaça de forma veemente as acusações apresentadas, por entendê-las levianas e desprovidas de lastro fático e probatório consistente” e ainda contestou as evidências apresentadas na denúncia. A reportagem não obteve resposta das demais defesas até o momento, mas o espaço segue aberto.
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