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A Copa do Mundo deste ano tem sido chamada de “Copa dos Protagonistas”. Não é por acaso. Na maioria das seleções que seguem na briga pelo título, aqueles que chegaram ao Mundial para serem os líderes técnicos dos respectivos times vêm atendendo às expectativas. Em alguns casos, indo até além.

Mbappé x Hakimi

É o caso de Kylian Mbappé. Apesar de Michael Olise vir de grande campanha pelo Bayern de Munique (Alemanha) e de Ousmane Dembelé ser o atual vencedor do The Best, prêmio de melhor jogador da temporada concedido pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), não há dúvidas de que o atacante do Real Madrid (Espanha) é a estrela da companhia na França.

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O camisa 10 dos Bleus (apelido da seleção francesa) vive uma Copa ainda mais espetacular que as anteriores. Em cinco jogos, são sete gols. Falta apenas um para igualar desempenho do Mundial do Catar, em 2022, quando balançou as redes oito vezes em sete partidas, terminando a competição como artilheiro.

Nesta quinta-feira (9), Mbappé terá uma difícil missão. A partir de 17h (horário de Brasília), a França enfrenta Marrocos, em Boston (Estados Unidos), pelas quartas de final. Do lado dos Leões do Atlas (apelido do time marroquino) está Achraf Hakimi. O lateral-direito é a estrela da equipe e grande amigo pessoal do camisa 10 desde quando jogaram juntos no francês Paris Saint-Germain.

Neste que é o terceiro Mundial da carreira, Hakimi se tornou o africano com mais jogos (15) pelo torneio. Apesar de ser de uma posição teoricamente mais defensiva, ele tem um gol e duas assistências nesta Copa. O camisa 2 é o lateral (entre direitos e esquerdos) mais caro do mundo, segundo o site especializado Transfermarkt, ao lado do português Nuno Gomes. Ambos valem 80 milhões de euros (cerca de R$ 471,4 milhões).

Messi x Xhaka

Voltando a Mbappé, ele já acumula 19 gols em três Copas. São dois a menos que o argentino Lionel Messi, outro dos protagonistas que vêm superando as expectativas em 2026. Aos 39 anos, o craque também tem sete gols neste Mundial, com uma diferença: marcou em todos os cinco jogos que disputou – o francês passou em branco na vitória por 4 a 1 sobre a Noruega, na fase de grupos, mas deu duas assistências.

Se o camisa 10 da França ainda não precisou do modo “bombeiro”, o da Argentina já apagou dois “incêndios” na Copa. Na vitória por 3 a 2 sobre Cabo Verde, nos 16 avos de final, Messi fez um dos gols e participou dos outros dois. Nas oitavas de final, o craque liderou a virada histórica sobre o Egito, também por 3 a 2, cruzando para o zagueiro Cristian Romero descontar e balançando novamente as redes para empatar o cotejo.

Nas quartas, a Argentina de Messi terá pela frente a Suíça neste sábado (11), às 22h (horário de Brasília), em Kansas City (Estados Unidos). A seleção alpina é uma das mais experientes, com 18 dos 26 convocados já tendo disputado alguma Copa. O meia Granit Xhaka é o protagonista de um elenco onde o coletivo faz diferença e está na quarta participação mundialista da carreira. A primeira foi em 2014, no Brasil.

Xhaka ficou marcado por, em 2018, comemorar o gol diante da Sérvia cruzando as mãos para fazer o gesto da águia de duas cabeças, símbolo da bandeira da Albânia. Uma homenagem à origem albanesa-kosovar considerada provocativa pelos sérvios por questões geopolíticas. O meia do Sunderland (Inglaterra) balançou as redes uma vez nesta Copa, na goleada por 4 a 1 sobre a Bósnia e Herzegovina, na fase de grupos.

Haaland x Kane

Mas Messi e Mbappé não estão sozinhos na ponta da artilharia. Há um terceiro jogador com sete gols: Erling Haaland. O detalhe é que o norueguês atingiu a marca com um jogo a menos que os rivais, pois foi poupado na derrota para a França. Estreante em Copas, o atacante do Manchester City (Inglaterra) foi o “carrasco” do Brasil nas oitavas, marcando duas vezes no triunfo por 2 a 1.

Na cola do trio, vem Harry Kane. Ele chegou a 14 gols na história das Copas, ultrapassando Gary Lineker como maior artilheiro da Inglaterra no torneio. Nesta edição, foram seis bolas na rede. Algumas decisivas, como as da virada para cima da República Democrática do Congo), por 2 a 1, nos 16 avos de final, e o terceiro diante do México, no triunfo por 3 a 2, nas oitavas.

