Autor: Clayton Lima

Uma pessoa apaixonada por esportes, que aprecia a energia e a conexão que eles proporcionam. Fã de praias, encontra inspiração e serenidade nas paisagens litorâneas. Leitor dedicado, com interesse por clássicos literários, como Dom Casmurro, obras contemporâneas, como O Código Da Vinci, e textos que exploram temas fascinantes, como a "Origem da Vida". Sempre buscando cativar as pessoas, compartilhando experiências e reflexões que tocam e inspiram.


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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, defendeu que os Estados Unidos (EUA) não buscam, de verdade, um acordo nuclear com o país persa. Segundo ele, isso poderia ser alcançado por meio de negociações.  

“Hoje, era previsto acontecer a reunião de especialistas de questões nucleares em Viena [capital da Áustria] por meio da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica]. Mas, novamente, a mesa de negociação foi atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA”, disse.

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Em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, convidou a imprensa para uma coletiva na Embaixada do país, em Brasília, nesta segunda-feira (2).  

Para o diplomata, Israel e EUA usaram as negociações da questão nuclear como “farsa” para poderem promover a “mudança de regime” no Irã. A agressão seria fruto de uma “visão” dos EUA que imaginam que são “os donos do mundo”, defendeu o representante do Irã.

“O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que, alguns países, devido a seus interesses, possam aceitar essas alegações e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, há 47 anos, busca sua independência”, completou.

Nekounam destacou ainda que o país rapidamente substituiu o comando do Líder Supremo Ali Khamenei, que foi assassinado no último sábado (28), por um Conselho interino que manteve a defesa do país de forma “contínua, firme e poderosa”, sem descontinuidades na estrutura de Poder do Estado iraniano.

Para analistas consultados pela Agência Brasil, a troca de regime em Teerã tem o objetivo de deter a expansão econômica da China, vista como ameaça pelos Estados Unidos, além de consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.

Por outro lado, Tel Aviv e Washington alegam que o ataque contra o Irã é “preventivo” já que o país estaria a desenvolver um programa de artefatos nucleares, o que seria uma ameaça para Israel. Teerã sempre sustentou que seu programa nuclear é para fins pacíficos.  


Brasília (DF), 02/03/2026 - O Embaixador da República Islâmica do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, durante entrevista coletiva. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 02/03/2026 - O Embaixador da República Islâmica do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, durante entrevista coletiva. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 O embaixador da República Islâmica do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, durante entrevista coletiva. – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caso Epstein

O embaixador do Irã no Brasil Abdollah Nekounam questionou a legitimidade dos Estados Unidos para “administrarem o planeta” citando o caso dos arquivos de Jeffrey Epstein, financista estadunidense condenado por abuso sexual de menores de idade e tráfico de pessoas.

“O nosso mundo tem valor muito superior para ser administrado pelos ‘reis’ que, nos arquivos do Epstein, estão cada vez mais envolvidos. As pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem e não valem administrar a soberania do mundo”, completou.

As relações de Epstein com a elite política norte-americana – o empresário foi amigo do presidente Trump – tem provocado abalos políticos no país  e entre vários dos aliados de Washington.

Administração do Irã 

O embaixador iraniano no Brasil destacou ainda que o país conseguiu substituir o líder Supremo Khamenei sem prejudicar a defesa do país, afastando hipóteses de que o país poderia ficar sem comando com a morte de Khamenei.

“Irã é país soberano por completo e a gestão e administração do país está em vigor e em forma plena”, disse Nekounam.  

Um Conselho de Liderança Interino foi nomeado para assumir os poderes de Khamenei enquanto a Assembleia dos Especialistas não elege o novo líder Supremo.

“Vocês viram que, com o assassinato do Líder Supremo, que comanda toda questão de defesa do país, as coisas se organizaram de forma célere e rápida. A defesa [do país] está contínua, firme e poderosa”, completou.

Posição do Brasil em relação à guerra

Questionado sobre a posição do Brasil em relação ao conflito, o embaixador Abdollah Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) que condenou o uso da força por Israel e EUA.  

“Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa e dá atenção aos valores do ser humano, de soberania, de integridade territorial e de independência dos governos”, comentou.

O diplomata defendeu o direito de Teerã de atacar bases militares dos inimigos. 

“É nosso direito, porque nós fomos atacados, porque nós estamos nos defendendo com direito legítimo. Sobre nossas relações de amizade, com nossos países vizinhos, não há nenhum desentendimento. Nossas ações são contra bases militares dos EUA e alguns centros do regime sionista. Que isso não se considera ataque aos territórios desses países mencionados”, justificou.

Calcula-se que os ataques do Irã tenham atingido alvos dos EUA em países como Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia.

Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Entenda

Pela segunda vez em oito meses, Israel e os EUA lançaram uma agressão contra o Irã em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa.

Ainda no primeiro governo Trump, os EUA abandonaram o acordo firmado em 2015, sob o governo de Barack Obama, para inspeção internacional do programa nuclear iraniano. Israel e EUA sempre acusaram Teerã de buscar armas nucleares.

Os iranianos, por sua vez, defendem que o programa é para fins pacíficos e se colocavam à disposição para inspeções internacionais. 

Por outro lado, Israel, mesmo acusado de ter bombas atômicas, nunca permitiu qualquer inspeção internacional do seu programa nuclear. 

Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump iniciou nova ofensiva contra Teerã exigindo, além do desmantelamento do programa nuclear, o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos de resistência a Israel como o Hamas, na Palestina, e Hezbollah, no Líbano.

Um dia antes da agressão contra o Irã, o chancelar de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que é o mediador das negociações entre Washington e Teerã, informou que eles estariam muito próximos de um acordo e que o Irã teria concordado em não manter urânio enriquecido em elevados teores, que possibilitassem a criação de uma bomba atômica. 

Muito antes da fama de “Miami Brasileira” devido aos prédios alto padrão e das temporadas movimentadas, Praia Grande virou assunto por causa de uma baleia que nunca existiu, mas que arrastou multidões até a cidade. Pelo menos, é o que conta uma publicação do portal Novo Milênio.

A história aconteceu em meados de 1946, quando a região ainda era distrito de São Vicente e tinha pouco movimento fora do verão. O responsável pelo episódio teria sido o motorista e empreendedor Antonio Augusto de Sá Lopes, dono de uma linha de ônibus que enfrentava prejuízos constantes por falta de passageiros.

O “aparecimento” da baleia

Segundo um relato no livro “A Odisséia de um Motorista” (1961), Sá Lopes teve a ideia ousada de espalhar a notícia de que uma enorme baleia havia sido vista próxima à costa de Praia Grande. À época, a informação correu rapidamente na boca do povo.

Curiosos queriam ver o animal de perto, moradores comentavam nas ruas e, de repente, o que era uma linha quase vazia passou a sair lotada. Os ônibus faziam viagens cheias de passageiros ansiosos para testemunhar o suposto espetáculo marinho.

“Enquanto não vinha licença para uma nova linha funcionar, os ônibus para o Boqueirão de Santos estavam deficitários, havia então necessidade de se criar algo novo. Na hora, pensei em promover uma excursão a Itanhaém, mas como interessar pessoas com um tempo feio? De uma hora para outra, sem anúncio e sem reclame?”, diz um trecho do livro.

“Foi então que chamei um pequeno vendedor de jornais, e por dez cruzeiros ele foi no Café Atlântico e começou a gritar que havia uma baleia na Praia Grande. Daí a pouco, o carro estava lotado com mais de cinquenta passageiros, todos curiosos por verem o enorme cetáceo. Mas quando chegávamos ao ponto final da viagem que era o Campo de Aviação, outra desculpa era dada, e a viagem prolongava-se até Itanhaém”, completa.

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Casa cheia

Com o aumento da procura, a linha entre Santos e Praia Grande ganhou fôlego. O movimento ajudou a consolidar o transporte regular até a orla e ainda colocou a cidade no radar de quem buscava lazer à beira-mar.

