Tribunal esportivo apura suposta infração disciplinar cometida em 2023
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) abriu um inquérito disciplinar para investigar o atacante Bruno Henrique, do Flamengo. A decisão ocorre após o jogador ser indiciado pela Polícia Federal no mês passado, acusado de ter forçado um cartão amarelo para beneficiar apostadores, entre eles familiares, durante um jogo contra o Santos, válido pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2023.
O presidente do STJD, Luís Otávio Veríssimo Teixeira, recebeu oficialmente o material da investigação na última segunda-feira (5) e, com base no conteúdo, determinou a instauração do inquérito. O auditor Maxwell Borges de Moura Vieira foi nomeado para conduzir a apuração, com prazo inicial de 15 dias, prorrogáveis por mais 15, para apresentar relatório conclusivo.
Apesar da gravidade das acusações, Bruno Henrique segue atuando normalmente, já que não houve pedido de suspensão preventiva. Desde o indiciamento, ele participou de seis jogos pelo Flamengo, sem gols ou assistências.

Despacho oficial do STJD detalha as providências
O despacho emitido pelo STJD foi baseado no artigo 81 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e traz informações detalhadas sobre o compartilhamento de provas e a nomeação do auditor responsável. Veja o conteúdo na íntegra:
“Informo que, em resposta às solicitações de compartilhamento formuladas pelo Presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e pelo Procurador Geral da Justiça Desportiva, a cópia integral do Inquérito Policial nº 2024.0082027-CGRC/DICOR/PF (PJe nº 0741636-90.2024.8.07.0001) foi oficialmente encaminhada a este Tribunal pelo Coordenador de Repressão à Corrupção da Polícia Federal, Delegado Daniel Mostardeiro Cola, nos termos de autorização judicial expressa para ‘compartilhamento dos dados da presente investigação com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva, pois pertinente com as atividades desenvolvidas pelo referido órgão’.
Considerando o conteúdo compartilhado em 5 de maio de 2025 e com fulcro nas atribuições conferidas pelo art. 81 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), determino de ofício a instauração de inquérito para apurar possível infração disciplinar cometida pelo atleta Bruno Henrique Pinto, do Clube de Regatas do Flamengo (CRF), relacionada a suspeita de manipulação de resultados.
Nos termos do art. 82 do CBJD, o Auditor Processante, Dr. Maxwell Borges de Moura Vieira, disporá do prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período, para conduzir a apuração e para apresentar relatório conclusivo.
Abra-se vista à Procuradoria do STJD para acompanhar o presente feito.”
Justiça nega sigilo e permite compartilhamento de provas
No início do mês, a Justiça do Distrito Federal negou um pedido de familiares de Bruno Henrique para impor sigilo ao caso. O juiz Fernando Brandini Barbagalo autorizou que as provas colhidas até agora fossem compartilhadas com o STJD e também com a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, em andamento no Senado.
Além disso, a Justiça rejeitou um recurso da defesa do jogador que tentava impedir esse compartilhamento, alegando prejuízo à imagem do atleta.
PF vê combinação para forçar cartão amarelo
O caso veio à tona após a Polícia Federal identificar movimentações atípicas em sites de apostas relacionadas ao jogo entre Flamengo e Santos, em 2023. Segundo o inquérito, 98% das apostas sobre cartões amarelos naquela partida foram direcionadas a Bruno Henrique, indicando uma possível tentativa de manipulação.
O atacante entrou em campo pendurado e recebeu o terceiro cartão nos acréscimos do segundo tempo, após falta dura em Soteldo. Depois da advertência, ele reclamou com veemência e acabou sendo expulso.
Parentes e amigos do jogador também foram indiciados
Além de Bruno Henrique, outras nove pessoas foram indiciadas, entre elas seu irmão Wander Nunes Pinto Júnior, a cunhada Ludymilla Araújo Lima, e a prima Poliana Ester Nunes Cardoso, que teriam feito apostas sabendo da advertência planejada. Outro grupo de amigos do irmão também entrou na mira da PF.
Bruno Henrique e Wander foram indiciados por fraude esportiva, com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, cuja pena pode chegar a seis anos de prisão, além de estelionato, com pena de até cinco anos. Os demais foram indiciados apenas por estelionato.
Mensagens reforçam suspeita de armação
Durante a operação de busca e apreensão realizada em novembro de 2024, a Polícia Federal apreendeu o celular de Bruno Henrique. Em conversas com o irmão, foi identificado um diálogo em que Wander pergunta: “Quando você vai tomar o terceiro amarelo?”, e o jogador responde: “Contra o Santos”.
Essas mensagens, somadas aos padrões de apostas atípicas, reforçaram as suspeitas de que houve manipulação intencional para obtenção de lucro em sites de apostas.
Processo pode influenciar futuro do atacante
O inquérito aberto pelo STJD pode representar um ponto de virada na carreira de Bruno Henrique. Se as acusações forem confirmadas, o atleta poderá ser punido esportivamente, com suspensão ou até banimento, dependendo da gravidade e da decisão final do tribunal.
Enquanto isso, o Flamengo mantém a postura de cautela, sustentando a presunção de inocência e aguardando os desdobramentos do caso antes de tomar qualquer medida contra o jogador.