O curioso é que ambos poderiam estar na mesma seleção. Haaland nasceu na cidade inglesa de Leeds, em 2000, último ano do pai, o ex-lateral Alf-Inge Haaland, no Leeds United. O atacante viveu na Inglaterra até os quatro anos, quando se mudou para a Noruega. Sorte da nação escandinava, que, com o camisa 9 de protagonista, voltoua uma Copa após 28 anos.

Apenas um entre Haaland e Kane seguirá adiante no Mundial, já que Noruega e Inglaterra se enfrentam neste sábado, às 18h, em Miami (Estados Unidos), pelas quartas de final. Se os noruegueses já vivem a melhor campanha do país em Copas, os ingleses, campeões em 1966, tentam ir às semifinais pela terceira vez desde o título, igualando 1990 e 2018.

Yamal x Lukaku

Dos jogadores que chegaram à Copa como estrelas e ainda seguem na disputa do título, o mais jovem é Lamine Yamal. O atacante da Espanha completa 19 anos no próximo dia 13 de julho. Nesta edição, o craque do Barcelona fez apenas um gol, na vitória por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita, mas é dos pés dele, driblando e abrindo caminho pela ponta direita, que saem as jogadas ofensivas da Fúria (apelido do time espanhol).

No triunfo por 3 a 0 para cima da Áustria, nos 16 avos de final, Yamal buscou várias vezes o gol. Não fosse o goleiro Alexander Schlager, o revés austríaco teria sido mais elástico. Nas oitavas, contra Portugal, o atacante foi bem marcado por Nuno Mendes, não teve a mesma atuação e isso se refletiu na dificuldade encontrada pela Espanha para chegar à vitória, que veio nos acréscimos, por 1 a 0.

Em oposição à juventude de Yamal, a Bélgica tem a experiência de um dos expoentes do que ficou conhecido como geração dourada do país. Apesar de não ser titular, Romelu Lukaku mostrou que, aos 33 anos, ainda é decisivo. São três gols do atacante neste Mundial. Dois deles nas fases eliminatórias, iniciando a reação contra Senegal (de 0 a 2 para 3 a 2) e fechando a goleada sobre os Estados Unidos (4 a 1).

Os dois estarão frente a frente nesta sexta-feira (10), às 16h, em Los Angeles (Estados Unidos), em duelo que vale vaga na semifinal. A Espanha não chegava tão longe em uma Copa desde o título de 2010, conquistado dois dias antes de Yamal completar três anos. A Bélgica tenta repetir 2018 e ficar novamente entre os quatro melhores do mundo, quem sabe, mais uma vez, com Lukaku como protagonista.


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O Congresso Nacional e o governo federal estão prestes a concluir o debate em torno da proposta de renegociação das dívidas do setor agropecuário, segundo informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quinta-feira (9).

“Temos discutido a questão da dívida rural com representantes do setor no Congresso Nacional, deputados e senadores de diferentes comissões, já há algum tempo. Eu diria que há mais de um ano”, disse Durigan, em entrevista à Rádio Gaúcha.

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“Entendo e tenho dito que chegamos ao ponto final. E que, finalizadas as negociações, vamos editar uma medida provisória (MP), equilibrando a proposta do Congresso Nacional e o limite orçamentário do país”, acrescentou o ministro.

Segundo Durigan, o texto deve ser editado e publicado no Diário Oficial da União até a próxima semana. Por lei, qualquer medida provisória entra em vigor assim que é publicada, mas precisa ser posteriormente apreciada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, que têm até 120 dias para aprovar ou rejeitar a proposta.  

Durante a entrevista, o ministro antecipou alguns pontos que o Poder Executivo, o Congresso Nacional e representantes do setor agropecuário vêm discutindo, como o estabelecimento de um prazo de dez anos para os produtores rurais afetados por crises climáticas saldarem suas dívidas.

“Eu sempre propus seis anos para a renegociação com o agricultor inadimplente, porque teve problemas. A bancada ruralista sempre demandou dez anos. Chegamos em oito anos e agora estamos estudando estender o prazo para dez anos, em caso de perdas climáticas mais graves.”

Durigan explicou que, nesses casos, o produtor terá que comprovar que sofreu perdas graves por repetidas safras, devido a fenômenos climáticos severos como inundações e estiagem.

“Não podemos admitir que dinheiro público sirva de auxílio para quem não comprove perdas”, destacou, acrescentando que a negociação prevê que os produtores prejudicados por fenômenos climáticos terão até dois anos de carência para começar a pagar as dívidas renegociadas e que a MP deve estabelecer um limite de até R$ 8 milhões por CPF em caso de grandes produtores.

A MP também deve contemplar os agricultores prejudicados pela volatilidade do mercado, ou seja, pela extrema variação de preços. Estes, quando grandes produtores, poderão renegociar dívidas até o limite de R$ 4 milhões, caso o texto venha a ser aprovado conforme as mais recentes negociações.

