
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o pastor Silas Malafaia se reuniram nesta quarta-feira (3.set.2025), no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, para tratar de dois assuntos centrais no cenário político: a organização do ato de 7 de Setembro e a articulação em torno de um projeto de anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de Janeiro.
O encontro contou ainda com a presença do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara. Segundo ele, o foco oficial foi o planejamento da manifestação, mas admitiu que a anistia “pode sair em algum momento”.
Estratégia da oposição
Na véspera, parlamentares de oposição se reuniram na casa do deputado Coronel Zucco (PL-RS) para acompanhar o julgamento de Jair Bolsonaro no STF e alinhar a estratégia para concentrar esforços na proposta de anistia. Outras pautas, como a PEC da blindagem e o fim do foro privilegiado, foram deixadas de lado.
Tarcísio também esteve em Brasília para buscar apoio à medida e se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo lideranças, o engajamento do governador paulista foi decisivo para que o Republicanos e parte do Podemos aderissem à proposta.
A expectativa da oposição é de que o projeto seja aprovado em votação relâmpago: aprovação de urgência seguida de análise direta no plenário. Segundo cálculos internos, mais de 300 votos já estariam assegurados — número suficiente para passar a medida, que exige 257.
Contexto e divisões
A proposta de anistia é defendida como forma de beneficiar Bolsonaro e seus aliados, embora o ex-presidente, em entrevistas, tenha negado que o objetivo fosse pessoal. Mesmo inelegível até 2030, Bolsonaro poderia ter processos suspensos.
O tema, porém, gera divisões. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que pretende apresentar um texto alternativo e considera que o país tem “outras prioridades”. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, rebateu, dizendo que Alcolumbre não deve redigir propostas, apenas conduzir os trabalhos legislativos.
Tarcísio, apontado como potencial herdeiro do bolsonarismo em 2026, também foi alvo de críticas de Eduardo Bolsonaro, que, em áudios revelados pela PF, cobrava maior empenho do governador pela aprovação da anistia.
Enquanto isso, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e Malafaia segue com medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes, como a proibição de deixar o país e de se comunicar com outros investigados do núcleo mais próximo do ex-presidente.
Descubra mais sobre Nitro News Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