Naquele período, um dos principais atrativos era apenas a pesca artesanal no Boqueirão. Barcos chegando carregados, redes sendo puxadas e peixes expostos na areia formavam um cenário que encantava visitantes, mesmo sem baleia alguma.

Turismo antes do turismo

Sem campanhas oficiais ou estrutura organizada, o crescimento aconteceu de forma espontânea. A paisagem fazia todo o resto, com faixa de areia extensa, mar aberto e a Serra do Mar ao fundo.

A região, que tem registros históricos desde o século XVI sob o nome indígena “Peabuçu”, começou a se transformar nas décadas seguintes, com loteamentos como Jardim Guilhermina, Vila Mirim e Cidade Ocian impulsionando a ocupação urbana.

O episódio da baleia virou parte do folclore local, um exemplo de criatividade que, mesmo baseado em um boato, ajudou a impulsionar o desenvolvimento turístico da cidade.


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Mansoureh Khojasteh, mulher do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado (28), também está morta. Ela foi atingida no mesmo ataque dos Estados Unidos e Israel que vitimou o líder iraniano e não resistiu aos ferimentos, segundo informações da Reuters. De acordo com a agência, autoridades iranianas confirmaram a morte da Mansoureh.

A ofensiva norte-americana e israelense teve início na madrugada do último sábado. O ataque, segundo o presidente Donald Trump acontece para conter o programa nuclear iraniano. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra várias bases dos EUA em diferentes países do Oriente Médio, incluindo Israel. O país liderado por Benjamin Netanyahu afirma ter interceptado os projeteis iranianos.

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Nesta segunda (2), o chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, escreveu na rede social X que “não haverá negociação com os Estados Unidos”, desmentindo Trump, que afirmou que a nova liderança iraniana estaria disposta a conversar.

Larijani disse também que o presidente norte-americano “puxou toda a região para uma guerra desnecessária.”

Trump declarou hoje que os ataques ao Irã devem durar cerca de quatro semanas.

 


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Após passarem pelo processo de recrutamento, mulheres ingressam pela primeira vez, de forma conjunta e voluntária, nas Forças Armadas por meio do serviço militar inicial feminino.

A previsão do Ministério da Defesa é que, ao longo de 2026, 1.467 mulheres prestem o serviço militar em 13 estados e no Distrito Federal, sendo 1.010 no Exército, 300 na Força Aérea e 157 na Marinha. Segundo a pasta, ela serão distribuídas em um total de 51 municípios brasileiros.

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Durante cerimônia no Comando Militar do Planalto, em Brasília, nesta segunda-feira (2), o ministro da Defesa, José Múcio, lembrou que, atualmente, mulheres ocupam cargos de comando nas Forças Armadas, desempenhando missões de paz no exterior, concorrendo e ascendendo a postos de oficiais generais.

“Isso representa a natural evolução institucional, uma tendência global. Há poucos anos, as mulheres passaram também a ingressar nas escolas militares, como alunas, guardas-marinhas ou cadetes”, disse.

Segundo Múcio, as mulheres representam cerca de 10% dos efetivos militares no país, somando mais de 37 mil profissionais nas Forças Armadas, em segmentos específicos como combatentes, dentistas, enfermeiras, médicas, professoras e outras funções técnicas.

“O ingresso feminino no serviço militar inicial também se alinha aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito da Agenda Mulheres, Paz e Segurança das Nações Unidas, fortalecendo nossa credibilidade e interoperabilidade em missões internacionais, além de promover maior capacidade de inovação, adaptabilidade e legitimidade social.”

Ao se dirigir diretamente às mulheres incorporadas, o ministro concluiu: “Saibam que vocês fazem história. O ato de voluntarismo representa a bravura da mulher brasileira. A sobriedade e a maturidade que demonstram ao optar por este caminho de sacrifícios e dedicação também faz aumentar, no seio da sociedade, a percepção de igualdade de oportunidades e de responsabilidades”.

