Autor: Clayton Lima

Uma pessoa apaixonada por esportes, que aprecia a energia e a conexão que eles proporcionam. Fã de praias, encontra inspiração e serenidade nas paisagens litorâneas. Leitor dedicado, com interesse por clássicos literários, como Dom Casmurro, obras contemporâneas, como O Código Da Vinci, e textos que exploram temas fascinantes, como a "Origem da Vida". Sempre buscando cativar as pessoas, compartilhando experiências e reflexões que tocam e inspiram.

Atualizado às 12h48.

Um temporal com grande volume de chuva voltou a provocar alagamentos e transtornos em cidades da Baixada Santista entre a noite desta quarta-feira (25) e a madrugada desta quinta (26).

O cenário mais crítico foi registrado em Mongaguá, onde o extravasamento de rios levou água para dentro de residências e deixou moradores temporariamente isolados.

Mongaguá tem rios transbordados, áreas inundadas e desabrigados

De acordo com nota atualizada da Prefeitura de Mongaguá, a leitura pluviométrica aponta 80,6 mm de chuva nas últimas 24 horas e 127,97 mm em 72 horas, mantendo o município em nível de Atenção.

O volume de precipitação, somado ao solo já encharcado, provocou elevação adicional dos rios Aguapeú e Bichoró, que transbordaram e causaram alagamentos em diferentes regiões da cidade. Áreas próximas ao Barranco Alto encontram-se completamente inundadas e há diversos pontos intransitáveis.

Até o momento, nove pessoas estão acolhidas no abrigo municipal instalado no Ginásio Arthurzão, número que pode aumentar ao longo do dia diante de novas solicitações de remoção de famílias em áreas atingidas. O município informou ainda que solicitou apoio ao Governo do Estado para auxiliar na retirada de moradores afetados.

A Defesa Civil municipal orienta a população a evitar áreas alagadas, não atravessar vias inundadas — mesmo com veículos — e buscar abrigo seguro em caso de risco. Em emergências, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou a Defesa Civil (199).

Veja também: Prefeitura de Mongaguá suspende aulas nesta quinta (26) por risco de chuvas intensas

Santos tem queda de árvore, alagamentos e impacto no trânsito

A Prefeitura de Santos informou que o índice pluviométrico chegou a 76,7 mm nas últimas 72 horas, com acumulado mensal de 448,8 mm, mantendo os morros em estado de Atenção.

Na manhã desta quinta (26), foi registrada queda de árvore na Praça Mauá, no Centro. A vegetação foi removida por equipe da Coordenadoria de Paisagismo e não houve vítimas nem interdição viária.

No trânsito, há diversos pontos afetados por alagamentos. Na Avenida Nossa Senhora de Fátima, junto à Rua Ana Santos, o tráfego segue apenas para veículos de maior porte. A CET-Santos implantou sinalização e desvio seletivo para carros pequenos e mantém agentes na Rua Júlia F. Carvalho e no acesso ao Viaduto Paulo Gomes Barbosa.

Na Avenida Martins Fontes (pista local, sentido bairro), a água ocupa as faixas direita e central, com circulação apenas pela esquerda. Já na Zona Noroeste, alagamentos em vias como Avenida Dr. Haroldo de Camargo, Rua Dr. Flor Horário Cyrillo, Avenida Eleanor Roosevelt/Avenida Divisória e Rua Gercino Hugo Caparelli provocaram desvios em linhas de ônibus municipais e intermunicipais.

Há ainda alagamento na Praça Washington, bloqueada junto à Rua Guilherme Álvaro, no José Menino. A CET orienta motoristas a acompanhar as condições pelo aplicativo Waze.

Peruíbe mantém centenas de pessoas em abrigos e alerta para novas chuvas

A Prefeitura de Peruíbe informou que 349 pessoas estão acolhidas em abrigos municipais e outras 100 desalojadas, também assistidas pelo município.

Diante do alerta de fortes chuvas para os próximos dias, a administração reforça o pedido para que moradores não se arrisquem e evitem áreas de risco. A Defesa Civil mantém o posto de comando no bairro Caraguava em plantão 24 horas para atendimento de resgates e ocorrências emergenciais.

O município destacou que segue atuando com responsabilidade e agilidade para minimizar os impactos causados pelas chuvas.

Confira como está uma das vias prejudicadas pelo temporal, em São Vicente:

São Vicente registra novos pontos de alagamento

A Prefeitura de São Vicente informou que o acumulado de chuva chegou a 51,1 mm nas últimas 24 horas, segundo o boletim pluviométrico mais recente, mantendo o município em nível de Atenção.

