Mandados foram cumpridos em 13 cidades; R$ 600 mil foram apreendidos e R$ 20 milhões bloqueados. Manga nega irregularidades e chama ação de “ato político”.
Operação “Copia e Cola” atinge gestão de Rodrigo Manga
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Copia e Cola, que apura um suposto esquema de desvios de recursos públicos na área da saúde em Sorocaba (SP). Entre os alvos da ação está o atual prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que ganhou notoriedade por seu uso massivo das redes sociais com vídeos curtos e chamativos, mas agora enfrenta o maior escândalo de sua carreira.
Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em 13 cidades dos estados de São Paulo e Bahia, incluindo a sede da Prefeitura de Sorocaba, a casa e o gabinete do prefeito, a Secretaria Municipal de Saúde, e imóveis ligados a ex-secretários e empresários próximos ao gestor.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões em bens e valores, além da apreensão de cerca de R$ 600 mil em dinheiro vivo, parte dele encontrado em um porta-malas de carro. O caso, que teve início em 2022, envolve ainda organizações sociais contratadas pela prefeitura, apontadas como beneficiárias de contratações suspeitas.
Alvos da operação: políticos, empresários e OS investigada
Entre os principais nomes investigados estão o ex-secretário da Saúde Vinicius Rodrigues, o ex-secretário de Governo e Administração Fausto Bossolo, e o empresário Marco Silva Mott, amigo pessoal de Manga. Este último é suspeito de atuar como lobista e de lavar dinheiro público por meio de contratos firmados com a administração.
Na residência de Mott, os policiais apreenderam três veículos de luxo. O empresário também é citado em uma ação cível envolvendo a compra superfaturada de um prédio destinado à Secretaria de Educação, que teria causado prejuízo superior a R$ 10 milhões aos cofres públicos.
Outra frente da investigação mira a Organização Social Aceni, responsável pela gestão de unidades de saúde em Sorocaba. A entidade teve a contratação suspensa por ordem judicial. O presidente da OS também foi alvo da operação, com mandados cumpridos no município de Socorro (SP).

Reações de Rodrigo Manga e defesa nas redes sociais
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito minimizou a operação da PF e adotou tom de deboche: “Mandaram a Polícia Federal aqui em casa por causa da denúncia. E acharam algumas coisas aqui em casa: bolo de cenoura, Nutella e o Pokémon que meu filho tanto ama”, disse, tentando ironizar a gravidade da situação.
Durante coletiva, Rodrigo Manga afirmou não saber se é formalmente investigado ou indiciado, e disse que a polícia levou apenas a cópia da chave de seu carro. Sobre os R$ 600 mil apreendidos, garantiu que “nenhuma daquelas imagens” foi registrada em sua residência.
Ele também classificou a ação como uma retaliação política à sua crescente visibilidade pública e midiática. Disse ainda que parte da Justiça e da PF atuam com viés eleitoral, mirando sua gestão como forma de enfraquecer sua imagem pública.
Acusações envolvem série de contratos irregulares e superfaturamento
Além das suspeitas em contratos da saúde, Manga já é citado em outras investigações envolvendo gastos públicos vultuosos. Entre os casos em andamento está a compra de kits de robótica no valor de R$ 26 milhões, cuja regularidade é questionada pelo Ministério Público e que resultou no bloqueio judicial de contas do prefeito.
Também pesa contra a gestão a condenação judicial por superfaturamento de imóvel adquirido para abrigar a Secretaria de Educação. Dois secretários da atual gestão foram condenados à prisão por envolvimento no caso.
A Prefeitura divulgou nota oficial afirmando colaborar com as autoridades e denunciando a atuação de “forças ocultas” que agem contra políticos que se colocam como alternativa ao sistema tradicional.
Crimes investigados e cidades com mandados da PF
Os investigados poderão responder pelos seguintes crimes:
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Corrupção passiva
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Corrupção ativa
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Lavagem de dinheiro (ocultação de capitais)
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Peculato
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Frustração de licitação
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Contratação direta ilegal
As cidades onde os mandados de busca foram cumpridos incluem:
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Sorocaba (SP)
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Araçoiaba da Serra (SP)
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Votorantim (SP)
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Itu (SP)
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São Bernardo do Campo (SP)
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São Paulo (SP)
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Santo André (SP)
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São Caetano do Sul (SP)
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Santos (SP)
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Socorro (SP)
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Santa Cruz do Rio Pardo (SP)
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Osasco (SP)
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Vitória da Conquista (BA)
Mais de 100 agentes da Polícia Federal participaram da operação, que ainda está em andamento.
Investigação teve início em 2022 e segue sem conclusão
A apuração teve início em 2022, após suspeitas de fraudes em contratos firmados com a organização social investigada. Segundo depoimento do ex-secretário da saúde, todas as contratações acima de R$ 1 milhão passavam diretamente pelo prefeito, conforme a legislação municipal vigente.
O caso continua sob análise da Polícia Federal e do Ministério Público, com novas fases da operação não descartadas. Até o momento, não houve prisões, mas o cerco jurídico e político ao prefeito Rodrigo Manga se intensifica.
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