Após um ano, Petropólis ainda se recupera de tragédia que causou 241 mortes

Um ano após chuvas que mataram mais de 240 pessoas, Petrópolis enfrenta riscos de deslizamentos e famílias afetadas vivem em constante insegurança.

Um ano da tragédia de Petrópolis. Chuvas de fevereiro de 2022 provocaram vários deslizamentos e deixaram 244 mortos Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Petrópolis ainda enfrenta riscos de deslizamentos um ano após as chuvas que mataram 241 pessoas. Mais de cem pontos que foram afetados pelas chuvas ainda não foram reconstruídos, e a prefeitura e o estado ainda não assumiram a responsabilidade de fazer essas intervenções em áreas de risco. A cidade ainda tem trechos de grande risco para a população. O professor de engenharia geotécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Barreto, afirmou que há a possibilidade de novos deslizamentos. A promotora da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Petrópolis, Zilda Januzzi Beck, afirma que a prefeitura fez intervenções para que a cidade retomasse seu funcionamento, enquanto o estado ainda faz licitações para alguns projetos.

Famílias afetadas

As famílias afetadas ainda sofrem com as perdas e vivem em constante insegurança. Adalto, que perdeu a esposa, a filha de seis anos e o filho Lucas, afirmou que é uma dor que vai carregar para sempre. Apenas a esposa e a filha foram encontradas, mas Lucas ainda está desaparecido. Ele relata que não consegue dormir, apenas pensa em onde está o filho e que não pode nem sequer visitá-lo no cemitério, como fez com a esposa e a filha no Dia dos Finados. Camila Lyrio, que deixou o Morro do Alto da Serra com a família, afirmou que as pessoas buscaram regiões mais seguras, mas a cidade ainda vive em constante risco.

Investimentos em contenção de encostas

O estado investiu mais de R$ 255 milhões em contenção de encostas, reconstrução de ruas e no reforço estrutural do túnel extravasor. Outros R$ 147 milhões serão destinados a obras que ainda aguardam licitação. Já a prefeitura de Petrópolis afirma que 48 das 129 obras assumidas pelo município foram concluídas no ano passado. Contudo, a maioria das áreas afetadas pelo desastre ainda não teve qualquer intervenção, e os sobreviventes ainda convivem com a insegurança de novos desmoronamentos e enchentes.