De acordo com a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), há pontos de alagamento em diferentes regiões da cidade:

Transitáveis:

Rua Tibiriça x Avenida Presidente Wilson
Rua Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon x Rua Cidade de Santos
Avenida Quintino Bocaiuva x Avenida Manoel da Nóbrega
Avenida Capitão Luiz Pimenta, próximo à Rua do Estudante
Transitável apenas para veículos de grande porte:
Avenida Augusto Severo x Avenida Galeão Coutinho

Intransitável:

Rua Mascarenhas de Moraes, próximo à Rua Oiti

A Defesa Civil municipal segue de prontidão e monitorando áreas de risco. Até o momento, não houve acionamento para ocorrências.

Veja também: Chuva intensa transforma vias em rios e complica trânsito em São Vicente

Cubatão segue em monitoramento

Em Cubatão, o índice pluviométrico das últimas 24 horas foi de 12,6 mm na área de encosta e 38,4 mm na região central, segundo a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC). Não houve registro de ocorrências, mas o órgão mantém monitoramento constante das condições climáticas.

Em caso de emergência, a orientação é acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.]

Praia Grande registra chuva forte, mas sem ocorrências

A Prefeitura de Praia Grande informou, por meio da Defesa Civil, que não houve registro de ocorrências relacionadas à chuva da madrugada e manhã desta quinta (26).

O índice pluviométrico chegou a 68,6 mm nas últimas 24 horas e 98,4 mm em 72 horas, mantendo o município em nível de Atenção. A Defesa Civil segue monitorando os índices e boletins estaduais e orienta que a população acione os telefones 199 ou 153 em caso de problemas.

Bertioga tem chuva significativa e segue em alerta

Em Bertioga, a Defesa Civil registrou 48 mm de chuva nas últimas 24 horas, mantendo o município em nível de Atenção.

Até o momento, não houve ocorrências como queda de árvores ou danos estruturais. A Defesa Civil segue monitorando as condições climáticas e áreas mais sensíveis, permanecendo à disposição pelo telefone 199 para atendimento de emergências.

Guarujá tem queda de árvore e pontos de alagamento

Em Guarujá, o acumulado chegou a 44,8 mm nas últimas 24 horas e 53,5 mm em 72 horas, mantendo o município em nível de Atenção.

No período, foi registrada uma queda de árvore no bairro da Enseada, sem vítimas. Também houve pontos de alagamento em diferentes bairros, e equipes da Defesa Civil permanecem de prontidão realizando vistorias em todo o município. Em emergências, o telefone para contato é o 199.

Alerta continua para a região

Com o solo saturado e a previsão de novas pancadas de chuva, a Defesa Civil orienta:

evitar áreas alagadas ou com risco de deslizamento
não atravessar vias inundadas, mesmo de carro
buscar abrigo seguro em caso de risco
acompanhar os alertas meteorológicos

A tendência é de manutenção da instabilidade na Baixada Santista nas próximas horas, o que mantém o risco de novos alagamentos e transtornos urbanos.


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Forças cubanas mataram quatro pessoas e feriram seis a bordo de uma lancha registrada na Flórida que entrou em águas cubanas nessa quarta-feira (25). Agentes abriram fogo contra uma patrulha cubana, informou o governo cubano em um momento de tensões crescentes com os Estados Unidos (EUA).

Os feridos receberam atendimento médico, enquanto o comandante da patrulha cubana também ficou ferido, informou o Ministério do Interior de Cuba em comunicado, acrescentando que o caso está sob investigação para esclarecer exatamente o que aconteceu.

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse aos repórteres que não se tratava de uma operação do seu país e que nenhum funcionário do governo norte-americano estava envolvido. As autoridades cubanas informaram os EUA sobre o incidente, mas a embaixada dos EUA em Havana tenta verificar de forma independente o que ocorreu, disse Rubio.

“Teremos nossas próprias informações sobre isso, vamos descobrir exatamente o que aconteceu, e há uma série de coisas que poderiam ter acontecido aqui”, disse Rubio. “Basta dizer que é altamente incomum ver tiroteios em mar aberto como esse.”

O incidente ocorreu no momento em que os Estados Unidos bloquearam praticamente todos os embarques de petróleo para a ilha, aumentando a pressão sobre o governo comunista.

Forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em Caracas em 3 de janeiro, removendo do poder um importante aliado de Cuba. Rubio reiterou sua retórica contra o governo cubano classificando o status quo de insustentável e dizendo que Cuba precisa mudar “dramaticamente”.