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O preço do petróleo no mercado internacional disparou na manhã desta segunda-feira (2), primeiro dia útil após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que tem como saldo a morte de, ao menos, centenas de pessoas, incluindo o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e outras autoridades do primeiro escalão.

Pouco depois das 12h, o contrato futuro do petróleo tipo Brent, referência global da matéria-prima, era negociado em Londres perto de US$ 79 o barril, o que representa alta de cerca de 7,6%.

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Já o WIT, negociado em Nova York, era cotado a pouco mais de US$ 71 o barril, o que representa salto de cerca de 6%.

Os produtos são negociados 24h por dia nos dias úteis, e as cotações oscilam de acordo com humores do mercado. 

No Brasil, pouco antes das 13h, as ações da Petrobras negociavam na B3 (bolsa de valores de São Paulo) a R$ 44,39, alta de 3,90%. 

Estreito de Ormuz

De acordo com analistas, a alta do petróleo reflete preocupação com a situação do Estreito de Ormuz.

A passagem marítima fica ao sul do Irã e liga os golfos Pérsico ou de Omã. Por lá, passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, explicou à Agência Brasil que o Estreito de Ormuz é a principal rota global para o transporte de petróleo vindo do Irã, Arábia Saudita, Iraque, grandes produtores da commodity (matéria-prima negociada em grandes quantidades e preços internacionais).

“É o principal fator que faz o preço do petróleo explodir. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai muito e, consequentemente, os preços sobem quase que de forma imediata.”

No sábado, dia dos primeiros ataques, houve relatos de centenas de embarcações ancoradas, sem poder atravessar o estreito.

Sartori lembra que o barril do Brent chegou a bater 13% de alta nesta segunda, superando US$ 80. Segundo ele, a alta “é sintomática, pois expõe o quão volátil podem ser os preços em cenários de conflito”.

Para Sartori, enquanto o conflito seguir, e o Estreito de Ormuz seguir fechado, é esperado que os preços do petróleo sigam elevados “e até subam conforme os estoques disponíveis se reduzam”.

Problema logístico

O gerente da tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, frisa que a preocupação global não é com a produção de petróleo, mas sim com a questão logística.

De acordo com Oliveira, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) já anunciou no domingo (1º) o aumento da produção, como forma de garantir a oferta do combustível.

“A Opep tem capacidade produtiva ociosa suficiente para poder suprir o Irã, se o país for retirado da equação produtiva do petróleo global”, avalia.

No entanto, o gerente chama atenção para a logística do Estreito de Ormuz. “Realmente é estreito, com pouca coisa você conseguiria fechá-lo. Um conflito, então, nem se fala”, diz tesoureiro do banco especializado em crédito, investimento e mercado de câmbio.

De acordo com Oliveira, a interrupção do tráfego de navios levaria a uma “bagunça” em todas as cadeias produtivas. Na visão dele, mesmo sendo exportador de petróleo, o Brasil poderia ser afetado por importar derivados do óleo bruto, que chegariam encarecidos ao país.

Inflação

O economista Rodolpho Sartori aponta que, caso a guerra dure bastante tempo, a alta do preço do petróleo pode levar à necessidade de repasse de preços ao consumidor, o que representaria um “repique na inflação”.

O gerente da tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, não descarta que o conflito tenha como reflexo a diminuição da magnitude do corte de juros no país.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já anunciou que pretende cortar a taxa básica de juros, a Selic, na reunião do conselho em março. 

“Tem a possibilidade de esse corte de juros vir um pouco mais tímido. Talvez não 0,50 ponto percentual (p.p.), talvez 0,25 p.p.”, assinala.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano. Quanto menor a taxa, maior o incentivo à atividade econômica e a geração de emprego.

Dólar

O dólar também apresenta alta nesta segunda-feira, interrompendo uma trajetória de queda das ultimas semanas, quando atingiu o menor valor em 21 meses. 