Entre os aspectos ainda por definir estão as taxas de juros. De acordo com Durigan, umas das propostas em debate prevê taxa de 6% ao ano para o pequeno agricultor; 9% para o médio agricultor e, no máximo, 12% para o grande agricultor.

“Estamos fazendo as últimas contas, mas certamente estamos falando de taxas anuais sem precedentes no país”, disse o ministro.

Segundo ele, se aprovadas, as mudanças em debate vão representar mais R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões ao ano de custos ao pacote que, no geral, exigirá pouco mais de R$ 100 bilhões dos cofres públicos.

Durigan também comentou que há uma sugestão de criar de um fundo garantidor do agro, nos moldes do FGC usado pelo setor bancário.

“Para estruturar o setor, estamos prevendo [a possibilidade de] um fundo garantidor que o governo, os bancos e o setor privado possam capitalizar para que, no futuro, sirva como um fundo [de reparação] de primeiras perdas para o setor [agrícola].”

Por fim, o ministro disse que o governo federal defende a inclusão, na medida provisória, de novas regras para as instituições financeiras.

“Um dispositivo [legal, em debate] determina que [nas renegociações] os bancos deverão aceitar garantias dadas [pelos produtores] inadimplentes em operações anteriores. A outra determinação aos bancos é a proporcionalidade do tamanho da garantia. Várias pessoas me relataram que há bancos exigindo duas, três vezes, o valor da operação como garantia”, disse o ministro, defendendo a urgência da MP.

“[Representantes de] bancos com quem eu falo têm me reportado, nos últimos meses, um aumento da inadimplência por risco moral. “Olha, as regras devem mudar, então, não pague agora sua prestação”. Isto é muito ruim e vai prejudicar o crédito do agro no futuro”, concluiu Durigan.


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O deputado cassado Chiquinho Brazão, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, foi alvo nesta quinta-feira (9) de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga o desvio de verbas parlamentares.

A ação foi batizada de Operação Emendatio e contou com 60 policiais federais para cumprir dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão, todos na cidade do Rio.

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Um dos presos é Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor do irmão de Chiquinho, Domingos Brazão. Outro é Robson Calixto Fonseca. Domingos e Robson também foram condenados no caso Marielle Franco

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, corte máxima da Justiça no país e que investiga crimes que envolvem autoridades com foro especial, como deputados federais. Há casos, como o de Chiquinho Brazão, em que o STF continua com o processo, mesmo após de o réu deixar o cargo.

Chiquinho Brazão foi cassado pela Câmara de Deputados em abril de 2025, por causa do envolvimento na morte de Marielle Franco. 

Na Emendatio, o STF autorizou também bloqueio patrimonial no valor de R$ 100 milhões.

O esquema

A investigação da PF identificou que recursos vindos de emendas parlamentares federais eram destinados a organizações da sociedade civil (OSCs), no Rio de Janeiro, que mantinham contratos e parcerias com órgão da administração pública federal.

Parte dessa verba era desviada mediante pagamento indevidos e utilização de empresas de fachada e laranjas, prática criminosa na qual se faz uso de um nome para esconder os verdadeiros beneficiários.

“Há suspeita de irregularidades nas parcerias celebradas com as OSCs investigadas, tais como superfaturamento, de conluio entre empresas participantes das cotações de preços e de inexecução contratual”, informou a Polícia Federal.

A PF explicou que a ação tem como objetivo coletar provas, identificar mais envolvidos e aprofundar a análise financeira e patrimonial dos investigados, além de recuperar bens e valores que podem estar relacionados ao esquema.

A ação apura ainda crimes de peculato (delito cometido por funcionário público que se apropria, desvia, subtrai ou utiliza indevidamente dinheiro, bens ou outros valores relacionados ao cargo), lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Marielle Franco

Em fevereiro deste ano, o STF condenou os irmãos Brazão a 76 anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A então vereadora no Rio de Janeiro e o motorista foram mortos em 14 de março de 2018. A assessora de Marielle, Fernanda Chaves, sobreviveu ao atentado.

Domingos e Chiquinho Brazão foram condenados por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio qualificado. Robson Calixto Fonseca foi condenado por integrar organização criminosa armada.

Domingos era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro e Robson Calixto Fonseca era assessor no órgão.

Outros condenados pelo STF foram o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, enquadrado nos crimes de obstrução à justiça e corrupção passiva. O ex-policial militar (PM) Ronald Paulo Alves foi sentenciado por dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) condenou, em outubro de 2024, os dois executores do assassinato, os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio Queiroz.

Em abril de 2025, o STF autorizou a prisão domiciliar de Chiquinho Brazão

Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a defesa de Chiquinho Brazão não quis se manifestar.