Lanchas que contrabandeavam pessoas para fora da ilha já entraram em confronto com as forças cubanas no passado, incluindo um incidente em 2022, em que a patrulha de fronteira cubana matou um suspeito de contrabando, de acordo com nota do governo cubano. Foi uma das 13 lanchas procedentes dos EUA interceptadas no primeiro semestre daquele ano, informou Cuba.

Apesar das relações amplamente antagônicas entre os Estados Unidos e Cuba por 67 anos, os dois países têm cooperado em questões de tráfico de drogas e contrabando de pessoas no Estreito da Flórida, especialmente durante o período de reaproximação sob o ex-presidente dos EUA Barack Obama.

No incidente de ontem, a lancha chegou a menos de uma milha náutica de um canal em Falcones Cay, na costa norte de Cuba, cerca de 200 km a leste de Havana, quando foi abordada por cinco membros de uma unidade de patrulha de fronteira cubana. A lancha então abriu fogo, ferindo o comandante da embarcação cubana, segundo a nota.

Nenhum dos mortos ou feridos a bordo da embarcação invasora foi identificado, mas Cuba disse que ela estava registrada na Flórida com o número FL7726SH.

“Diante dos desafios atuais, Cuba reafirma o compromisso de proteger as águas territoriais, com base no princípio de que a defesa nacional é pilar fundamental para o Estado cubano na salvaguarda de sua soberania e estabilidade na região”, afirmou o comunicado cubano.

Políticos da Flórida pediram investigações separadas, dizendo que não confiavam na versão cubana.

O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, informou que ordenou aos promotores que abrissem uma investigação em conjunto com outros parceiros estaduais e federais responsáveis pela aplicação da lei.

O deputado Carlos Gimenez, republicano cujo distrito inclui o extremo sul da Flórida, pediu investigação federal, dizendo que havia solicitado ao Departamento de Estado e às Forças Armadas dos EUA que investiguem o assunto.

“As autoridades dos Estados Unidos devem determinar se alguma das vítimas era cidadã norte-americana ou residente legal e estabelecer exatamente o que ocorreu”, disse Gimenez.

*(Reportagem adicional de Andrea Shalal e Kanishka Singh)

*É proibida a reprodução deste  conteúdo.


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Ao longo de todo ano passado, 129 profissionais de imprensa morreram no exercício da profissão, de acordo com relatório da organização não governamental Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado nesta quarta-feira (25).

Trata-se do maior número de mortes já documentado pelo comitê desde que a organização começou a fazer esses registros, há mais de três décadas.

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Os dados da organização, que tem sede em Nova York (EUA), revelam ainda que dois terços destas mortes (86) são atribuídas às Forças de Defesa de Israel.

Dos 129 jornalistas assassinados em 2025, a maioria (104) ocorreu durante conflitos. Cinco países concentram 84% das mortes: Israel (86 profissionais de imprensa motos), Sudão (9 mortes), México (6), Rússia (4), e Filipinas (3). 

Embora o número de profissionais de imprensa assassinados na Ucrânia e no Sudão tenha aumentado, a maioria esmagadora dos casos se refere a vítimas palestinas.

No relatório, o Comitê lembra que “os conflitos armados atingiram níveis históricos em todo o mundo”, assim como os assassinatos de jornalistas que alcançaram “um recorde sem precedentes”.

Para o CPJ, a impunidade é um dos principais motivos para a alta dos assassinatos de jornalistas.

“O crescente número de mortes de jornalistas em todo o mundo é alimentado por uma cultura persistente de impunidade para ataques à imprensa: muito poucas investigações transparentes foram conduzidas.”

“O fracasso contínuo dos líderes de governo em proteger a imprensa ou responsabilizar seus atacantes também estabelece as bases para mais assassinatos, inclusive em países que não estão em guerra”, afirma a organização, ao citar as mortes na Índia, no México e nas Filipinas.

Para a presidente da organização Jodie Ginsberg, esses assassinatos acontecem em um momento em que o acesso à informação é “mais importante do que nunca”.

“Os ataques à imprensa são um dos principais indicadores de ataques a outras liberdades. Muito mais precisa ser feito para evitar esses assassinatos e punir os perpetradores. Todos nós estamos em risco quando os jornalistas são mortos por veicular uma notícia.”

No relatório, o Comitê lembra que “os assassinatos de jornalistas violam o direito internacional humanitário”, que estipula que profissionais de imprensa são civis e nunca devem ser alvos deliberados. 