Pouco depois das 12h, a cotação da moeda estrangeira beirava R$ 5,20, alta perto de 1%.

Otávio Oliveira, do Daycoval, explica que, em um primeiro momento, ocorre um movimento chamado de fuga do risco, quando investidores migram recursos de países emergentes, considerados investimento de risco, para economias mais consolidadas.

“Tem a venda do real e a compra de outros ativos, tal qual o próprio dólar, que se fortalece globalmente, e outras moedas que são justamente utilizadas para momentos como esse, como o iene, japonês”, detalha.

Quando uma moeda e muito procurada, o preço dela sobe. O inverso acontece quando uma moeda é muito vendida.

Rodolpho Sartori, da Austin ratings, considera o cenário do dólar complexo. “Em outros períodos, incertezas globais gerariam um dólar mais forte, mas parece que estamos em uma mudança de paradigma”, diz.

Ele avalia que a questão geopolítica que envolve a gestão do presidente Donald Trump leva a incertezas que “têm pesado contra a própria moeda”.

“Parece-me natural que haja algum repique no dólar nesses primeiros dias de conflito, mas não temos mais o quadro do dólar se valorizar de forma abrupta por conta de conflitos, como antes ocorria. Imagino que a moeda americana siga oscilando na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25”, estima Sartori.

 


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O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, disse que nenhum brasileiro solicitou auxílio para deixar o Irã, país no Oriente Médio alvo de ataques dos Estados Unidos e aliados no fim de semana.

De acordo com Guimarães, a comunidade brasileira no país é pequena, cerca de 200 pessoas, de famílias constituídas de mulheres brasileiras que se casaram com iranianos.

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“Não temos nenhuma notícia de brasileiros que tenham sido vítimas de um ataque”, disse, nesta segunda-feira (2), em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.

“Temos um grupo de WhatsApp que funciona intermitentemente, segundo a liberação ou não da internet aqui. Mas eles já teriam se comunicado com a gente se fosse necessária alguma assistência”, acrescentou.

O único caso de brasileiro que já deixou o Irã é de um treinador de futebol que saiu, por meios próprios, pela fronteira com a Turquia.

O embaixador explicou que a orientação do governo brasileiro é dar assistência aos seus cidadãos, proteger a equipe da embaixada e informar tudo que está acontecendo para que as avaliações sejam feitas. Segundo Guimarães, ainda é “muito cedo” para pensar em retirar toda a equipe do país.

“A cada momento, na verdade, a gente tem que avaliar e sentir se há condições de permanência. Até agora, os objetivos [dos ataques] são militares, governamentais. Não há falta de energia, de água, os mercados ainda estão abastecidos, pouquíssimas pessoas nas ruas. Então, ainda é possível [permanecer em Teerã], mas existe sempre o risco do efeito colateral”, relatou.

Ainda assim, segundo o embaixador, o momento é “de muita apreensão, muita tensão e uma certa ansiedade”.

“Os ataques são diários. Agora mesmo estão atacando, atacaram há 1 hora, sempre com ataques muito violentos, bombas muito potentes”.

O objetivo dos ataques, conta o embaixador, é atingir estruturas do exército, da Guarda Revolucionária, do Estado iraniano”,  “mas nunca fica certo qual prédio tem relação com qualquer um desses objetivos”, explicou.

Na avaliação de André Veras Guimarães, é muito difícil acreditar que esses ataques consigam tirar o atual regime iraniano do poder, como quer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O sistema ele é muito bem estabelecido, muito enraizado e não me parece, estando aqui e observando, seguindo a política deles, que isso fará o regime cair”, disse.

O embaixador relembra que é um sistema construído ao longo de quatro décadas, “com mecanismos que constam da Constituição para substituição de autoridades e isto vai ser empregado agora”.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado durante a agressão militar dos Estados Unidos e Israel contra o país persa, no último sábado (28). No domingo (1º), foi anunciada a formação de um órgão colegiado para substituir Khamenei.