Governo brasileiro repudia declarações de Donald Trump sobre intervenção militar e sanções econômicas em reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.

O governo brasileiro rejeitou veementemente na terça-feira a ameaça dos Estados Unidos de recorrer ao uso de força militar e sanções econômicas contra o país, após declarações da Casa Branca ligadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em trama golpista em 2022.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump “não tem medo” de usar o poder econômico e militar americano para “proteger a liberdade de expressão em todo o mundo”. A declaração foi dada em resposta a perguntas sobre a liberdade de expressão no contexto do julgamento de Bolsonaro, reforçando que o alvo da retórica é o processo contra o ex-presidente.
Defesa da soberania e repúdio à intimidação
O governo brasileiro emitiu nota oficial afirmando que não se intimidará diante de ataques externos e condenou o uso de sanções ou ameaças militares para pressionar o país.
“O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. Este é o dever dos três poderes, que não se intimidarão diante de qualquer ataque à nossa soberania”, diz o comunicado.
O texto também enfatiza que o Brasil repudia tentativas de forças antidemocráticas de envolver governos estrangeiros para coagir instituições nacionais, deixando claro que a ameaça dos EUA é vista como uma intervenção direta no processo democrático brasileiro.
Escalada de tensões entre Brasília e Washington
As relações entre os dois países se acirraram desde 7 de agosto, quando entraram em vigor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciadas por Trump um mês antes. O presidente norte-americano justificou a medida citando uma suposta relação comercial “muito injusta” e criticando o julgamento de Bolsonaro, ligado a acusações de tentativa de golpe de Estado.
O episódio marca uma das maiores tensões diplomáticas recentes, com a retórica americana diretamente relacionada à defesa do ex-presidente brasileiro, e reforça o papel do governo brasileiro em proteger a soberania e a democracia nacional.
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