Alvos


Gaza, 25/03/2025 - Jornalistas assassinados ontem por Israel. São eles o profissional da TV Al-Jazeera, o palestino Hossam Shabat, e o jornalista da TV Palestine Today, Mohammad Mansour. Foto: Sindicato dos Jornalistas da Palestina/Divulgação
Gaza, 25/03/2025 - Jornalistas assassinados ontem por Israel. São eles o profissional da TV Al-Jazeera, o palestino Hossam Shabat, e o jornalista da TV Palestine Today, Mohammad Mansour. Foto: Sindicato dos Jornalistas da Palestina/Divulgação
O palestino Hossam Shabat, da Al Jazeera, e Mohammad Mansour da TV Palestine Today, foram assassinados pelas forças israelenses – Sindicato dos Jornalistas da Palestina/Divulgação

Dentre os casos citados pelo CPJ, estão Hossam Shabat, um correspondente palestino de 23 anos da Al Jazeera no Qatar, morto em março de 2025 em um ataque israelense a seu carro perto do hospital Beit Lahia, no Norte de Gaza.

Shabat era um dos jornalistas mais conhecidos que ficou em Gaza para informar sobre a guerra de Israel ao território sitiado. Israel acusou Shabat de ser um atirador do Hamas sem fornecer qualquer evidência das acusações.

Outro caso citado pela ONG, é o do repórter da Al Jazeera, Anas al-Sharif, que alertou publicamente que sua vida estava em perigo depois de difamações repetidas e infundadas por Israel.

Após anos de ameaças, Al-Sharif foi assassinado em agosto de 2025, ao lado de três outros jornalistas da Al Jazeera e dois freelancers, após um ataque a uma tenda que abriga jornalistas perto do Hospital Al-Shifa.

Gangues e estados autoritários

Além dos conflitos armadas em todo o mundo, a organização também cita um estado de direito fraco, facções criminosas com liberdade para praticar crimes, e líderes políticos corruptos como fatores que teriam propiciado a morte de profissionais de imprensa nos seguintes países: Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita.

“Em alguns desses países, esses assassinatos se tornaram comuns. Pelo menos um jornalista foi morto no México e na Índia todos os anos nos últimos 10 anos, e pelo menos um jornalista foi morto em Bangladesh e na Colômbia – assim como por Israel – todos os anos nos últimos cinco anos.”

Drones

A CPJ chama a atenção ainda para a alta no número de ataques a profissionais de imprensa com uso de drone. De acordo com a organização, o número passou de duas mortes em 2023, para 39 óbitos em 2025. 

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, os drones têm sido usados por ambos os países para ataques e vigilância.

“Em 2025, a Rússia intensificou sua guerra de drones, usando-os para atacar repetidamente civis na Ucrânia, incluindo jornalistas. Os quatro jornalistas mortos na Ucrânia em 2025 foram atingidos por drones russos”, informou o CPJ, sinalizando que o ano passado foi o primeiro em que o CPJ assassinatos de jornalistas por drones, durante a guerra Rússia-Ucrânia. 

*Com informações da RTP


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O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, declarou no discurso sobre o estado da União, nessa terça-feira (24), que inaugurou a “era de ouro da América”. Acrescentou que busca projetar uma aura de sucesso, apesar da queda nos índices de aprovação e do aumento da frustração dos eleitores antes das eleições de meio de mandato em novembro.

Atendendo aos apelos dos parlamentares republicanos, preocupados com a possibilidade de perderem a maioria no Congresso ainda este ano, Trump dedicou a primeira hora de seu discurso à economia, afirmando que desacelerou a inflação, levando o mercado de ações a níveis recordes, assinado reduções fiscais significativas e baixando os preços dos medicamentos.

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Entretanto, não ficou claro se a sua avaliação otimista vai acalmar a indignação dos norte-americanos em relação ao custo de vida. Trump procurou culpar o seu antecessor democrata, Joe Biden, pelos preços elevados, mas as pesquisas de opinião mostram que os eleitores o responsabilizam por não ter tomado mais medidas para aliviar a crise de acessibilidade depois da campanha incessante que fez sobre o assunto.

“Nossa nação está de volta — maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, disse Trump após subir ao palco sob aplausos de seus colegas republicanos no Congresso. 

Dezenas de assentos ficaram vazios no lado democrata, um lembrete de que muitos legisladores faltaram ao discurso para participar de manifestações contra Trump do lado de fora.

