Interesse dos EUA nos minerais estratégicos brasileiros

🧠 EM RESUMO
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EUA têm interesse direto nos minerais críticos do Brasil, segundo presidente do Ibram;
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Representante da embaixada americana reforçou esse interesse em reunião com setor privado;
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Terras raras são essenciais para tecnologia e energia, com grandes reservas no Brasil e China;
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Trump impôs tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, gerando tensão diplomática;
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Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras e outros minerais estratégicos como nióbio e lítio;
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Governo brasileiro busca agregar valor interno aos minérios, com foco em inovação e parcerias.
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, afirmou nesta quinta-feira (24) que o governo dos Estados Unidos voltou a manifestar interesse nos minerais críticos e estratégicos (MCEs) do Brasil. Segundo ele, o recado foi transmitido por Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada americana no país.
🔍 Os minerais críticos são insumos centrais na economia atual e futura. São utilizados em tecnologias de ponta, como chips de celular, computadores e na chamada transição energética.
🔍 Grande parte desses recursos pertence ao grupo das terras raras, consideradas tão relevantes que os EUA já assinaram acordos com China e Ucrânia para garantir o acesso a elas. O Brasil figura como uma das maiores reservas mundiais desses elementos.
Reuniões com setor privado e limites de negociação
De acordo com Jungmann — que foi ministro da Segurança no governo Michel Temer —, Escobar abordou o tema durante reuniões com representantes do setor privado. O Ibram é uma entidade privada, sem poder de negociação institucional com governos estrangeiros.
“O encarregado de negócios da embaixada não falou em realizar acordos, etc. O que ele disse foi que os EUA têm interesse nos MCEs, o que, aliás, já havia sido dito por ele três meses atrás”, relatou Jungmann.
O presidente do Ibram enfatizou a posição da entidade:
“Dissemos que a pauta de negociações é privativa do governo. E que pretendíamos negociar com o setor privado de lá.”
Tarifa de 50% e clima de tensão diplomática
A conversa ocorreu em um momento de tensão diplomática, agravado pela decisão dos EUA — sob liderança do ex-presidente Donald Trump — de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao país. A medida passa a valer em 1º de agosto.
Escobar também tem dialogado com autoridades brasileiras sobre essa tarifa agressiva. O governo Lula considera a decisão politicamente motivada, apontando como causa possíveis retaliações do governo americano às decisões do STF, especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O protagonismo do Brasil no setor mineral global
O protagonismo do Brasil nos minerais estratégicos ainda é pouco conhecido pelo grande público, mas tem despertado o interesse de governos e empresas em todo o mundo.
O país possui vasta riqueza mineral, com destaque para o nióbio, lítio, grafite, cobre, cobalto, urânio e os elementos terras raras. Esses materiais são fundamentais para tecnologias como carros elétricos, energia solar, chips e até mísseis hipersônicos.
Com o avanço da transição energética e a corrida tecnológica entre China e Estados Unidos, cresce a pressão para garantir acesso a essas matérias-primas estratégicas.
O desafio do Brasil: sair da exportação bruta
O Brasil é um dos poucos países com potencial para liderar no setor de minerais estratégicos. Além das reservas, tem matriz energética limpa, estabilidade territorial, tradição mineradora e conhecimento técnico em instituições como o Serviço Geológico do Brasil e a CPRM.
O grande desafio, no entanto, é agregar valor aos minérios antes de exportá-los. Isso significa desenvolver capacidade nacional de refino e transformação industrial.
Entre os minerais mais cobiçados estão os elementos terras raras, presentes em turbinas eólicas, chips e sistemas de defesa. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o Brasil tem a segunda maior reserva mundial desses elementos, atrás apenas da China, que domina a produção global.
O governo brasileiro já sinalizou o interesse em mudar esse cenário, com incentivos à transformação mineral, parcerias com centros de pesquisa e investimentos em inovação para gerar desenvolvimento local.
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