Novo levantamento aponta divisão regional na avaliação do governo Lula e comparação negativa com mandatos anteriores

A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (4), aponta que 54% dos brasileiros aprovam o governo Lula (PT), enquanto a desaprovação se concentra nas regiões onde Jair Bolsonaro (PL) foi mais votado em 2022. A sondagem foi feita entre os dias 29 de maio e 1º de junho com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, presencialmente, em todas as regiões do país.
Apesar da maioria aprovar a gestão, 44% dos entrevistados consideram o atual governo pior que o de Bolsonaro, e 40% afirmam o contrário. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, as duas respostas estão tecnicamente empatadas. Outros 13% avaliam que o governo atual é igual ao anterior, e 3% não souberam responder.
A divisão reflete polarização regional e ideológica: nas regiões Norte e Nordeste, o presidente mantém índices robustos de apoio, enquanto no Sul, Centro-Oeste e partes do Sudeste — redutos bolsonaristas — o governo enfrenta mais resistência.
Comparação com gestões anteriores de Lula indica queda na expectativa dos eleitores
Um dos pontos mais sensíveis da pesquisa é a comparação com os dois primeiros mandatos de Lula, de 2003 a 2010. Para 56% dos entrevistados, o atual governo está pior que os anteriores. Apenas 20% consideram que está melhor e outros 20% acham que está igual. Os dados indicam uma piora na percepção em relação à rodada de março, quando 53% achavam o atual mandato inferior.
A frustração também aparece na expectativa pessoal dos eleitores. Segundo o levantamento, 45% dizem que o governo Lula está abaixo do que esperavam, uma alta de 12 pontos percentuais em relação a outubro de 2024, quando eram 33%. Apenas 16% afirmam que a gestão está melhor que o esperado, enquanto 36% dizem que está na média.
Esse desgaste na comparação interna reflete uma cobrança maior sobre o desempenho atual, especialmente após uma campanha que prometia reconstrução nacional, estabilidade econômica e retomada da confiança internacional.
Aprovação nacional recua, mas se mantém acima dos 50%
Apesar do aumento na percepção negativa, a aprovação geral ainda é positiva e maioria: 54% aprovam a forma como Lula governa o país, segundo os dados da Quaest. Trata-se de uma queda em relação a períodos anteriores, mas ainda superior ao pior índice do atual mandato, registrado agora em 40% de aprovação numérica direta, o menor patamar desde janeiro de 2023.
Essa oscilação negativa coincide com crises recentes enfrentadas pela administração federal. Entre elas, o escândalo de desvios no pagamento de aposentadorias e pensões do INSS, que 31% dos entrevistados atribuem ao governo federal.
Além disso, há o debate sobre a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A tentativa do governo de modificar o tributo para ampliar a arrecadação recebeu críticas severas de congressistas e entidades do setor financeiro, o que forçou o Ministério da Fazenda a recuar de alguns pontos e prometer ajustes até o fim da semana.
Polarização regional segue como fator central na aprovação do governo
A pesquisa reforça que Lula mantém índices elevados de aprovação em áreas historicamente petistas, como o Nordeste, onde seus programas sociais e a atuação direta do governo são mais valorizados. No entanto, em regiões onde Bolsonaro venceu em 2022, como o Sul e o Centro-Oeste, há uma forte desaprovação, o que puxa para baixo a média nacional.
Essa disparidade regional evidencia um Brasil politicamente dividido, onde a avaliação do governo está diretamente ligada ao voto anterior. A polarização que marcou as eleições presidenciais continua refletida nas pesquisas de opinião.
No cenário atual, o desafio do Planalto será reverter a tendência negativa nas regiões mais resistentes e, ao mesmo tempo, consolidar o apoio onde ele ainda é majoritário, buscando manter sua base social ativa em meio a pressões fiscais e críticas políticas.

