Cantor encerrou o sábado com repertório familiar e participação de músicos brasileiros, mas público se dispersou ao longo da apresentação.
Uma apresentação grandiosa, mas previsível
Meses após sua última vinda ao Brasil, Shawn Mendes retornou neste sábado (29) como headliner do Lollapalooza 2025. O cantor canadense, que recentemente lançou o álbum Shawn, tinha a oportunidade de surpreender o público com um setlist renovado, mas optou por uma performance bastante similar à que fez no Rock in Rio 2024.
A sequência inicial do show foi praticamente a mesma de sua última passagem pelo país. Shawn abriu com “Holding Me Back”, seguido por “Wonder”, “Treat You Better”, “Monster” e “Lost in Japan”, recriando o começo de sua apresentação anterior. O diferencial ficou por conta da estrutura do palco, que ganhou um cenário mais elaborado, efeitos de luzes e fogos de artifício, além de um telão adicional.
Entre as músicas, Shawn conversou pouco com o público, mas reconheceu o carinho dos fãs brasileiros. “Fazia muito tempo que eu não vinha para cá”, comentou. Percebendo a reação tímida da plateia, ele logo completou: “Nessa cidade”.
Repertório e mudanças na sonoridade
Diferente de grandes performers pop, Shawn Mendes se posiciona mais como um cantor-compositor, à la Ed Sheeran e John Mayer. Essa escolha artística ficou ainda mais evidente com o lançamento de Shawn, que trouxe arranjos folk e letras introspectivas, apostando em um estilo mais orgânico.
A apresentação no Lollapalooza reforçou essa fase, incluindo instrumentos como violino e pandeiro na canção “Isn’t That Enough (Group of Friends)”. No entanto, músicas mais suaves fizeram com que parte do público perdesse o interesse. Tentando manter a conexão, Mendes incentivou coros e refrãos, mas nem sempre obteve sucesso.
O momento mais emotivo do show veio antes de “Heart of Gold”, quando o cantor falou sobre a perda de um amigo próximo. No entanto, o som alto do palco eletrônico acabou ofuscando seu discurso, criando uma cena anticlimática.
Homenagem ao Brasil e reação do público
Buscando se conectar com os fãs brasileiros, Shawn Mendes convidou músicos locais para adicionar uma pegada mais tropical à sua apresentação. Com tambores, guitarra e percussão de samba, o momento mais marcante veio no fim de “Youth”. Apesar da bela homenagem, Shawn esqueceu de mencionar os nomes dos músicos, incluindo a renomada Silvanny Sivuca, mestra de bateria.
Ainda assim, a plateia queria ouvir os grandes hits. O público reagiu mais intensamente nos sucessos “Mercy” e “Stitches”, mas perdeu o ritmo nas músicas mais introspectivas. Para piorar, a programação do dia já atraía menos espectadores, e muitos deixaram o local antes do fim, especialmente após o show de Alanis Morissette.
Para os que permaneceram até o final, Shawn Mendes entregou uma sequência poderosa com “If I Can’t Have You”, “Why Why Why” e “In My Blood”. No entanto, ficou evidente que o cantor ainda busca equilíbrio entre um show intimista e uma apresentação de festival. No fim, acabou ficando no meio do caminho.
Conclusão: Shawn Mendes ainda busca seu espaço nos festivais
O show no Lollapalooza 2025 trouxe momentos belos, mas irregulares. Embora tecnicamente impecável e bem produzido, faltou inovação no repertório e uma conexão mais forte com o público do festival.
Shawn Mendes mostrou que ainda tem um público fiel no Brasil, mas se quiser se firmar como um dos grandes nomes dos festivais internacionais, precisará reinventar sua apresentação para surpreender e engajar a plateia do começo ao fim.