O discurso anual ao Congresso ocorreu em momento difícil para a presidência de Trump, com pesquisas mostrando que a maioria dos americanos está insatisfeita com seu desempenho, com o aumento da ansiedade em relação ao Irã e com o fracasso de sua política tarifária, após a Suprema Corte do país ter derrubado a maioria dos impostos de importação.

Durante grande parte do discurso, Trump mostrou-se incomumente disciplinado, parecendo seguir à risca o roteiro preparado e evitando suas habituais digressões espontâneas. Contudo, ele deixou transparecer o lado combativo ao discutir suas medidas contra a imigração, trocando insultos em voz alta com vários legisladores democratas.

Confira as informações sobre o discurso de Trump no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Sem clareza sobre o Irã

Embora Trump tenha dito que a inflação está “caindo vertiginosamente”, os preços dos alimentos, moradia, seguros e serviços públicos continuam significativamente mais altos do que há alguns anos. Novos dados divulgados na sexta-feira (20) mostraram que a economia desacelerou mais do que o esperado no último trimestre, enquanto a inflação acelerou.

Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que apenas 36% dos norte-americanos aprovam sua gestão da economia. Os democratas esperam tomar o controle das duas casas do Congresso dos republicanos em novembro, quando todas as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e cerca de um terço das 100 cadeiras do Senado estarão em disputa.

Trump, que atacou pessoalmente a Suprema Corte após a decisão sobre as tarifas na sexta-feira, conteve-se nesta terça. Ele considerou a decisão “lamentável”, mas argumentou que, em última análise, ela teria pouco impacto sobre sua política comercial.

Ele também dedicou pouco tempo à política externa, embora tenha concentrado grande parte de suas energias no cargo em questões internacionais.

Trump afirmou novamente que “encerrou” oito guerras, o que é considerado um exagero, e mal mencionou a Ucrânia, apesar de terça-feira marcar o quarto aniversário da invasão russa. Ele não falou sobre a China, principal rival econômico dos Estados Unidos, nem sobre a Groenlândia, território semiautônomo dinamarquês que ameaçou tomar.

Trump também não ofereceu clareza sobre seus planos para o Irã, em meio a sinais de que está se aproximando de um conflito militar com Teerã.

“Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia”, disse. “Mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo, que é de longe o Irã, tenha arma nuclear.”

Trump e democratas entram em conflito

Quando Trump voltou ao seu tema favorito, a imigração, repetiu a mesma retórica que animou sua campanha de 2024, alegando que os migrantes sem documentos eram responsáveis por uma onda de crimes violentos, apesar de estudos mostrarem que esse não é o caso.

“Vocês deveriam ter vergonha”, disse ele aos democratas, repreendendo-os por se recusarem a financiar o Departamento de Segurança Interna, a menos que sejam tomadas medidas para coibir as táticas agressivas dos agentes de imigração.

Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos norte-americanos acredita que a repressão à imigração de Trump foi longe demais, depois que dois cidadãos norte-americanos foram mortos a tiros por agentes federais mascarados em Minneapolis.

Enquanto Trump elogiava a política de imigração, a democrata Ilhan Omar, que representa um distrito de Minneapolis na Câmara dos Deputados dos EUA, gritou em sua direção: “Você matou norte-americanos!”

Trump, que há anos afirma falsamente que a fraude eleitoral no país é generalizada, também atacou os democratas por não apoiarem a exigência de identificação do eleitor.

“Eles querem trapacear”, disse ele. Os democratas argumentam que a legislação apoiada pelos republicanos imporia encargos desnecessários aos eleitores e suprimiria a participação eleitoral.

O deputado democrata Al Green foi retirado da Câmara pela segunda vez consecutiva, após acenar para Trump com um cartaz que dizia: “Os negros não são macacos”. A mensagem se referia a um vídeo postado por Trump nas redes sociais com um clipe retratando o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos.

A Casa Branca acabou retirando o vídeo, que Trump disse ter sido postado por um funcionário. Green, que é negro, também foi expulso durante o discurso do ano passado após gritar com Trump.

Outros democratas apresentaram mensagens de protesto mais discretas. A deputada federal Jill Tokuda, democrata do Havaí, usou uma jaqueta branca com palavras como “acessibilidade” e “saúde”.

Várias mulheres democratas usaram crachás com os dizeres “divulguem os arquivos”, uma referência ao escândalo envolvendo o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Cerca de uma dúzia de acusadoras de Epstein compareceram como convidadas dos democratas.

(Reportagem adicional de Steve Holland, Daphne Psaledakis)

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