Proposta elimina IR para renda até R$5 mil e tributa os mais ricos

O ministro Fernando Haddad, à frente da Fazenda, encaminhou ao Congresso um projeto que extingue o Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, beneficiando mais de 10 milhões de brasileiros. Para compensar a perda de arrecadação estimada em R$ 35 bilhões, o governo propõe tributar quem ganha mais, atingindo principalmente rendimentos superiores a R$ 600 mil por ano.
Haddad defende que a medida promove justiça fiscal, pois quem menos tem deixa de pagar o IR, enquanto há uma compensação de quem mais lucra. A proposta prevê alíquotas em torno de 10% para os super‑ricos, igualando sua tributação à de professores da rede pública.
Além da isenção, o texto também sugere taxação de lucros, dividendos e offshores, e ajustes progressivos no IR mais amplo, incluindo faixas entre R$ 5 mil e R$ 7 mil mensais.
Por que a proposta agrada a muitos
- Alívio para classe média e baixa
A isenção dá mais poder de compra a 10 milhões de famílias, liberando recursos para consumo e investimento. - Justiça fiscal e combate à desigualdade
Atualmente, muitos super‑ricos pagam pouco ou nada de IR. A proposta corrige essa distorção. - Neutralidade fiscal
O governo argumenta que a medida é neutra em arrecadação: quem ganha menos paga zero, e quem ganha mais paga mais — sem alterar o total tributado.
Críticas e desafios da proposta
- Risco de evasão de capitais
Tributos maiores podem incentivar a migração de rendimentos ao exterior ou em estruturas como offshores. - Arrecadação menor que o previsto
Estimativas sugerem que apenas R$ 25 bilhões podem ser arrecadados, abaixo dos R$ 35 bilhões previstos. - Impacto limitado na desigualdade real
Especialistas afirmam que o efeito na economia será moderado, beneficiando mais parte da classe média do que os mais vulneráveis. - Complexidade de implementação
Tributar renda global, dividendos e offshores requer reforço na fiscalização e acordos internacionais, o que pode ser demorado.
Por que a direita e os mais ricos rejeitam a proposta
Deputados da base conservadora e representantes de elites econômicas se opõem ao projeto por diferentes razões. A principal crítica é que ele aumenta a carga tributária sobre investidores, empresários e grandes rentistas, setores que tradicionalmente apoiam esses grupos políticos.
Além disso, muitos parlamentares argumentam que a taxação de dividendos e aplicações financeiras pode desestimular investimentos privados e prejudicar o ambiente de negócios no Brasil. Outra preocupação é que a proposta de Haddad concentra arrecadação no governo federal, tirando espaço de estados e municípios para propor seus próprios ajustes.
Na prática, a proposta reduz privilégios de quem hoje usa brechas legais para pagar menos impostos. Isso afeta diretamente grandes fortunas e heranças, além de pressionar empresas que utilizam estruturas como offshores para fugir da tributação.
Contexto político e próximos passos
O projeto já foi enviado ao Congresso e conta com apoio do presidente Lula. O governo busca aprová-lo para vigorar em 2026, com a reforma também incluindo isenção para a faixa de R$ 5 mil a R$ 7 mil.
Haddad informou que está aberto a ajustes no projeto e quer evitar impactos fiscais negativos no mercado. Parlamentares ainda precisam discutir mecanismos eficazes para garantir a neutralidade e eficácia da medida.
Nota:
Esta matéria é original e baseada em fontes oficiais como O G1, O Globo, Agência Brasil, Câmara e relatórios econômicos. Atualizações poderão ser feitas conforme a tramitação.
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