Passageiros relatam filas, atrasos, falta de informação e aeronaves arremetendo após ciclone extratropical atingir o estado

O Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, enfrentou um dos dias mais críticos do ano nesta quarta-feira (10/12), após um ciclone extratropical provocar ventos fortes e desorganizar completamente a malha aérea. De acordo com a Aena, responsável pelo terminal, mais de 121 voos foram cancelados, incluindo 71 partidas e 50 chegadas.
Filas gigantes e confusão entre passageiros
As filas para remarcação de voos ultrapassaram a área de check-in e se estenderam até as escadas que dão acesso ao embarque. Passageiros relataram dificuldade para obter informações, demora no atendimento e confusão nos painéis, que em muitos casos não exibiam status atualizado dos voos afetados.
“Meu voo não está no painel, não diz que foi cancelado. Estamos na fila há muito tempo e só tem uma pessoa da companhia para resolver tudo”, reclamou Juliana Portas, 44 anos, fonoaudióloga, em entrevista ao portal Metrópoles.
Ventos fortes e arremetidas
O motorista Alberto Santana, 65 anos, descreveu momentos de tensão ao chegar de Salvador:
“Na hora de pousar, o avião arremeteu. Muito vento, muito forte. Depois teve que fazer tudo de novo para conseguir pousar.”
Outros passageiros relataram situações parecidas, com aeronaves arremetendo ou enfrentando turbulência moderada a severa na aproximação de Congonhas.
O auxiliar administrativo Matheus Albuquerque, 32, contou que teve seu voo para o Rio de Janeiro adiado duas vezes antes de ser cancelado:
“Estou há mais de duas horas na fila aguardando alguma resposta, mas não tem previsão de nada.”
Aena: cancelamentos por decisão das companhias
Em nota, a Aena afirmou que o aeroporto operou normalmente, mas que os cancelamentos ocorreram por decisões operacionais das companhias aéreas, que consideraram:
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rajadas de vento acima de 90 km/h,
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orientação do controle de tráfego aéreo,
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necessidade de readequação da malha aérea.
A empresa reforçou que passageiros devem contatar as companhias para confirmar a situação de seus voos.
Ventos acima de 80 km/h e centenas de ocorrências
De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, Congonhas registrou ventos de 69 km/h por volta das 9h da manhã. Em atualização posterior, foram identificadas rajadas de 81,7 km/h na capital paulista.
O Corpo de Bombeiros de São Paulo recebeu 514 chamados por quedas de árvores até o meio-dia, evidenciando a intensidade do fenômeno climático que atingiu toda a Região Metropolitana.
Por que o ciclone afeta São Paulo mesmo estando distante
Segundo o meteorologista Willian Minhoto, da Defesa Civil, o ciclone — apesar de formado no Sul do Brasil — possui extensão suficiente para alterar os padrões de vento e temperatura em São Paulo. Ele canaliza correntes de ar quente e úmido, favorecendo tempestades e instabilidade.
Além disso, a borda do ciclone está associada a uma frente fria que avança pelo estado, gerando queda de temperatura, rajadas fortes e aumento da nebulosidade.
Gabinete de crise acompanha a situação
Um gabinete com representantes da Defesa Civil, concessionárias de energia, Sabesp, DER, Artesp, Arsesp e Corpo de Bombeiros foi montado para monitorar riscos e coordenar ações emergenciais.
As equipes seguem acompanhando quedas de árvores, riscos de destelhamento, bloqueios viários e impactos na rede elétrica.
Previsão do tempo para quinta-feira (11/12)
Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências):
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A chuva deve diminuir totalmente ao longo do dia;
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O sol aparece entre nuvens;
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Os ventos permanecem moderados;
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Temperaturas ficam entre 20°C e 28°C;
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Umidade varia entre 42% e 95%.
Apesar da melhora, ainda há recomendação de cautela para deslocamentos e acompanhamento de atualizações meteorológicas.

