Sergio Massa e Javier Milei definem a presidência da Argentina em 2º turno histórico

A Argentina enfrenta uma decisão crucial entre o oficial e o adversário, com o mapa político já reconfigurado.

Javier Milei e Sergio Massa se enfrentam no segundo turno que define a presidência. Foto: AP

O segundo turno histórico na Argentina entre Sergio Massa e Javier Milei redefine o cenário político em meio a uma economia instável e desafios sociais. As promessas de mudança e alianças políticas complicam a escolha para os eleitores, enquanto a incerteza na participação eleitoral acrescenta um elemento imprevisível. A campanha, marcada por acusações e controvérsias, reflete a complexidade deste momento crucial na política argentina.

Sergio Massa ou Javier Milei – essa é a escolha que os argentinos enfrentam no segundo turno histórico que define a presidência do país. O equilíbrio entre o ministro da Economia, representante da Frente União para a Pátria, e o libertário que surpreendeu ao ser o mais votado na PASO, promete redefinir o cenário político argentino, independentemente do resultado final.

Esta corrida eleitoral exaustiva ocorre em um momento crítico, com a Argentina enfrentando uma inflação de 31 anos, 40% de pobreza e uma década de estagnação econômica. As migrações de votos dos outros candidatos, o comparecimento e os eleitores indecisos emergem como variáveis-chave que podem determinar o vencedor deste segundo turno.

Promessas de Mudança

Ambos os candidatos, incluindo o partido no poder, destacam a necessidade urgente de mudança. As promessas incluem a organização das contas públicas, a recuperação dos salários, a redução da inflação e medidas contra a insegurança. Massa apela aos independentes com a promessa de um governo de unidade nacional, enquanto Milei destaca sua abordagem de ajuste através da política, reforçando a dolarização e o fechamento do Banco Central.

A Disputa de Votos

Na corrida até o segundo turno, Massa acumulou votos significativos, vencendo em 13 das 24 províncias, enquanto Milei, embora surpreendendo na PASO, viu um aumento mais modesto em sua contagem total. A influência de figuras proeminentes, como o ex-presidente Mauricio Macri, respaldando Milei, adiciona uma camada intrigante à dinâmica política.

Alianças e Posicionamentos

Milei, com seu discurso anticasta, recebeu apoio explícito de Macri e outros membros do PRO, enquanto a oposição se mostrou dividida entre acenos positivos e negativos em relação ao candidato libertário. O governador de Córdoba, Juan Schiaretti, figura chave no segundo distrito eleitoral, indicou seu descontentamento com o “Ministro da Economia do governo Kirchner”.

Massa Busca Coroar sua Carreira

Para Sergio Massa, este segundo turno representa a chance de coroar três décadas de carreira política tumultuada. Ministro da Economia desde agosto de 2022, ele busca tornar-se presidente em sua segunda tentativa, assumindo um papel atípico em um país hiperpresidencialista, destacando-se pela gestão durante o afastamento de Alberto Fernández.

Expectativas para o Segundo Turno

Massa conseguiu agregar apoios de governadores, prefeitos, líderes empresariais e políticos com histórico comum, consolidando uma campanha que busca marcar uma nova fase para o peronismo, sem a liderança histórica do kirchnerismo. Resta saber se esses apoios institucionais se traduzirão em votos nas urnas.

Incerteza na Participação Eleitoral

A incerteza paira sobre a participação eleitoral, com índices relativamente baixos nas primárias e eleições gerais. O feriado de segunda-feira e o desencanto com as opções eleitorais podem influenciar negativamente o comparecimento às urnas, tornando imprevisível tanto o resultado quanto o quão representativa será a voz do povo.

Campanha Marcada por Acusações e Controvérsias

A campanha eleitoral foi marcada por propostas escassas e acusações cruzadas entre os candidatos. Incidentes de alegada fraude e denúncias mútuas adicionaram uma camada de controvérsia, destacando a tensão política que precede esta decisão histórica. A história eleitoral recente, no entanto, sugere que a vitória não é garantia para o partido no poder.