Oficial responde pela morte da soldado Gisele Alves e por fraude processual; Conselho de Justificação definirá perda de posto e expulsãoSoldado Gisela: Policia investiga tenete-coronel por feminicidio Foto: Instagram
Alerta: O texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher e violência doméstica. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
Três coronéis da Polícia Militar de São Paulo foram oficialmente designados para conduzir o Conselho de Justificação que analisará a permanência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto nas fileiras da corporação. O oficial, que foi transferido para a reserva na última semana, encontra-se preso sob a acusação de feminicídio e fraude processual, em um caso que gerou forte comoção interna na instituição.
A formação deste conselho foi formalizada no Diário Oficial por ato do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. O procedimento administrativo é o rito padrão para oficiais e visa avaliar se a conduta de Rosa Neto feriu o decoro da classe e a ética militar, tornando-o indigno para o oficialato, mesmo após sua passagem para a inatividade.
Segundo o documento oficial, o processo será conduzido integralmente em formato digital, garantindo ao tenente-coronel o direito à ampla defesa e ao contraditório. A utilização do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) visa dar celeridade ao caso, que possui um prazo inicial de 30 dias para conclusão, com possibilidade de prorrogação por mais 20 dias caso novas diligências sejam necessárias.
Ao final dos trabalhos, o colegiado de coronéis emitirá um parecer recomendando desde a absolvição administrativa até sanções mais severas, como a declaração de indignidade. No entanto, a decisão final sobre a perda do posto e da patente cabe exclusivamente ao Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP), que revisará o processo e definirá a punição administrativa definitiva.
Geraldo Leite Rosa Neto é réu confesso em instâncias judiciais distintas pela morte de sua ex-mulher, a soldado Gisele Alves Santana. A militar foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça no dia 18 de fevereiro, no interior do apartamento onde o casal residia, na região central de São Paulo. Enquanto o Conselho de Justificação cuida do âmbito disciplinar, o crime de feminicídio segue tramitando na Justiça Comum.
Em sua defesa, o tenente-coronel nega veementemente o envolvimento direto na morte da soldado. Ele sustenta a versão de que Gisele teria atentado contra a própria vida, tese que é contestada pela perícia técnica e pelas investigações da Polícia Civil, que apontam indícios de fraude processual na cena do crime, supostamente para simular um suicídio.
🔍 O que se sabe sobre o julgamento do tenente-coronel
O julgamento administrativo é uma etapa fundamental para que a Polícia Militar possa excluir oficiais que cometam crimes hediondos ou graves desvios de conduta. Caso o TJM-SP decida pela perda do posto, Rosa Neto deixa de ser considerado oficial da PM e perde os benefícios e prerrogativas da patente. A celeridade no processo é vista como uma resposta da Secretaria de Segurança Pública à gravidade do feminicídio cometido contra uma colega de farda.
A investigação criminal paralela reuniu depoimentos e laudos balísticos que colocam o oficial no centro da autoria do disparo. A morte de Gisele Alves Santana tornou-se um símbolo da luta contra a violência doméstica dentro das forças de segurança, motivando palestras e reforço em programas de apoio psicológico para mulheres militares em situação de vulnerabilidade em todo o estado.
O Nitro News Brasil continuará acompanhando os desdobramentos tanto no Tribunal de Justiça Militar quanto no Tribunal do Júri, onde o oficial deve ser submetido ao julgamento popular pelo crime de feminicídio. A expectativa é que o parecer dos três coronéis seja entregue até o final do próximo mês, definindo o futuro administrativo do ex-comandante na PMESP.
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